domingo, 10 de outubro de 2021

A  CENSURA  

Houve o "lápis azul" no tempo do António das botas e do sucessor Caetano, creio que com nuances ao longo dos anos isto é, anos e anos  houve em que a censura foi duríssima e, em outras poucas ocasiões, ligeiramente condescendente. 
Estou a lembrar-me, por exemplo, que em algumas revistas no Parque Mayer algumas brejeirices tinham por trás leves referências a questões concretas da sociedade portuguesas desse tempo. E passaram.
No presente, um presente que leva já vários anos, quer no nosso País quer em vários países, que a censura se vai tentando impor, através de minorias aguerridas, através de governantes com pele de democratas mas cérebro de déspotas que não gostam de ser contrariados, e através de (POR AGORA) mansos policiamentos das mentes, dos discursos, e das opiniões. Com ortodoxos violentos a escrutinar.
Mas estes democratas da treta, particularmente os que mais nada têm feito na vida do que mamar à conta do orçamento do Estado ou à conta dos negócios com amigalhaços, ou à conta das portas giratórias, ou à conta do nepotismo, preparam-se para dar novos passos. Aliás já deram alguns bem questionáveis, excepto para quem devia olhar de cima mas assobiou para o lado. Tomam-nos por tolos?

Naturalmente, naturalmente para mim, a liberdade de expressão, a liberdade de opinião, a crítica, tudo com claro respaldo constitucional no nosso país, não deve cair no insulto soez, no ataque pessoal descabido, não deve extravasar as normas mínimas que os códigos estabelecem. Mas deve ser-se claro, assertivo, duro, sem paninhos quentes.
Ainda assim, estas coisas têm dias. Para uns quantos protegidos do sistema a história recente demonstra que é possível atentar contra personalidades da vida pública e nada acontecer. 

Um dos exemplos clássicos, Miguel Sousa Tavares ter chamado "palhaço" a Cavaco Silva e isso ter sido considerado perfeitamente normal e natural e dentro das liberdades acima referidas. Potencial insulto = arquive-se. Já na Assembleia da República, se zangado com alguém, só falta prometer lição dura exemplar, ou espero-te lá fora!

Com a história das redes sociais e, na minha opinião naturalmente, com a pouca vergonha dos anonimatos ainda que haja possibilidades técnicas de chegar a autores escumalha, a desbragada linguagem, os insultos etc., em tudo o que é caixas de comentários, aumentaram exponencialmente.
Mas, por outro lado, existem blogues sérios, e através deles se conhecem muitas das pouca vergonhas que grassam no nosso desgraçado País. Por exemplo um que analisa brilhantemente o sistema de justiça. Até pelo (para mim) deplorável CM se conseguem saber coisas as mais das vezes que as "criaturas" se esforçam por esconder dos cidadãos.

Existem também e felizmente jornalistas que eu designo por decentes, que apontam poucas vergonhas, incoerências, colocam a nu muitos políticos e as suas vergonhosas propagandas e inações. Políticos de todas as cores, sem excepção. Mas há muito jornalistas condescendentes e mesmo avençados. Basta ver as nomeações de certos jornais, RTP, Lusa, ou os promotores durante anos de iniciativas do BES e etc.

No passado recente até apareceram os defensores encartados de Mário Centeno, por exemplo. No governo foi uma coisa, o rei das cativações, agora no BdP perora angustiado tipo - vejam lá o que andam a fazer - como se tudo isto tivesse aparecido por geração expontânea.
Não estou a atacar nem as qualidades nem as capacidades nem menos ainda o carácter do professor Centeno. Conjecturo apenas sobre o processo, como muitos processos, sobre as decisões de António Costa, que se irrita contra quem o contraria.

E é exactamente aqui que reside a minha preocupação.
António Costa e outros da sua estirpe (na minha profissão enfrentei casos desses e não verguei por muito elevada que fosse a antiguidade de quem me pretendia amolgar) não gostam nem aceitam ser contrariados. Daí talvez aquela porventura infeliz comparação que em tempos correu por aí, entre ele e a cascavel.
À esquerda, sempre com um mamar doce aparecem estes policiamentos e censuras. Mas à direita existem também uns quantos arautos da censura democrática!!!!

A coberto do discurso do ódio preparam-se para mansamente controlar tudo o que lhes desagrade. 
Lamentavelmente, a esmagadora maioria dos portugueses são de uma bovinidade atroz, e tudo o que se vem passando nos últimos meses e semanas mais uma vez o confirma, "ad nauseum”.
Francisco do CDS, Andrés, Catarinas, Jerónimo, Rio, Costa e Marcelo e "tutti quanti”, e advogados comentadores dizem e fazem o que lhes apetece tentando fazer esquecer o que artigos e fotografias podem sempre lembrar-lhes, e os portugueses na sua esmagadora maioria parecem andar muito mais preocupados ou mesmo apavorados com o que se passa no Benfica e etc. 
Desgraçado Portugal mas, sobretudo, desgraçados de nós cidadãos comuns de coluna vertebral, com um horizonte de vida cada vez mais preocupante.
AC

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