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sexta-feira, 20 de junho de 2025

SUSPEITO, . . . . NATURALMENTE . . . 

“Talvez… Monsanto”: o Portugal sagrado e profano de Ruy Belo e Ricardo Pais
No ano em que cumpre 80 anos, o encenador revisita as hierofanias de um país misterioso, numa comoção onde ressoam os séculos, mas não o nacionalismo.

A ecletíssima Luísa Cruz é a figura central de Monsanto, desdobrando-se em voz poética, adufeira, fadista, cantadeira, mulher sacrificial e mensageira dos deuses, sacerdotisa, fantasma

Quem chega a Monsanto, aldeia granítica da Beira-Baixa, fruto de misteriosos humores tectónicos ali no meio da planície, conhece o assombro provocado pela visão daquela nave de pedra, o cérebro estremece com imagens dos Altas carregando aquela forma em eras remotas, animais fantásticos, deuses intempestivos, lendas, medos. Memórias que sobrevivem em formas espantosas, como as vozes das mulheres que cantam litanias, orações e salmos, adufes orgiásticos como que chamando a guerra ou as festas dionisíacas, bosques estivais onde correm faunos e bacantes ou meninas com os seus segredos de “mato fechado”, como se ali se guardasse a infância mítica da humanidade antes da queda.

É aqui, a Monsanto, que regressa Ricardo Pais, para uma peça de teatro vivo, erguido sobre a poesia de Ruy Belo, do fado, do cancioneiro popular de Lopes Graça e Giacometti cantado por mulheres sem idade. Talvez… Monsanto, estreado em 2020 no Teatro Nacional de São João, aterra esta quinta-feira, no CCB, em Lisboa, onde fica até domingo
.

Naturalmente, eu sou mais que suspeito neste assunto.

Porquê?

1º - Porque sou de Monsanto (pelo coração, desde Novembro de 1969)
2º - Porque à aldeia de Monsanto estou ligado pelo coração, pois a minha mulher lá tem raízes, lá nasceu o avô materno, médico
3º - Porque lá vou há décadas, porque lá passei muitas férias na casa da minha sogra
4º - Porque há 25 anos tenho/temos casa própria, uma das únicas duas ou três que não está pegada a outra, bem dentro do casco velho da aldeia
5º - Porque adoro o interior e a Beira-Baixa, algumas das raízes nacionais
6º - Porque adoro teatro, sempre me interessei por cultura
7º - Porque nas poucas adufeiras que ainda existem, uma delas porventura a sua grande dinamizadora desde há décadas, é minha vizinha na casa da aldeia.

É no CCB, depois de actuação no Porto.
Temos bilhete comprado o ano passado.
Lá estaremos no Sábado, 21 de Junho.

António Cabral (AC)

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

ROBLES  ESTREIA-SE  COMO  ACTOR
Não, não é esse artista em que estão a pensar.
Robles Monteiro estreou-se como actor em 27 de Dezembro de 1913, no teatro D. Amélia, Lisboa, na peça " A Caixeirinha".
AC

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A QUESTÃO ASSÉDIO
Reparei nas notícias que houve uma festa ligada ás coisas do cinema onde compareceram actrizes vestidas de negro. Como forma de protesto, se bem percebi. Uma, pelo menos, de vermelho bem vivo recusou, ... e deu muito nas vistas!!.
Há tempos li um artigo de opinião, no JN, da responsabilidade de João Gonçalves, que reproduzo:

>> As "artes e espectáculos" mundiais, com epicentro fatal nos EUA, têm estado a ser tomadas de assalto por aquilo que apelido de assédio retroactivo. É um tema recorrente no espaço público, político ou não, agravado pela rápida disseminação através das redes sociais. Uma frase deixada cair no Twitter é o bastante para atear um incêndio mediático de proporções incalculáveis. A sugestão de uma mão descaída a roçar um braço, um pénis ou um seio, ainda no século XX, tem força imediata de acto "impróprio", mesmo que na altura não houvesse um murmúrio, uma queixa ou, mesmo, uma mão descaída. O cumprimento vulgar e surpreendido pela beleza circunstancial pode ser relevado como insulto. A troca de fotografias ou de filmagens "em tempo real", ditas ousadas, através das mais distintas plataformas tecnológicas, não preocupava excessivamente a opinião pública porque se tratava, salvo no crime de pedofilia, de matéria privada: dos filhos e das filhas adolescentes, deles e delas, deles e delas com outros. Algumas das "neo-vítimas" que participaram nestes jogos - alguns de poder, é certo, mas alguns destes também consentidos anos a fio até porque a subserviência à autoridade para obter favores é uma velha história, como lembra Camille Paglia - entretanto descobriram-se enojadas e vá de arruinar, sem contemplações, a vida pessoal e profissional de uma data de gente. Cá tenta-se imitar esta deriva puritana e hipócrita em pequenino. Pessoas que se imaginam subtis, porque aparecem muito sem saber dar uma para a caixa, "queixam-se" em abstracto do nada que não lhes acontece. Umas porque se supõe femininas retardadas, outras porque são simplesmente parvas. Como quase tudo o que chega a Portugal, talvez a "inveja do pénis", estudada por Freud, só agora, já morta e enterrada, emergiu nestas pobres cabeças pequeno-burguesas. "As mulheres, tanto como os homens, têm a obrigação de preservar a sua dignidade humana, sem recurso a tribunais a posteriori", escreveu Paglia. Por outras palavras, "rectidão e auto-respeito" em vez de "humilhações" artificiais e oportunistas. Sabe-se como isto começou, todavia ignora-se como vai acabar numa sociedade que desaprendeu a viver com medo e que teme tudo. Assim sendo, justifica-se terminar com uma pergunta-resposta de Camille Paglia, tirada do livro "Vampes & Vadias". "Qual seria o meu conselho para os sexos? Eu diria para os homens: Mantenham-no teso! E para as mulheres diria: Lidem com isso!"<<

Tudo isto me tem feito meditar. 
Ainda por cima dizem por aí que 100 mulheres, a maioria francesas, assinaram uma carta a dizer coisas ao contrário das de negro.
Continuo com dúvidas.
AC

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

REI MARCELO I, o dos instrumentos todos
Declaração de interesses: sempre fui pouco ao teatro, porque, sobretudo depois do 25 de Abril, a par de (para mim) bons actores com boa dicção e sem berrar, apareceu muita gente com manhas de actor. Só estive uma vez na Cornucópia, vi no passado duas revistas, mais recentemente vi uma peça que achei sensacional com Miguel Guilherme e outros (O senhor Puntilla e o seu criado, belissimamente encenado/produzido por João Lourenço), lembro-me de ver bom teatro no início da TV, a preto e branco.
O Presidente da República, em quem votei, e sobre quem aqui já escrevi várias vezes, afirmando do que gostei, e do que vem desgostando, tem uma pedalada enorme. As assessorias em Belém devem andar esfalfadas.
O PR faz parte de uma "equipa", e que é o nosso regime, integra como actual titular os órgãos de soberania a saber, PR, AR, Governo, Tribunais, por outras palavras. Se um estica muito dá asneira. Como no passado periodicamente aconteceu, por razões muitos diversas e diferentes.
Vem isto a propósito da patética correria de Marcelo à Cornucópia.
É conhecido que o actual inquilino do Palácio de Belém vive em Cascais há anos, conhece inúmeras pessoas, preocupa-se com o estado de saúde dos seus semelhantes (a Maria João pode testemunhar isso), provavelmente viu peças de teatro lideradas por Luís Miguel Cintra, talvez até seja seu amigo.  Marcelo sobressaltou-se com o anúncio sobre o fecho da Cornucópia, saltou da cadeira e, qual homem aranha, daí a pouco estava em Cascais. Deve lá ter chegado antes da Casa Civil ter tido tempo de alertar alguém no governo e o ajudante de campo foi sempre a correr pela marginal pois não conseguiu apanhar o carro em andamento. O PR fez bem, fez mal?
No plano formal fez um disparate tremendo, monumental, e contradiz tudo o que publicamente já disse mais de uma vez e muito bem, que os recados e chamadas de atenção ao governo são olhos nos olhos com o PM sem vir a público. 
Interdependências e separação de poderes, coisa que um professor de direito deve saber de cor e salteado. Para mais sendo PR.
É o problema dos afectos em excesso? O Presidente da República teve um comportamento a roçar o saloio, e a meter uma cunha patética com divulgação pública. Criou um grave precedente. 
Acho que o que se passou é inaceitável, foi a meu ver uma primeira enorme borrada.
Que o governo, mansamente, vai devolver com luva de pelica branca, pois não deverá haver nenhuma excepção, e a Cornucópia irá mesmo ás urtigas. Aliás, segundo parece, os próprios donos da Cornucópia parece que não apreciaram uma tão má encenação.
Não "abia nexexidade, carago", como diria o outro.
AC

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Boa tarde a todos.
Está SOOOOLLLLLLLLLL!
Fim de semana passado para esquecer.
Consultas médicas da família para avaliar o estado dos "esqueletos", fim de sexta-feira com dolorosa missa de 7º dia, e sempre muita chuva. Mas agora está Sol. Amanhã parece que volta o aborrecimento meteorológico.
Não há bela sem senão. Fechado em casa, deu para ler bastante, ter umas conversas mais desgastantes, ponderar sobre a vida, e confirmar que não há nada como viver um dia de cada vez.
Noite de Sábado foi excelente. Confirmámos que no mundo do teatro português existe pelo menos UM GRANDE SENHOR. Já o tinha visto, por exemplo, anos atrás, no Teatro Aberto. Um grande, um senhor, um profissional sério, que muito nos fez rir. UM ACTOR.
Como há Sol, deixo-vos uma fotografia tirada em dia de muito Sol, apanhando uma garça real, e o espelhado/ prateado do lodaçal do sapal.
AC