ESTABELECIMENTOS PRISIONAIS
Este é daqueles assuntos que em regra o diário de referência mais o semanário de referência não tratam.
Preferem ir a correr ouvir as barbaridades e vacuidades do Sócrates de cada vez que sai do tribunal sorrindo, ou escrever longos textos a debater a telenovela mal cheirosa com o "Cris" no principal papel, ou ir a correr fazer perguntas aos pequenotes da Tendinfada que mijam e obram no Rossio ou na praça no Porto, etc.
O sistema de justiça nacional, em certos casos, e na sequência de processos transitados em julgado, sanciona cidadãos com penas de prisão efectiva. Vão para a prisão.
As prisões, que eu saiba, não tem como papel único engaiolar cidadãos por determinado tempo fixado por decisão judicial. Têm, em princípio, em dadas circunstâncias, o papel de tentar recuperar cidadãos para ver se é possível a sua posterior reintegração na sociedade.
Mas é claro que de boas intenções está cheio o Portugal das elites que temos tido.
E o que temos?
Por um lado, a acção maioritária de não engavetar pessoal mal comportado, penas suspensas. Em alguns casos, como para certos bandidos corruptos, penas de luxuosa prisão domiciliária.
Por outro lado, tudo fazer para não gastar dinheiro com os estabelecimentos prisionais.
Ou seja, não construir mais edifícios prisionais, protelar indefinidamente manutenções nos edifícios existentes, não apetrechar tecnologicamente as prisões, não preencher quadros de pessoal, sejam guardas prisionais, sejam psicólogos, assistentes sociais etc.
Resultados?
Degradação de instalações, sobrelotação de prisões, mesmo rupturas em algumas prisões, algumas fugas de presos, uma média de idade nos guardas prisionais superior a 50 anos, uma escandalosa ausência de guardas. Faltarão entre 1500 a 1700 guardas prisionais. Ah, e naturalmente bem pagos!
Um dos vários "piquenos" (Manuela Ferreira Leite dixit) problemas na pesadíssima máquina do Estado. Um Estado que diariamente se vê a colapsar. Não porque Costa não tenha virado todas as páginas.
Enfim
AC
