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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

REPETINDO-ME  (de 31/ 12/ 2021)

COMUNICAÇÃO  SOCIAL  ACRÍTICA

ACRÍTICO - que não critica, que não analisa com rigor e profundidade. 

Digo-o, defendo-o, há muito tempo, defendi-o em conversas na vida profissional, na família e com amigos e conhecidos. Escrevo-o aqui no blogue desde há muito.

E o que digo? Que não haverá, NUNCA, uma democracia madura, saudável, um Estado de Direito Democrático real, sem comunicação social livre e independente, uma comunicação social que informe com rigor, factual, uma comunicação social que a par tenha espaços/ colunas de opinião. Uma comunicação social não enfeudada aos poderes financeiros e públicos.

Uma comunicação social onde se suspeita que o Presidente da República tem canais directos para espalhar o que lhe interessa, onde se suspeita que o governo tem nas suas mãos e bem seguros os cordelinhos de várias marionetes, uma comunicação social em que se observa a transferência periódica, calculada, de determinados elementos de agências para outros meios de informação, uma comunicação social em que o escrutínio é o que se observa, uma comunicação social assim talvez não esteja num estado de saúde muito saudável.

Alguns casos. 

Aqui há tempos o "governo geringôncido não formal" espalhou milhões de euros pela comunicação social. 

TODOS os OCS? Claro que não. Chamaram-lhe apoios concedidos pelo Estado à área da comunicação social. E o governo atribuiu às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, nas respectivas áreas geográficas de actuação, as competências nos regimes de incentivo à leitura de publicações periódicas e de incentivos do Estado à comunicação social. Dizem sempre "Estado" que é para não referir que é o governo. O Estado tem costas largas.

Quem recebeu e o quê? Um balúrdio de dinheiro em grande parte na forma de compra de publicidade, disseram. E disseram que era uma medida excepcional e temporária. O que é certo, segundo se leu em 2020 (resolução do Conselho de Ministro de 19 Maio) é  que os donos da SIC e Expresso e TVI e companhia limitada foram os grandes mamões. Mas também receberam, Cofina, Global Media, Público, Trust in News, Megafin, Newsplex etc. Com esta distribuição é legítimo concluir-se o que se quiser, particularmente tendo presente como são noticiadas certas coisas e como, em relação a certos temas e broncas, se passa de raspão.

Olhe-se ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e os diferentes e diversos problemas que são noticiados. Faltam médicos em todo o lado, diz-se. Faltam enfermeiros também em todo o lado. Eu que tenho a mãe num lar verifico o que se passa. Olha-se ao que se passa no hospital de Santa Maria (por exemplo os concursos para medicina interna) e ficamos a pensar. Certamente por inépcia minha apenas encontrei um mapa de recursos humanos deste hospital com elementos de DEZ 2010 a DEZ 2013. 

Que investigação fazem os OCS para lá de noticiarem faltam, faltam, faltam? Porque, ou há incompetência do ministério da saúde, ou das administrações hospitalares, e os mapas estão desactualizados. E, claro, decisivo, a montante, o problema de estatutos da profissão, das profissões, das carreiras, dos vencimentos muito abaixo do que os privados pagam. Além disso, os equipamentos (ou falta deles) e as instalações em muitas unidades de saúde.........

Olhe-se a assuntos militares. Não, não quero perder tempo com a escandalosa substituição do Chefe do Estado-Maior da Armada, telenovela que começou a ser engendrada um pouco antes da pandemia ter explodido. Engendrada por quem se sabe. Mas, a comunicação social passa o tempo a periodicamente divulgar coisas relacionadas com a instituição militar. Por exemplo, acaba de ser divulgada uma decisão aprovada em conselho de ministros relativa a efectivos, o montante global de efectivos para a instituição militar, para 2022 a 2024. E escrevem que esta aprovação é já reflexo das alterações que deram poderes vastos ao Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA). Alguém se preocupa em investigar a relação concreta disto com o CEMGFA? Alguém se pergunta e resolve estudar o assunto, que dimensão devem as Forças Armadas ter? 

Em 11 de Dezembro passado, com uma fotografia do sorridente CEMGFA, o Expresso publicou uma notícia referindo que Marinha, Exército e Força Aérea perdiam pessoal para o EMGFA, para o chefão agora donozinho daquilo tudo. Esta notícia é aliás sintomática do que são a maioria dos OCS, e como tão facilmente passam recados.

O mesmo Expresso (cujo dono foi dos que mais recebeu do governo como ajuda excepcional e temporária) divulgava em 23 de Dezembro que o ministério das defesa nacional iria encaixar 105 milhões de euros com a cedência de sete imóveis e, em consequência, garantindo 21 milhões de € anuais para obras nos três ramos das Forças Armadas, e até 2026. Depois, no fim da notícia, escreveram: até 2026, receberão, 22,4 milhões de euros o EMGFA, 29,5 a Marinha, 45 o Exército, 22,6 a Força Aérea. Não vale a pena continuar a explicar o meu ponto, é lerem e fazerem as contas.

Olhe-se a assuntos de justiça. Não quero falar do Rendeiro, do Ricardo, do Duarte Lima, do Vara, do Vieira, do Pinho, dos mais de dez anos de processos, etc. Os OCS quase sem excepção, bombardeiam-nos com coisas bombásticas, mas quanto a rigor.......Entretêm-se a noticiar, por exemplo, o Ivo Rosa isto e aquilo, mas esquecem-se de explicar com profundidade as vergastadas que o senhor recebe da Relação. Esquecem-se de explicar com rigor onde, em que legislação, o juiz  Carlos Alexandre se escuda para as suas decisões. Gostam mais de o colocar como (quase) um doido varrido.

Há OCS que dão guarida a criaturas que vomitam os maiores dislates, sobre a área da justiça, a área militar, a área financeira, e por aí fora. Mas não lhes fazem as perguntas duras, nada de contraditório. Nem lhes perscrutam o historial, nem procuram perceber quem servem.

Um último exemplo, sobre coisas como os jornalistas deixam sempre passar. Cavaco Silva há poucos dias antes do Natal (Sábado, 22DEZ) defendeu um choque reformista. Depois de ler, voltei a ler, pois admiti ter estado distraído. Disse este ex-PM e ex-PR, ..."se formos capazes de fazer reformas profundas, diria um choque reformista".... (2ª coluna na página 14). A notícia diz, umas linhas abaixo, que Cavaco Silva identificou durante a conversa as reformas que é preciso aplicar. Li e reli as restantes três colunas, NADA, nenhuma reforma foi explicitada. Um artigo para encher chouriços.

Também por isto assim estamos. Oxalá em 2022 alguma coisa nesta área se altere para melhor. A Democracia agradecia.

Antonio Cabral (AC)

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

E R C

No âmbito dos Direitos, liberdades e garantias pessoais (Cap. I do Título II da nossa Constituição), aparecem os Artº, 39º (Regulação da Comunicação Social) e 40º (Direitos de Antena, de resposta e de réplica política).

No 39º está a clara indicação de que haverá uma entidade administrativa INDEPENDENTE a quem caberá assegurar nos meios de comunicação social sete coisas:
a) o direito à informação e a liberdade de imprensa
b) a não concentração da titularidade dos meios de comunicação social
c) a independência perante o poder político e o poder económico
d) o respeito pelos direitos , liberdades  e garantias pessoais
e) o respeito pelas normas reguladoras das actividades de comunicação social
f) a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião
g) o exercício dos direitos de antena, de resposta, e de réplica política.

Ora mesmo sendo eu um ignorante em direito (fui um curioso durante 2 anos, à noite, e não para mudar de profissão) fácil é ver que a par da liberdade de imprensa estas normas constitucionais impõem também respeito pelos direitos dos jornalistas.

Ora basta olhar com atenção para os últimos dez anos da actividade da ERC para com isenção concluir que o desempenho da ERC tem primado por várias coisas muito discutíveis.

Pode começar-se pelos tempos em que a ERC tinha como nº1 Azeredo Lopes e seguir até a casos mais recentes em que decisões de tribunais não são acatadas ou levam muito tempo até o serem.

Mas uma das coisas que mais me impressiona é ver o que está estabelecido em b) supra e olhar depois à realidade contemporânea.

Mas, como sempre, admito estar a ver mal as coisas e designadamente não haver nenhuma concentração nas mãos de um mesmo tipo.

AC

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

SUBSCREVO

. . . . . . . Senhores jornalistas, tenho uma novidade para lhes dar: quem faz da comunicação profissão são os jornalistas, e são avaliados pelos seus leitores, ouvintes ou espectadores, os governos vivem da sua acção, que é avaliada pelos eleitores.

Se Montenegro ganha eleições, Ventura vai tendo boas votações, e a generalidade do jornalismo está à beira da falência, não seria altura de admitirem que quem está verdadeiramente a ser incompetente na sua actividade central (no caso dos jornalistas, comunicar) são mais os jornalistas que os políticos?
(Henrique Pereira dos Santos)

AC

sábado, 14 de dezembro de 2024

PENSO EXACTAMENTE o MESMO

E é por tudo isto que voltaria a escrever, sobre a Lusa, mas sobre quase todo o jornalismo actual que "não confio na leitura que a Lusa faz do que quer que seja", mesmo correndo o risco de estar a ser muito injusto para os jornalistas que fazem o seu trabalho bem feito, cumprindo as regras básicas da profissão, não usando fontes anónimas, recorrendo a fontes primárias de informação, pedindo ajuda para compreender o que lêem em assuntos mais complexos, etc. (HPSantos)

AC

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

COMUNICAÇÃO   SOCIAL

Se percebi correctamente as notícias que por aí circulam, o líder parlamentar do BE atirou-se ao actual PM porque, na opinião do deputado do BE, Luís Montenegro não só atacou a atividade jornalística como convive mal com o escrutínio.

As notícias referem que Luís Montenegro na abertura da conferência sobre "O futuro dos media", em Lisboa, terá afirmado designadamente isto - "Uma das coisas que mais me impressiona hoje, quero dizer-vos aqui olhos nos olhos, é estar com seis ou sete câmaras à minha frente e ter os jornalistas a fazerem-me perguntas sobre determinado acontecimento e ver que a maior parte deles tem um auricular no qual lhe estão a soprar a pergunta que devem fazer. E outros à minha frente pegam no telefone e fazem a pergunta que já estava previamente feita", declarou o primeiro-ministro, acrescentando que os jornalistas "não estão a valorizar a sua própria profissão",

É comum ouvir dizer, é comum ver escrito, que uns têm boa imprensa, outros têm má imprensa.

Respeitando, sempre, a opinião de outrem, concordando ou discordando, a afirmação supra que tanto sai da boca de comentadores como de políticos como de jornalistas, parece legitimar o direito de se questionar a isenção dos jornalistas em geral, sendo certo que, individualmente como cidadãos, têm o mesmo direito do que eu de defenderem o que lhes parece mais adequado.

Mas, lá está, quando se passa os olhos por jornais e revistas e mesmo escutando TV's, pergunto é sempre muito clara a distinção entre, opinar (legitimamente) e haver portanto artigos de opinião, e haver apenas o rigorosa relato noticioso de factos/ acontecimentos/ eventos? Sem interpretações?

Comungo exactamente da mesma opinião dos que consideram que - "o jornalismo tem o dever de informar, pode incomodar intervenientes políticos para cumprir esse dever, tem o dever do escrutínio e isso pode incomodar o poder político".

Sempre considerei e há anos que aqui o escrevi e há muitos mais que o defendo oralmente: não se trata de - pode incomodar - mas sim - tem que incomodar.

Como concordo em absoluto que os jornalistas têm o dever de 
perguntarem o que quiserem em cada momento, escrutinarem os poderes públicos todos, confrontarem todos os titulares de órgãos de soberania, sem excepção. Como também dirigentes / elites.

Sempre detestei, e desde o antigamente pois comecei a vida activa a meio dos anos 60 do século anterior, o respeitinho serôdio porque sim!

Naturalmente, para mim também, em cada momento os jornalistas não devem ser impedidos de fazer o seu trabalho.

É a partir daqui aqui que parcialmente divirjo de muitos.
É por demais evidente e de há muito tempo, que a formação de jornalistas no presente me parece deixar um bocado a desejar. 
Estou enganado?

Eu tenho a noção de que cada vez mais as redações querem estar em cima do acontecimento, competir com os alertas do inarrável (opinião pessoal, naturalmente) CM.
E o que se vê nos diferentes canais noticiosos TV é, muitas vezes, confrangedor (opinião pessoal, naturalmente).

É perfeitamente compreensível com o avanço da tecnologia e com a premência em relatar quase antes de uma coisa ter de facto acontecido, que uma redação (jornais, TV´s) esteja em contacto permanente/ directo com os jornalistas/ repórteres destacados algures.
Não compreender isto releva de mais do que ignorância, burrice.

Mas querer convencer que auriculares servem apenas para isso, para comunicar com a "régie" e facilitar coordenação, releva da habitual postura arrogante inerente aos vários que se têm na conta de moralmente superiores, e que é a de nos considerar burros.

Basta atentar em várias coisas para perceber porque a comunicação social vive período complicado, já há bastante tempo.
Aliás basta recordar e se a memória não me atraiçoa, que a "classe levou 19 anos entre dois eventos/ congressos (creio se chamava assim).
Eloquente do estado da "coisa"!

De cada vez que se é assertivo pimba, carimbo de desrespeitador da classe, e outras coisas do género.

Também na comunicação social coexistem "primas donas várias", muito susceptíveis.
Advogam para os outros mas fica a sensação de que se esquecem que também se lhes aplica, como a todos nós - ouvir e respeitar opiniões diversas e diferentes.
Isto não é um ataque à comunicação social, à classe jornalistas.

Já o escrevi muitas vezes, repito-me: não existirá democracia saudável, equilibrada, decorrente dos normativos constitucionais, sem uma comunicação social livre e independente.

Como dizia o pantanoso, . . . é fazer as contas.

Que alguns queiram amansar a comunicação social, não tenho dúvidas.
Mas não me venham com a treta de que isso é um vírus apenas à direita do PS.
A história destes 50 anos é bem eloquente.

Quanto a serviço público, se não me esquecer, escreverei alguma coisa a propósito destas "maravilhosas" medidas do governo anunciadas para a comunicação social, e particularmente sobre a RTP e o que estão a desenhar para ela.

Serviço público, jornalismo independente, rigoroso, e que pense sempre no quão indispensável é o contraditório. Pensado, estudado, preparado, com educação, mas com assertividade, e em tempo oportuno.

Registei quão eriçados ficaram uns quantos por um dado jornalista ter sido duro e assertivo durante uma entrevista com uma conhecida figura do PS.
Como registei que a entrevista de ontem ao PM foi feita por uma apoiante. Devia ter sido feita exactamente pelo tal jornalista.

Para terminar, vai-me ficando a ideia que este governo liderado por Luís Montenegro percebeu bem melhor do que anteriores governos, que é muito importante a comunicação do governo.
Terão percebido mesmo? Veremos.

Quanto ao que disse sobre os auriculares e telemóveis, se tiver coluna vertebral não dirá mais nada, e que os eriçados conselhos de redação  fiquem com os seus comunicados de ofendidos.

A comunicação social do presente tem de servir-se da tecnologia. PONTO.
Mas não me venham com a treta de que não usam a tecnologia para suprir a fragilidade e algumas vezes incompetência de entrevistadores ou repórteres.

(o caso dos telemóveis, é gritante; o mesmo se passa nos debates parlamentares, é ver membros dos sucessivos governos e os sucessivos deputados, a lerem constantemente o que lhes é enviado)

António Cabral (AC)

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

CURIOSO
Em 28 NOV 2018 publiquei aqui no blogue o texto em baixo.
Não é curioso ver o estado da "coisa" agora que são passados mais de 5 anos, e que o problema está, portanto . . . . . . . . . . !
Pois!

Maria Flor Pedroso admira-se, aparentemente, que estão a faltar as perguntas certas para dar credibilidade ao jornalismo. 
Se calhar há para aí 2 ou 3 décadas, não?

António Cabral (AC)

DEMOCRACIA.  CRP.  Comunicação Social.
POIS É, País rico, bons ordenados, alguém que pague. Negociatas.
O ex-jornalista, o ex(??)-criador de factos políticos, o comentador-mor do reino, está preocupado, e deseja (quer?) acordo de regime a nível da AR pois a comunicação social vive situação de emergência. E não quer que no seu mandato coincida uma desgraça nos OCS nacionais. Ohhhhh !!!!!!!

A emergência vem de onde ?
E querem salvar quem ?
Por exemplo, salvar o buraco da Global Media Group  (DN, JN, TSF, de Proença, Fernandes, Camões e companhia) ?
É só por um problema de conjuntura do mercado dos "media"?
Será que a razão da desgraça que aflige SExa advém apenas dos gigantes tecnológicos ?

É porque as vendas vão caindo ? 
As expectativas basearam-se em quê ?

Parece que em parte se queixam agora de certos actos de gestão sem ponderada avaliação de riscos. Ohhhh, a sério, será ?
E, naturalmente, pedem-se agora, organização de estruturas representativas, eleição de delegados sindicais, comissões de trabalhadores. Voltamos ao costume de antanho ?

Ah, lembro-me agora de outras coisinhas, como por exemplo, entre congressos de jornalistas mediaram quase....................19 anos,............. terá sido ? E que existe a carteira, o sindicato, a ERC, etc !!!
Comecemos pelo princípio.

A CRP aponta para, o estabelecimento de princípios basilares da democracia, o Estado de Direito Democrático, o direito à liberdade e à segurança, a liberdade de expressão e de informação, a liberdade de imprensa e meios de comunicação social.
Olhando concretamente ao Artº 38º - Liberdade de Imprensa e meios de comunicação social - vemos na alínea c) do nº 2 a consagração do direito de fundação de jornais e de quaisquer outras publicações.

Nos números seguintes do mesmo artigo, vê-se que é pretendido conhecer a titularidade e os meios de financiamento dos OCS (acontece?), que o Estado deve assegurar a independência dos OCS perante os poderes políticos e económicos (tal qual acontece, certo?), e impedindo a concentração de empresas do sector (como foi acontecendo, certo?). 

E depois ainda mais umas salvaguardas para os serviços públicos de televisão e rádio (como vem acontecendo, certo?).
E ainda temos outras normas constitucionais, para a regulação, para direitos de antena, liberdades de consciência e etc, de criação cultural, etc.

Isto lembrado, vale a pena reflectir sobre o que vem acontecendo, há décadas.
Negociatas? Nahhhh !!! 
Concentração?  Nahhhhhh !!!
Apontados directores para este e para aquele? Nahhhh !!!
Depois admiram-se.

Artigos de investigação?
Recordação periódica, dos casos, do que os governos e autarquias sucessivos não fazem ?
Depois admiram-se.

Promiscuidade com o poder político, mais os assessores de imprensa que saltam de gabinetes ministeriais ou de gabinetes presidenciais, para OCS e vice-versa?
Depois admiram-se. 

Acordo de regime, no âmbito da AR ? 
E que tal há mais anos terem olhado bem para o que estabelece a CRP e terem actuado ?
NAahhhhhhh !!!
Depois admiram-se

Querem mais uma taxas e impostos para subsidiar os OCS, melhor, os donos, e sobretudo certos donos de OCS? Não se concentraram?

Nós é que temos de vir a pagar "certos actos de gestão sem ponderada avaliação de riscos", como parece que confessam? 

Descarada ausência de vergonha na cara é dizer o mínimo.

Quanto ao Professor Marcelo, talvez colocar umas velinhas em Fátima para que no seu mandato não coincidam mais desgraças, mais emergências.
Será que não vão aparecer mais angústias, como por exemplo resolver os problemas dos clubes de futebol ?
Ou para ajudar o pobre do sr Berardo e outros como ele ?
Que pachorra é precisa para aturar esta gente.
AC

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Do Expresso ONLINE, igual coro da narrativa.
"…..O tema tem suscitado enorme controvérsia. Esta terça-feira, no Público, a procuradora-geral adjunta, Maria José Fernandes, pôs o dedo na ferida, num exercício crítico notável sobre o funcionamento do Ministério Público. “Acontece haver quem entenda a investigação criminal como uma extensão sobre outros poderes, sobretudo os de natureza política. Daí que sejamos surpreendidos, de vez em quando, com buscas cuja utilidade e necessidade é nenhuma”, escreveu. E ironizou: “procuradores que não hesitem em meios de recolha de prova intrusivos, humilhantes, necessários ou não, são o top da competência”. . . . 

Quanto a competências, isenção, nada de manipulação, nada de rigor quanto aos códigos por exemplo, mais um exemplo dos ataques, bem evidente a coordenação. A mesma estratégia. 
Aparentemente, irá haver processo interno contra a sra adjunta.
Teremos aqui uma futura PGR?
Uma coisa me parece evidente, a lista de idiotas úteis é longa.
AC

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Maria Helena Sousa: 
“A verificação dos factos é a tarefa central do jornalismo".

Esta afirmação reconhece o óbvio, lembra o que é/ devia ser regra de ouro.
Qual é a realidade no nosso país?

A leitura de jornais e revistas, por exemplo, mostra-me que a prática geral dos jornalistas não é esta.
Aguardemos para ver qual vai ser a acção desta senhora daqui para a frente.
AC

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

INFORMADOS

Parece-me indiscutível que a vida contemporânea descarrega sobre nós catadupas de informação. Cada vez mais informação, a maioria em bruto.

Mas, quantos dos cidadãos estão realmente bem informados?

AC

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

COMUNICAÇÃO  SOCIAL  ACRÍTICA

ACRÍTICO - que não critica, que não analisa com rigor e profundidade. 

Digo-o, defendo-o, há muito tempo, defendi-o em conversas na vida profissional, na família e com amigos e conhecidos. Escrevo-o aqui no blogue desde há muito.

E o que digo? Que não haverá, NUNCA, uma democracia madura, saudável, um Estado de direito, sem comunicação social livre e independente, uma comunicação social que informe com rigor, factual, uma comunicação social que a par tenha espaços/ colunas de opinião. Uma comunicação social não enfeudada aos poderes públicos.

Uma comunicação social onde se suspeita que o Presidente da República tem canais directos para espalhar o que lhe interessa, onde se suspeita que o governo tem nas suas mãos e bem seguros os cordelinhos de várias marionetes, uma comunicação social em que se observa a transferência periódica, calculada, de determinados elementos de agências para outros meios de informação, uma comunicação social em que o escrutínio é o que se observa, uma comunicação social assim talvez não esteja num estado de saúde muito saudável.

Alguns casos. 

Aqui há tempos o "governo geringôncido não formal" espalhou milhões de euros pela comunicação social. TODOS os OCS? Claro que não. Chamaram-lhe apoios concedidos pelo Estado à área da comunicação social. E o governo atribuiu às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, nas respectivas áreas geográficas de actuação, as competências nos regimes de incentivo à leitura de publicações periódicas e de incentivos do Estado à comunicação social. Dizem sempre "Estado" que é para não referir que é o governo. O Estado tem costas largas.

Quem recebeu e o quê? Um balúrdio de dinheiro em grande parte na forma de compra de publicidade, disseram. E disseram que era uma medida excepcional e temporária. O que é certo, segundo se leu em 2020 (resolução do Conselho de Ministro de 19 Maio) é  que os donos da SIC e Expresso e TVI e companhia limitada foram os grandes mamões. Mas também receberam, Cofina, Global Media, Público, Trust in News, Megafin, Newsplex etc. Com esta distribuição é legítimo concluir-se o que se quiser, particularmente tendo presente como são noticiadas certas coisas e como, em relação a certos temas e broncas, se passa de raspão.

Olhe-se ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e os diferentes e diversos problemas que são noticiados. Faltam médicos em todo o lado, diz-se. Faltam enfermeiros também em todo o lado. Eu que tenho a mãe num lar verifico o que se passa. Olha-se ao que se passa no hospital de Santa Maria (por exemplo os concursos para medicina interna) e ficamos a pensar. Certamente por inépcia minha apenas encontrei um mapa de recursos humanos deste hospital com elementos de DEZ 2010 a DEZ 2013. 

Que investigação fazem os OCS para lá de noticiarem faltam, faltam, faltam? Porque, ou há incompetência do ministério da saúde, ou das administrações hospitalares, e os mapas estão desactualizados. E, claro, decisivo, a montante, o problema de estatutos da profissão, das profissões, das carreiras, dos vencimentos muito abaixo do que os privados pagam. Além disso, os equipamentos (ou falta deles) e as instalações em muitas unidades de saúde.........

Olhe-se a assuntos militares. Não, não quero perder tempo com a escandalosa substituição do Chefe do Estado-Maior da Armada, telenovela que começou a ser engendrada um pouco antes da pandemia ter explodido. Engendrada por quem se sabe. Mas, a comunicação social passa o tempo a periodicamente divulgar coisas relacionadas com a instituição militar. Por exemplo, acaba de ser divulgada uma decisão aprovada em conselho de ministros relativa a efectivos, o montante global de efectivos para a instituição militar, para 2022 a 2024. E escrevem que esta aprovação é já reflexo das alterações que deram poderes vastos ao chefe do estado-maior general das Forças Armadas (CEMGFA). Alguém se preocupa em investigar a relação concreta disto com o CEMGFA? Alguém se pergunta e resolve estudar o assunto, que dimensão devem as Forças Armadas ter? 

Em 11 de Dezembro passado, com uma fotografia do sorridente CEMGFA, o Expresso publicou uma notícia referindo que Marinha, Exército e Força Aérea perdiam pessoal para o EMGFA, para o chefão agora donozinho daquilo tudo. Esta notícia é aliás sintomática do que são a maioria dos OCS, e como tão facilmente passam recados.

O mesmo Expresso (cujo dono foi dos que mais recebeu do governo como ajuda excepcional e temporária) divulgava em 23 de Dezembro que o ministério das defesa nacional iria encaixar 105 milhões de euros com a cedência de sete imóveis e, em consequência, garantindo 21 milhões de € anuais para obras nos três ramos das Forças Armadas, e até 2026. Depois, no fim da notícia, escreveram: até 2026, receberão, 22,4 milhões de euros o EMGFA, 29,5 a Marinha, 45 o Exército, 22,6 a Força Aérea. Não vale a pena continuar a explicar o meu ponto, é lerem e fazerem as contas.

Olhe-se a assuntos de justiça. Não quero falar do Rendeiro, do Ricardo, do Duarte Lima, do Vara, do Vieira, do Pinho, dos mais de dez anos de processos, etc. Os OCS quase sem excepção, bombardeiam-nos com coisas bombásticas, mas quanto a rigor.......Entretêm-se a noticiar, por exemplo, o Ivo Rosa isto e aquilo, mas esquecem-se de explicar com profundidade as vergastadas que o senhor recebe da Relação. Esquecem-se de explicar com rigor onde, em que legislação, o juiz  Carlos Alexandre se escuda para as suas decisões. Gostam mais de o colocar como (quase) um doido varrido.

Há OCS que dão guarida a criaturas que vomitam os maiores dislates, sobre a área da justiça, a área militar, a área financeira, e por aí fora. Mas não lhes fazem as perguntas duras, nada de contraditório. Nem lhes perscrutam o historial, nem procuram perceber quem servem.

Um último exemplo, sobre coisas como os jornalistas deixam sempre passar. Cavaco Silva há poucos dias antes do Natal (Sábado, 22DEZ) defendeu um choque reformista. Depois de ler, voltei a ler, pois admiti ter estado distraído. Disse este ex-PM e ex-PR, ..."se formos capazes de fazer reformas profundas, diria um choque reformista".... (2ª coluna na página 14). A notícia diz, umas linhas abaixo, que Cavaco Silva identificou durante a conversa as reformas que é preciso aplicar. Li e reli as restantes três colunas, NADA, nenhuma reforma foi explicitada. Um artigo para encher chouriços.

Também por isto assim estamos. Oxalá em 2022 alguma coisa nesta área se altere para melhor. A Democracia agradecia.

Antonio Cabral (AC)

domingo, 10 de outubro de 2021

A  CENSURA  ✂

Houve o "lápis azul" no tempo do António das botas e do sucessor Caetano, creio que com nuances ao longo dos anos isto é, anos e anos  houve em que a censura foi duríssima e, em outras poucas ocasiões, ligeiramente condescendente. 
Estou a lembrar-me, por exemplo, que em algumas revistas no Parque Mayer algumas brejeirices tinham por trás leves referências a questões concretas da sociedade portuguesas desse tempo. E passaram.
No presente, um presente que leva já vários anos, quer no nosso País quer em vários países, que a censura se vai tentando impor, através de minorias aguerridas, através de governantes com pele de democratas mas cérebro de déspotas que não gostam de ser contrariados, e através de (POR AGORA) mansos policiamentos das mentes, dos discursos, e das opiniões. Com ortodoxos violentos a escrutinar.
Mas estes democratas da treta, particularmente os que mais nada têm feito na vida do que mamar à conta do orçamento do Estado ou à conta dos negócios com amigalhaços, ou à conta das portas giratórias, ou à conta do nepotismo, preparam-se para dar novos passos. Aliás já deram alguns bem questionáveis, excepto para quem devia olhar de cima mas assobiou para o lado. Tomam-nos por tolos?

Naturalmente, naturalmente para mim, a liberdade de expressão, a liberdade de opinião, a crítica, tudo com claro respaldo constitucional no nosso país, não deve cair no insulto soez, no ataque pessoal descabido, não deve extravasar as normas mínimas que os códigos estabelecem. Mas deve ser-se claro, assertivo, duro, sem paninhos quentes.
Ainda assim, estas coisas têm dias. Para uns quantos protegidos do sistema a história recente demonstra que é possível atentar contra personalidades da vida pública e nada acontecer. 

Um dos exemplos clássicos, Miguel Sousa Tavares ter chamado "palhaço" a Cavaco Silva e isso ter sido considerado perfeitamente normal e natural e dentro das liberdades acima referidas. Potencial insulto = arquive-se. Já na Assembleia da República, se zangado com alguém, só falta prometer lição dura exemplar, ou espero-te lá fora!

Com a história das redes sociais e, na minha opinião naturalmente, com a pouca vergonha dos anonimatos ainda que haja possibilidades técnicas de chegar a autores escumalha, a desbragada linguagem, os insultos etc., em tudo o que é caixas de comentários, aumentaram exponencialmente.
Mas, por outro lado, existem blogues sérios, e através deles se conhecem muitas das pouca vergonhas que grassam no nosso desgraçado País. Por exemplo um que analisa brilhantemente o sistema de justiça. Até pelo (para mim) deplorável CM se conseguem saber coisas as mais das vezes que as "criaturas" se esforçam por esconder dos cidadãos.

Existem também e felizmente jornalistas que eu designo por decentes, que apontam poucas vergonhas, incoerências, colocam a nu muitos políticos e as suas vergonhosas propagandas e inações. Políticos de todas as cores, sem excepção. Mas há muito jornalistas condescendentes e mesmo avençados. Basta ver as nomeações de certos jornais, RTP, Lusa, ou os promotores durante anos de iniciativas do BES e etc.

No passado recente até apareceram os defensores encartados de Mário Centeno, por exemplo. No governo foi uma coisa, o rei das cativações, agora no BdP perora angustiado tipo - vejam lá o que andam a fazer - como se tudo isto tivesse aparecido por geração expontânea.
Não estou a atacar nem as qualidades nem as capacidades nem menos ainda o carácter do professor Centeno. Conjecturo apenas sobre o processo, como muitos processos, sobre as decisões de António Costa, que se irrita contra quem o contraria.

E é exactamente aqui que reside a minha preocupação.
António Costa e outros da sua estirpe (na minha profissão enfrentei casos desses e não verguei por muito elevada que fosse a antiguidade de quem me pretendia amolgar) não gostam nem aceitam ser contrariados. Daí talvez aquela porventura infeliz comparação que em tempos correu por aí, entre ele e a cascavel.
À esquerda, sempre com um mamar doce aparecem estes policiamentos e censuras. Mas à direita existem também uns quantos arautos da censura democrática!!!!

A coberto do discurso do ódio preparam-se para mansamente controlar tudo o que lhes desagrade. 
Lamentavelmente, a esmagadora maioria dos portugueses são de uma bovinidade atroz, e tudo o que se vem passando nos últimos meses e semanas mais uma vez o confirma, "ad nauseum”.
Francisco do CDS, Andrés, Catarinas, Jerónimo, Rio, Costa e Marcelo e "tutti quanti”, e advogados comentadores dizem e fazem o que lhes apetece tentando fazer esquecer o que artigos e fotografias podem sempre lembrar-lhes, e os portugueses na sua esmagadora maioria parecem andar muito mais preocupados ou mesmo apavorados com o que se passa no Benfica e etc. 
Desgraçado Portugal mas, sobretudo, desgraçados de nós cidadãos comuns de coluna vertebral, com um horizonte de vida cada vez mais preocupante.
AC

sábado, 14 de agosto de 2021

14  AGOSTO  1985
É dia do aniversário do Rádio Clube de Monsanto (RCM), na aldeia de Monsanto, na Beira-Baixa.

Nasceu em 1985, uma aventura a que se lançaram dois entusiastas pela rádio e pela comunicação social. Joaquim Manuel da Fonseca, antigo locutor da Rádio Altitude da Guarda e da ex-Emissora Oficial de Timor, e Reinaldo Pedro Ramos Serra, técnico de electricidade.
Começou com um pequeno emissor de frequência modulada, em 8 de Junho desse ano, em regime experimental. As emissões regulares iniciaram-se a 14 de Agosto.

Parabéns à RCM e ao seu principal criador, Joaquim Manuel da Fonseca. Longa vida, e sempre boa saúde adequada à idade.
António Cabral (AC)