Prosseguem as análises nos OCS, prosseguem os jogos de bastidores, prosseguem os comentários diários do papagaio-mor, prosseguem entrevistas.
E, estou convencido, por mais que os políticos e os jornalistas intimamente ligados às empresas de sondagens (coisa que nunca será publicamente deslindada) digam a esmagadora maioria dos portugueses está-se nas tintas para este folhetim dos proto candidatos à corrida presidencial no próximo mês de Janeiro.
Estou certo de que o melhor Presidente que poderemos alguma vez ter será aquele que,
- em primeiro lugar passe muitos meses a reflectir,
- em segundo lugar, que entregue o cartão partidário exactamente antes do seu discurso de candidato, para assim mostrar a isenção com que exercerá o cargo, à semelhança de Mário Soares que foi o recordista da isenção,
- em terceiro lugar, que anuncie a sua candidatura no lugar onde nasceu o que, naturalmente, afasta Gouveia e Melo da corrida pois creio que nasceu em Moçambique,
- em quarto lugar, que no final do discurso de candidatura, subam logo ao palco os familiares directos,
- em quinto lugar, obviamente, e para ser coerente com a entrega do cartão partidário, não deve haver na sala nenhum dirigente político do seu partido quando explicar os porquês da sua candidatura.
Finalmente, será presidente aquele que,
- mais ética tenha sobretudo ética republicana,
- tenha a maior experiência e dimensão política,
- tenha sempre demonstrado grande capacidade para representar Portugal,
- tenha larga mundividência,
- seja um pacifista, um humanista, um multicultural,
- tenha pelo menos feito parte dos revisores da Constituição, que jure a pés juntos defender sempre a Constituição, que garanta que a interpretará a seu modo,
- garanta que falará aos jornalistas todos os dias,
- garanta ir todos os Domingos à missa e que regularmente se sentará numa mesquita e conversará com o líder dos Ismaelitas,
- não seja um homem dos negócios nem lobista,
- não seja membro de nenhuma organização secreta ou muito reservada e,
- OBVIAMENTE, que tenha grande capacidade de captação ao centro mas, também, à extrema esquerda e extrema direita, e não roube comida às pessoas quando se passear por aí.
Se reunir esta meia dúzia de predicados virá a ser um bom presidente da República.
Se não reunir esta meia dúzia de predicados, não virá a ser um bom Presidente da República.
Assinado, "La Palisse"
AC
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