sábado, 4 de setembro de 2021

PEIXES,  PEIXEIRAS,  PEICHEIRADA, CALDEIRADAS

Bom dia.

Uma das últimas revistas do Expresso trazia a dada altura um "glossário dos peixes mal-amados", a saber: anchova, pata-roxa, besugo, bica, cantarolo, carapau negrão, carta, cavala, faneca, sabia, peixe-aranha, peixe-porco, raia, robalo-baila, valongo, tainha-fataça, tamboril.

O peixe-porco conheci-o ao largo de S. Miguel durante uma pescaria, peixe muito voraz e com dentuças terríveis. Anchova nunca provei sem ser aqueles pequenos rolinhos muito salgados. Dos restantes não conheço, carta, pata-roxa, cantarolo, sabia, peixe-aranha, valongo e tainha-fataça. Favoritos, carapaus vários, robalos, tamboril.

Um prato que aprecio bastante é uma boa e muito rica caldeirada. Tenho um bom amigo que nisso é também grande perito.

O tema "peixes" recorda-me uma coisa que me dá um prazer, e que é ir ao mercado, à praça, e escolher e comprar peixe, e observar as perícias na preparação dos bichos e as "arengas" das peixeiras e peixeiros, que os há também. "Oh freguês", "fritar ou cozer", "ao sal ", "quer escalado", são várias das expressões daquele ofício.

Mas na nossa língua, dois termos são usados também com outros significados, a saber, "peicheirada" e "caldeirada". Caldeiradas e peicheiradas temos várias na sociedade, particularmente na política, com peicheiradas constantes na AR e em certos debates políticos, e caldeiradas igualmente encontramos por aí em vários sectores da nossa sociedade, e sem nenhuma qualidade.

Creio bem que o nosso país estaria democraticamente bastante melhor se não confundissem tanto práticas parlamentares com falta de educação, com promiscuidades várias, e se houvesse, generalizada, estatura cívica inequívoca. Respeito sempre opinião de outrem mesmo discordando frontalmente, mas é o que penso.

Deixemos essas coisas indigestas, que causam azias, fiquemo-nos por coisas que nos dispõem bem. Bom apetite, bom Sábado, saúde.

António Cabral (AC)

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