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domingo, 2 de março de 2025

HISTORIETAS  e  PONTUAÇÃO

Historieta do tempo do Estado Novo.

Anos 50/ 60 do século passado, num conhecido café do Rossio, um cidadão comum escreve num papel e ao mesmo tempo em voz bem audível para todos no café vai repetindo o que escreve- Morte a Salazar não faz falta!

No exacto momento em que está a terminar de escrever a última palavra no papel e berrá-la alto e bom som, sente uma mão pesada no ombro ao mesmo tempo que ouve - ESTÁ PRESO!

- Preso, eu, porquê ?

- Preso pelo que acaba de dizer e vejo que está aí escrito nesse papel!

- Oiça, eu estava a acabar a frase e o senhor é que nem me deixou colocar a pontuação, ora repare:

- Morte a Salazar ? Não ! Faz falta.

AC

terça-feira, 22 de março de 2022

DO   RIGOR   HISTÓRICO

Estamos em democracia, no regime onde gosto de viver.

Algumas vezes, infelizmente, mais me parece uma democracia quase só formal, bastando atentar a várias partes do articulado do texto da Constituição da República Portuguesa (CRP) e comparar com o que na realidade se vai passando na sociedade.

Estamos perto de ultrapassar os 48 anos de tempo decorrido desde a queda da I República. O regime anterior que sucedeu à I República, dizem alguns, e eu também, foi de ditadura.
Como sempre, respeito todas as opiniões, mas a minha é diferente de algumas outras no que respeita a rigor histórico. 
Para mim, o Estado Novo criado por Salazar durou basicamente 41 anos e foi antecedido por uma ditadura militar na qual, na fase final, Salazar foi tendo influência determinante.

Na realidade, o regime interrompido em 25 de Abril de 1974 com a revolta militar teve fazes distintas.

Há historiadores que divergem na precisão de datas, para definir o período da "ditadura militar" e para definir quando começa o "Estado Novo". 

Para alguns, chegam a contar o período do Estado Novo desde o golpe militar de 28 de Maio de 1926, data a partir da qual foi imposta por alguns anos uma forte ditadura militar. 

Mas, para mim, o Estado Novo é/ foi o regime idealizado e 100% concretizado por Oliveira Salazar e seguidores. Com algumas variações, Portugal teve etapas com diferenças entre 26 de Maio de 1926 e 25 de Abril de 1974 mas, obviamente, foram anos ditatoriais.

Creio rigorosas as datas seguintes:

> 28 MAI 1926 - Início da ditadura militar
> MARÇO 1928 - Portugal recusa as condições técnicas que a Sociedade das Nações impunha para conceder apoio financeiro ao país
> 27 ABR 1928 - Salazar é ministro das Finanças
> 28 MAI 1932 - Imprensa diária publica o projecto de nova Constituição
> 28 JUN 1932 - é oficialmente conhecido o nome de Salazar para chefe do novo executivo
> 05 JUL 1932 - o novo gabinete chefiado por Salazar fica constituído, e não inclui qualquer militar
> 19 Mar 1933 - projecto da nova Constituição submetido a plebiscito
> 11 ABR 1933 - publicação oficial do resultado do plebiscito/ escrutínio. 

Para mim, 11ABR1933 é a data que formalmente marca o início do Estado Novo, sendo certo que em 5 de Julho de 1932, o primeiro executivo de Salazar salvo erro chamado "dos professores" excluiu qualquer militar. Salazar passou a mandar COMPLETAMENTE.

Face a estas datas temos assim 4 contas para gostos distintos :

- 41 anos (e uns dias) de Estado Novo (25 ABR 1974 - 11 ABR 1933 = 41); é o que eu considero.

- 42 anos (menos 2 meses e pouco) de Estado Novo (25 ABR1974 - 5 JUL 1932 = 42) pois com a constituição e anúncio do novo executivo chefiado por Salazar ficou claro que nesse 5 de Jul começou uma nova era, na qual o tempo dos militares tomarem decisões acabou; passaram a decidir não os militares, mas o Presidente da República e o governo por ele nomeado, Salazar a mandar completamente.

- 46 anos (menos uns dias) de Estado Novo para os que querem considerar que assim é desde que Salazar entrou para ministro das Finanças (25 ABR 1974 - 27 ABR 1928 = 46)

- 48 anos (menos uns dias) de Estado Novo para todos os politicamente correctos e radicais para quem deve ter sido Salazar que derrubou a inefável I República (25 ABR 1974 - 28 MAI 1926 = 48)

Conhece-se o resto, o Salazarismo puro e duro e o Marcelismo com ar de Primavera mas apenas nos primeiros meses. Felizmente, está lá para trás.

AC

domingo, 17 de maio de 2020

RELAÇÕES INTERNACIONAIS
ONU. PORTUGAL. ESTADO NOVO
Em 26 de Junho de 1945, em S.Francisco, EUA, 50 países assinaram a carta das Nações Unidas, carta que viria a ser ratificada em 24 de Outubro seguinte.
Portugal não esteve nesse grupo de países, apesar de terem sido desenvolvidos esforços diplomáticos pelo Estado Novo para que isso viesse a ser possível. Não foi.
Portugal apenas foi admitido na ONU em Dezembro de 1955 ou seja, 10 anos após o fim da guerra, a IIGG.
Um período de dez anos que, neste plano das relações internacionais e da diplomacia, é um dos períodos mais interessantes da nossa história mais recente.
Sabe-se que o Estado Novo fez um pedido de admissão em 2 de Agosto de 1946, mas ainda que EUA, UK, França, Holanda entre outros países tivessem apoiado Portugal, o veto da então URSS impediu a admissão /entrada na ONU.
Muito superficialmente, para a sua decisão, a URSS terá provavelmente tido em conta o papel de estranha neutralidade (!?!?!?) de Portugal durante a IIGG, a evidente inclinação para o lado da Alemanha durante as fases iniciais do conflito, a ausência de relações diplomáticas com a URSS e, naturalmente, terão sido decisivos para esse veto a acção e influência junto de Moscovo por parte de  alguns elementos dos vários partidos e tendências agrupados no Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Obviamente que o clima cada vez mais frio da "guerra fria" acabou por vir ajudar o Estado Novo a entrar finalmente na ONU em 1955.
É um período extremamente interessante de se estudar.
AC

domingo, 8 de setembro de 2019

A PROPÓSITO DE RIGOR
A propósito de rigor, o assassinato do general Humberto Delgado. 
Li num conhecido blogue uma recordação acerca do assassinato do general.
Salvo melhor opinião, é mais uma das muitas coisas da nossa história contemporânea que me parece continuar envolta em algumas imprecisões, com algumas nebulosas.
Como se costuma dizer, "não tenho estudos como muitos, designadamente como o autor do post", para ter certezas absolutas.
Ainda assim, iniludíveis para mim os seguintes aspectos:
> o senhor foi assassinado, pois julgo que foram feitos exames inequívocos sobre a identidade dos corpos
> a sinistra PIDE teve as mãos metidas no assunto, não até aos cotovelos mas, creio bem, até aos ombros.

Agora, sendo para mim certo como água, que Salazar não era menino de coro, nem santo, mas talvez também não fosse um verdadeiro Hitler, teve a responsabilidade primeira porque era o chefão; mas ficaram-me até hoje algumas dúvidas sobre determinadas fases do regime Estado Novo.
No caso Delgado, por exemplo:
> Salazar temia-o, a sério, como adversário político?
> Dois anos antes do seu assassinato, Delgado valia alguma coisa politicamente, a sério?
> Ou o seu valor estava ardilosamente empolado por certos sectores oposicionistas a Salazar? Delgado foi um joguete e nem se apercebia, dado o seu ego como alguns argumentaram?
> Salazar é o responsável primeiro mas, a sério, ele queria Delgado morto, mandou que o assassinassem o mais depressa possível?

Para o autor da recordação, ter dúvidas e pensar que nem tudo está claro ou que está mal contado, é logo teoria da conspiração.
É com ele.
Eu só gostava de rigor.
Mal comparado isto faz-me lembrar esta história recente do uso das fotografias de Marcelo pelos "sucialistas" de Coimbra; só falta virem dizer-me que Costa mandou usar as fotografias.
Poderá ter acontecido com Delgado excesso de zelo por parte dos estupores e criminosos da PIDE? Eu acredito que tinham ordens para a execução, mas de quem, ao certo?
Nunca saberemos.
E, assim, teremos uns quantos a dizer coisas a favor e outros coisas contra, e a construir-se vacas sagradas de todos os lados das barricadas. E alguns donos do politicamente correcto e da verdade  absoluta e que só bebem do fino logo a levantar o labéu da teoria da conspiração.
Por mim gostava de saber a verdade, acredito pouco em certas historietas mal compostas.
De 1928 até 1974 não foi tudo mal feito em Portugal.
Uma dúvida não tenho, Salazar foi um grande safado. 
AC

segunda-feira, 23 de outubro de 2017


MILITARES e os CARGOS POLÍTICOS ou afins
Durante o período de vigência de Oliveira Salazar, o então chamado Presidente do Conselho teve para com os militares não paixões como alguns políticos de agora e o actual PM em particular gostam de exaltar (o PM até tem como sagrada a palavra do CEMGFA), mas teve sim fases de maior ou menor aproximação.
Como bem refere um muito bom investigador e conhecedor do assunto (Cor ref. David Martelo),  - "militares afastados da política, o certo é que nunca deixou de ceder, neste princípio, a favor de um outro que julgava igualmente importante: era preciso que as Forças Armadas tivessem a ilusão de que partilhavam o poder e de que beneficiavam dele"
E é da nossa história que vários oficiais do Exército e da Armada ocuparam alguns lugares de relevo na vida pública de então, normalmente os mais fiéis. Humberto Delgado também serviu o poder de antanho.
Mas também houve algumas prendas para os menos fiéis, muito raramente. Para sugerir abertura.
É da nossa história passada a ocupação por alguns militares dos cargos de Governadores Civis em distritos no Continente Açores e Madeira e os de Governadores nas nossas antigas possessões em África e Ásia. 
Lembrei-me disto ao verificar certas nomeações mais recentes e o conselho de ministros deste Sábado passado.
Posso estar enganado mas, como tem acontecido, creio que vários se convencem que partilham algum poder quando estão em certos poleiros. Coitados.
Mas isto também  me assaltou por ler tanto disparate (acho eu) sobre quem deve ir para a estrutura da moribunda ANPC.
Aliás estava lá um coronel. Os rosáceos resultados são conhecidos.
AC

domingo, 28 de maio de 2017

28 de MAIO
28 de Maio, mas de 1926, é uma data da nossa história que marca uma etapa particular. Arrancou em Braga, nessa altura, um movimento militar que esteve na origem do posterior alicerçar do Estado Novo. Depois de muitas coisas acontecidas, Oliveira Salazar  viria a ser ministro das finanças e particularmente após 1931 sedimentou o seu poder. 
Poder que caiu da cadeira, poder que ainda estrebuchou mais uns anos com Marcelo Caetano e Américo Tomás.
Mas 28 de Maio é um dia para mim muito especial porque a minha querida amiga Becas faz anos.
As minhas maiores amigas são, as minhas queridas mãe (daqui a dias 92), mulher, filha e nora.
A Becas vem logo no grupo a seguir, com grande destaque.
AC