sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

"É só através de nós que caminhamos"

"Minha alma procura-me mas eu ando a monte"

"Deixa, da tua voz, só o silêncio anterior"

(Fernando Pessoa)

Reproduzo um texto antigo, de 19MAR2025, de um Capitão de Abril, o infelizmente já falecido Coronel de Matos Gomes.
António Cabral (AC)

No final, reproduzo a capa do livro que tenho e é referido neste excelente (opinião pessoal naturalmente) artigo de opinião.

Na realidade parece-me que a estratégia americana está diferente, embora me pareça que os EUA continuam a jogar na Europa entre o desprezo o insulto e a olhar mais para a Polónia do que para a  Alemanha. 
E sobre a Ucrânia, ainda que o jogo pareça com matizes
diferentes, lá no fundo creio que permanece o mesmo objectivo então delineado por Brzezinski.

AC

Cegueira Deliberada

Está a decorrer uma alteração radical da estratégia americana para a redefinição dos centros de poder mundial que estava em vigor desde os anos 80 do século passado. Esta estratégia foi gizada por Zbigniew Brzezinski, conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos durante a presidência de Jimmy Carter, entre 1977 e 1981 e que ele publicou numa uma obra hoje clássica: «Grand Chessboard — American Primacy and Its Geostrategic Imperatives», que marcou a estratégia americana até à administração Biden.

Esta estratégia assentava no conceito de hegemonia americana, no cerco ofensivo contra a URSS, o inimigo principal e na importância decisiva do que ele designou «Eurásia» e que corresponde grosso modo à Ucrânia. Para o desenvolvimento dessa estratégia os EUA necessitavam da Europa como base de retaguarda ou de ataque.

A nova administração Trump abandonou esta conceção do mundo típica da Guerra Fria, e passou a definir a sua estratégia de acordo com as novas realidades fruto da emergência de novos poderes e da decadência de outras, da globalização das tecnologias de ponta e do seu desenvolvimento exponencial e da disputa pelas zonas das matérias primais de alto valor. Neste redesenho, que está a ocorrer, a Ucrânia é uma peça do xadrez que perdeu o valor que lhe tinha vindo a ser atribuído, tal como a Europa.

Perante as transformações, os dirigentes europeus e os seus produtores e distribuidores de opinião encontraram-se (e encontram-se) na situação dos cães abandonados pelos caçadores após o final da época de caça e que vagueiam perdidos, reunindo-se em alcateias que procuram sobreviver. Continuam no passado. A esta atitude de recusa de “ler” uma situação nova foi dado o nome de teoria da cegueira deliberada, importada do direito anglo-saxónico da Common Law, da Inglaterra e dos Estados Unidos da América. A teoria serve como fundamento para explicar a atitude dos que se colocam em situação de ignorância com a finalidade de obter uma vantagem ou para a manter.

A utilização da teoria da cegueira deliberada para analisar as atitudes, decisões e até comportamentos erráticos por parte de políticos e de produtores de opinião coloca a velha questão do conflito entre a ética e a ciência. Os produtores europeus de opinião — titulados nos rodapés dos ecrãs das TV de especialistas em ciência política, estratégia, relações internacionais, defesa, refletem o atarantamento dos políticos, que abdicaram da ética na sua ação política e recusam a analisar a realidade segundo princípios de rigor científico.

O rigor científico conduz ao respeito pelas causas do conflito, as longínquas, com origem nos objetivos estratégicos dos Estados Unidos dos anos 80 de utilizar a Ucrânia como base de ataque e como ameaça à Rússia, recuperando o seu papel histórico de corredor ou eixo para atingir Moscovo, de, através da Ucrânia, provocar a intervenção da Rússia numa guerra com o objetivo de a “sangrar”. Como causa próxima os Estados Unidos utilizaram grupos nacionalistas/nazis contra as populações russófobas do Donbass e o clássico processo de desestabilização política que culminou com os incidentes da Praça Maidan (2014) e a substituição do presidente Yanukovich, que por sua vez motivou a ocupação da Crimeia pela Rússia. A história e os processos são conhecidos.

Desde os anos 80 à administração Biden, durante quarenta anos, os dirigentes europeus adotaram a estratégia dos Estados Unidos e serviram de seus agentes auxiliares. Os seus produtores de opinião adaptaram a narrativa da guerra fria do perigo russo, da invasão russa e de a Europa ser uma pedra essencial ao objetivo dos Estados Unidos de vencerem a Rússia colocando-lhe bases de misseis na sua fronteira.

A estratégia de Trump derrubou as pedras que durante quarenta anos americanos e europeus haviam colocado no seu tabuleiro de jogo de poder. Para Trump o primeiro objetivo estratégico é fortalecer a economia americana, ganhar músculo, re-industrializar, competir pelas tecnologias de ponta e ganhar essa competição à China. A Europa é, nas palavras de Trump, um sugador, um parasita que compra pouco aos EUA e lhes vende muito e caro e que, em termos estratégicos é completamente dependente, um custo. Na perspectiva dos estrategas de Trump, a Ucrânia é uma inutilidade como elemento de interesse militar e tem valor apenas como fonte de matérias-primas. Para a administração Trump a Europa é um perturbador da sua estratégia: alguns dos seus dirigentes mais excitados pretendem ter um papel e podem tomar decisões que os EUA não controlam. São os/as irresponsáveis que podem atirar uma pedra e partir uma vidraça.

Para a Rússia o valor da Ucrânia aumenta dia a dia e tanto mais quanto a Rússia não se mexer e deixar as despesas de resolução aos EUA. Nem aos aos EUA nem à Rússia interessa uma Ucrânia armada, soberana, de território inviolável, membro de duas organizações desconsideradas pela Rússia e pelos EUA, a U E e a NATO, porque para ambos nenhum regime ucraniano merece confiança e é fiável.

O regime pós Zelenski será uma união da fações corruptas que conduziram a Ucrânia à guerra, e será um sorvedouro de fundos e um promotor de conflitualidade que é sempre má para os negócios. Resta o rearmamento da Europa à voz de vêm ai os russos que enfraquecerá a Europa, porque nem os russos estão interessados em atacar este “asilo”, nem a Europa mesmo com armamentos e fardamentos novos chegará a Moscovo e ultrapassará o campo de minas da Ucrânia. O rearmamento da Europa, ao enfraquecê-la no que ela tem de específico, o estado social, é vantajoso tanto para os EUA como para a Rússia. Os dirigentes da U E andam excitadíssimos com estes tiros nos pés!

Os russos conhecem a história dos rearmamentos da Europa. Significa rearmamento da Alemanha, rearmamento da França e desenvolvimento da Armada Britânica. O rearmamento da Europa deu sempre origem a uma guerra civil europeia. A versão ano dois mil do rearmamento da Europa resultará em aumento das despesas militares, diminuição dos apoios sociais, descontentamento, enfraquecimento da já frágil identidade europeia, que deixará de ser um anão militar para passar a ser um anão económico e social.

A saída clássica do dilema entre a resposta à conflitualidade social e a utilização da força armada onde os europeus foram, ou vão ser obrigados a injetar 800 mil milhões é: vamos para a guerra! Foi assim na Grande Guerra e na II Guerra. Resta saber se essa guerra será entre a Alemanha e a França, porque estas duas potências são mais para se guerrear do que para se aliar.

Numa pequena nota: Em tempo de conflito, a Europa, mesmo em economia de guerra, não tem possibilidade de repor em tempo útil as perdas do seu potencial de combate numa guerra de atrito com a Rússia. A dificuldade de substituição de stocks é uma das lições da guerra da Ucrânia.

Penso ter sido Karl Popper que os dirigentes políticos e os seus pregadores tratam os cidadãos como “Baldes mentais”. Isto para não dizer outra coisa. Não acredito na cegueira deliberada dos funcionários superiores de Bruxelas, os da UE e os da NATO.

porco.jpg

(Imagem roubada)

Exemplificativo de muita coisa, cá dentro e lá fora.

AC

13  FEVEREIRO  2026
DIA MUNDIAL DA RÁDIO
> 1633 - Inquisição prende Galileu
> 1668 - Assinatura do Tratado de Lisboa, pondo fim à Guerra da Restauração
> 1906 - Nasce Agostinho da Silva
> 1919 - Termina o movimento insurrecional "Monarquia do Norte"
> 1945 - Bombardeamentos aéreos sucessivos sobre Dresden
> 1965 - Humberto Delgado é assassinado
> 2000 - Publicada pela última vez em jornal a tira de banda desenhada Charlie Brown
AC 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

LEMBREI-ME DISTO OUTRA VEZ. 

"o peido que esta senhora deu, não foi ela, fui eu!"

PORQUE me terei lembrado disto nesta noite chuvosa ?

AC 
SEGURO . . . . . . ELEITO  PRESIDENTE, 
Oh Costa. . . . . Há Que Engolir Um Sapo
AC
ENERGIA e LINHAS de ALTA TENSÃO
Tenho por hábito ler tudo o que alcanço.
Quanto a jornais e revistas nacionais e internacionais tenho por hábito ir reler bastante mais tarde certos textos. 

No Expresso de 2 de Janeiro passado foi publicada uma entrevista a Rodrigo Costa, há mais de dez anos o presidente executivo da REN (Redes Energéticas Nacionais).
Dona portanto das torres de diferentes tamanhos e alturas que sustentam as linhas de alta tensão de distribuição de energia em Portugal.

Interessou-me, e retive, sobretudo o seguinte:
- uma preocupação quanto aos pedidos pendentes de ligação à rede;

- uma previsão de construção de mais 430 Km de linhas de alta tensão, tendo em 2025 sido construídos 250 Km;

- a REN não tem no presente qualquer dificuldade financeira, nem dificuldades em termos de recursos humanos;

- registam-se grandes obstáculos por parte de autarquias relativamente à implantação de torres;

- é acima da REN, governo e regulador, que são definidas as necessárias contrapartidas às autarquias no âmbito do processo de implantação de torres.

Retive ainda a seguinte verdade de La Palisse: "não podemos querer ter electricidade em alguns locais sem que as linhas passem pela propriedade de alguém.

Bem, mas isso é esquecer o que são muitos portugueses e designadamente muitos dos formalmente chamados responsáveis. Querem bons telemóveis por exemplo, mas que a exploração do lítio seja feita fora da sua autarquia, fora do seu quintal.

É esquecer que muitas vezes o fito dos formalmente chamados responsáveis é agradar, é cativar populações, e garantir assim mais mandatos
Racionalidade, fazer o que deve ser feito, impedir ilegalidades, isso é que não.

Bom dia, tenham uma boa 5ª feira
Saúde e boa sorte

AC

 "TENHO UMA INDIGESTÃO NA ALMA"

"GOSTO DE DIZER. DIREI MELHOR: GOSTO DE PALAVRAR"

" NO BAILE DE MÁSCARAS QUE VIVEMOS, BASTA-NOS A INTUIÇÃO DO TRAJE, QUE NO BAILE É TUDO"

(Fernando Pessoa)


AC

12  FEVEREIRO  2026
> 1502 - Vasco da Gama parte para a Índia pela 2ª vez
> 1809 - Nasce Abraham Lincoln
> 1809 - Nasce Charles Darwin
> 1912 - China, deposta a última dinastia imperial
> 1924 - EUA, Nova Iorque, apresentação pública da "Rhapsody in Blue" de George Gershwin que tocou ao piano
> 1974 - Criada a DECO, Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores
> 1999 - EUA, Bill Clinton livrou-se do "Impeachment"
> 2002 - Faleceu José Travassos
> 2021 - Faleceu Joel Pina
AC

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

NÃO  PASSAMOS  DISTO 
O título é a propósito de António José Seguro, Presidente eleito.

Li há dias num jornal de escassa tiragem, um artigo de opinião de alguém que começava a sua opinião por afirmar - conheço António José Seguro desde os 18 anos

Escreveu - o Tozé era já então um líder. . . . distante do radicalismo ideológico com que hoje, no espaço público, alguns insistem em catalogar o "socialismo " do PS . . . . nunca vi em António José Seguro qualquer cedência de carácter ou desvio de princípios . . . . . não creio que que a sua candidatura à Presidência da República seja um ajuste de contas com o passado ou uma resposta a detractores, próximos ou distantes.

Termina o artigo assim - para quem o conhece, será sempre um grande Presidente.

Como sempre, respeito a opinião de outrem.
Esta última frase foi certamente a mesma que ocorreu a muitos em 2016 relativamente a Marcelo Rebelo de Sousa. 

Pessoalmente, lá mais para trás, escrevi aqui no blogue porque votei nele em 2016. Designadamente porque apreciei o que disse antes da eleição, e voltei a apreciar o discurso de vitória.
Também já aqui no blogue escrevi porque me desgostou bastante basicamente a partir do 4º ano do primeiro mandato.

Voltando ao Presidente eleito: será sempre um grande Presidente?
SERÁ
No fim do "jogo" o prognóstico, como dizia um afamado da bola!

Respeito naturalmente a opinião, o vaticínio, a certeza.

Tenha uma posição diferente.
Não seria mais adequado dizer - tem características e qualidades que o creditam para vir a ser um grande Presidente da República.

Tal como em 2016, antevi que a Presidência ajudaria a melhorar Portugal.

Já escrevi com algum detalhe antes, e não vou perder tempo agora, Marcelo teve coisas muito positivas mas, sinceramente, em concreto, nada contribuiu para melhorar Portugal. 
Estamos exactamente como temos estado. E que a catástrofe mostra o país real, não o país das bolhas, dos Falcon, da Vichyssoise, das selfies patetas, e das vacuidades habituais nos discursos nas datas solenes e nas posses de governos, e na abertura solene de ano disto e daquilo.

Agora, compreensivelmente, Marcelo foi a correr a Coimbra. Compreensivelmente, legitimamente, creio que fez bem.

Mas teria sido bem melhor que no primeiro mandato de Costa não tivesse passado o tempo a pactuar com esse arrogante e a ganhar apoio para continuar em Belém, e pouco diferente disso tivesse sido no segundo mandato. 
Nada exigente, permitiu quase tudo, ganhou o  recorde das dissoluções, abusou e extravasou das competência constitucionais.

Voltando ao Presidente eleito, e a palavras suas: eu também pugno pela esperança.

Evidentemente, que se deseja viver e conviver com dignidade, viver em liberdade e segurança, ter acesso atempado a cuidados de saúde, evidentemente que é trágico tanta desigualdade e tanta pobreza em Portugal.

Mas discordo de si, profundamente, e de Marcelo, quando me falam em país moderno, economia competitiva, etc. 

E de Marcelo quando me vem com a treta do melhor país do mundo.

E de Marcelo discordo profundamente por muito mais coisas e recordo quando veio com a parvoíce de pagar indemnizações a outrem.
Não vai haver dinheiro suficiente para recuperar Portugal, agora, desta catástrofe.

Eu também pugno pela esperança, mas sobretudo pela decência na vida pública.

Eu tenho há décadas a secreta esperança de que no meu Portugal se começar a NÃO MENTIR na Vida Pública.

O senhor Presidente eleito fala por exemplo - uma esperança que aposta no conhecimento, na ciência, na inovação, na cultura, e na identidade que nos une como povo. Uma esperança que pensa nas próximas gerações quando decide no presente.

Pois é, é tudo muito bonito, e vá lá que não invocou a aposta na inteligência artificial.

Eu tenho há décadas a secreta esperança de que além de se deixar de mentir em Portugal, os titulares dos órgãos de soberania, os autarcas, os directores-gerais, os CEO, os directores dos jornais canais de televisão rádios e revistas, os presidentes dos clubes desportivos, os presidentes das associações e das fundações e dos observatórios, as chefias das mais diversas instituições, os empresários, etc. SIRVAM a sociedade, Não se SIRVAM dos LUGARES que temporariamente ocupam.

Eu tenho há décadas a secreta esperança de que os PDM comessem a ser aprovados a tempo e horas e não seja autorizada a construção de edificado sem licença e sem respeitar os PDM e as leis. E se começarem, sejam logo demolidas. 

Eu tenho há décadas a secreta esperança que termine o corrupio e promiscuidade entre banca, reguladores, governos, AR, negócios, escritórios.

Eu tenho há décadas a secreta esperança que diminua a corrupção; mas, sem menos burocracia, sem menos regras e normas e regulamentos e regulamentações, e editais, sem o fim de teias maliciosas, sem salários decentes para funcionalismo público, sem salários decentes para servidores do Estado, e a manter-se a legislação que enforma a justiça (códigos super garantísticos, permissão de poucas vergonhas por parte dos agentes na justiça), a corrupção não  diminuirá, AUMENTARÁ, tipicamente como em qualquer país da América Central ou do Sul.
 
Eu tenho há décadas a secreta esperança que passados 51 anos de democracia, FINALMENTE esteja próximo o dia em que se comece a pensar - que Forças Armadas deve Portugal ter, tendo em conta a dimensão das ZEE, a jurisdição que sobre elas temos, os acordos e tratados e a geografia do país.

Eu tenho há décadas a secreta esperança que se promova DE FACTO o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade REAL entre os portugueses e se promova de FACTO o desenvolvimento harmonioso de todo o território  nacional. 
"Pequenos detalhes" consagrados no Art. 9º da nossa Constituição.

O Presidente eleito afirmou - a coesão nacional constrói-se garantindo igualdade em todo o território.

É verdade, mas face a realidade é um bocado balofo.

Terá consciência que, ao contrário das vacuidades de Marcelo Rebelo de Sousa (o melhor país do mundo) Portugal é muito feito, TAMBÉM, do que se vê por exemplo, 
- em Arruda dos Vinhos, estradas, casas (??), quintais, 
- na ponte da Chamusca e noutras pequenas pontes que têm vindo a colapsar, 
- nas inúmeras aldeias completamente vazias (posso indicar-lhe várias), 
- nas casas construídas sem alicerces e etc. e se desmoronam facilmente, 
- nas casas (??) cujo exterior é tijolo não rebocado quanto mais pintado, 
- no mostrado num canal TV, apontando algo que designaram por casa (em Espinho, onde está a segurança social?), 
- em muitas estradas municipais, e algumas nacionais, 
- nos deslocamentos de terras, 
- em tudo aquilo que o presidente da câmara de Loures queria demolir e o PS se indignou, 
- no edificado junto de arribas, junto de ribeiras,
- na imensidão de edificado em certas zonas, abaixo do nível médio do mar, noutras abaixo do leito normal de rios e ribeiras,
- na fragilidade da sustentação de milhares de postes de madeira espalhados pelo país e que transportam linhas de electricidade, linhas de telecomunicações, ETC.  ETC.  ETC. lista sem fim !

Sim senhor Presidente eleito, obviamente que há que apostar em ciência, inovação, cultura, e pensar nas próximas gerações.

Tudo isso é correcto, mas a realidade é que Portugal é, INFELIZMENTE, um país pobre, com provavelmente 2 milhões de pessoas em grande pobreza e que a catástrofe agravará, é um país com tremendas desigualdades sociais, um país algo atrasado apesar do que vomitam constantemente certos arautos.

Pense nisso senhor Presidente eleito, antes de começar a exigir resultados. Lembre-se dos seus amigos Sócrates e Costa.
Lembre-se que PSD e PS são os grandes responsáveis da situação a que Portugal chegou. Particularmente a partir de 1991.

Lembre-se que o dinheiro não está no Banco de Portugal, está nos bancos, e mesmo com o governo a garantir os empréstimos e as moratórias, primeiro que os euros cheguem às pessoas vai demorar dias. 
Para já não falar em dificuldades várias, como pessoas a não conseguir resolver acesso à internet, depois a não conseguir lidar com os formulários, etc.

Tenha alguma calma, sr Presidente eleito, isto está uma catástrofe, causada pela mãe natureza.
Esta catástrofe caiu em cima do que Portugal É DE FACTO e Costa e outros Marcelo incluído, andam há anos a querer convencer o pagode que é ao contrário do que é realmente.  

Tenha calma senhor Presidente eleito
Este PM e este governo reagiram tarde mas está a cair-lhe em cima o resultado do que durante  anos e anos o PSD e o PS não fizeram. Resultados à vista.

Lembre-se da facilidade em subir a um poste, debaixo de chuvadas, e no meio de uns choques elétricos num ápice reparar o que está danificado.

E os diques estão a rebentar!

Passe bem.

António Cabral (AC)
BRINCANDO  COM  COISAS  SÉRIAS


AC

THE  NEW  YORKER

Vale a pena ler.

Começou em 21 de Fevereiro 1925.

AC 

MAIS OUTRA

"Uma estrada em Torres Vedras desabou na manhã desta quarta-feira devido ao mau tempo que se tem feito sentir nas últimas semanas".

Ontem, 10 de Fevereiro, num pequeno "postal" com imagens tiradas da TV mostrando estradas municipais rebentadas/ desmoronadas nos montes na zona de Arruda dos Vinhos escrevi isto:

Quando for possível ter a contabilização rigorosa de todos os estragos em todo o país, estradas municipais, estradas nacionais, ruas nas cidades e vilas, pequenas pontes, edifícios do Estado os mais diversos, linhas férreas, a somar à destruição de casas e empresas e negócios vários, diques, etc. verão que não há dinheiro para tudo.
Estarei enganado
?

A pouco e pouco estradas municipais vão ruindo. Desmoronamentos, desabamentos, enxurradas. 
Arribas na Costa da Caparica cada vez mais em perigo, arribas e encostas em outros locais também. 
Diques na zona do Mondego em perigo.

Oxalá eu esteja enganado.
Mas a minha convicção é a seguinte:
- todos os titulares de órgãos de soberania ( a maioria não o confessará se algum confessar) estão atordoados, aterrados.
- António José Seguro poderá estar a pensar - onde eu me vim meter.
- Montenegro e todo o governo, e se lá estivesse Carneiro, Raimundo ou Ventura seria a mesmíssima coisa, estão completamente perdidos.

Como se justifica que não exista para todo o Continente a declaração imediata de um estado de calamidade, como se justifica que não percebam que estamos num teatro de GUERRA onde, em princípio, não há tiros, AINDA? (Os da PJ discordarão que não há tiros)

Aguardemos que a mãe natureza não rebente com os diques do Mondego.
AC
A  PROPÓSITO  DE  PORTUGAL

A  PESCA . . . . . . . e  À PESCA
Algumas pessoas usam parte do seu tempo na pesca desportiva. Outras para passar o tempo, apenas. Algumas por necessidade de arranjar sustento.

Na sociedade portuguesa estivemos, estamos, e parece estarmos fadados a assim continuar: sempre à pesca!!!!

À pesca de ajudas, à pesca de juízo, à pesca de soberania, à pesca de vida melhor, à pesca de salvadores, à pesca de afectos, à pesca de subsídios Europeus, à pesca que não chova, à pesca para que não haja incêndios, à pesca do favorzinho, à pesca do bom coração do GNR para perdoar a infracção, etc.

O dramático, a meu ver, nem é bem o estarmos à pesca.

O dramático é estarmos sempre no mesmo sítio, é estarmos sempre com o engodo errado, é estarmos à pesca na hora menos favorável, é não acreditar que há mais além de estar à pesca, e é sobretudo, persistir em  que alguém nos segure na cana, vá chamar o peixinho para mais perto do anzol, e lhe grite para comer o anzol e saltar para o cesto. 
E pedir que depois de cheio, nos levem o cesto a casa.
Que nos amanhem o peixe. 

Grelhar ou fritar o peixe, e comer, isso fazemos !

Tenham o melhor dia possível nesta desgraçada 4ª feira. Saúde e boa sorte.
AC

CARICATURA ?


Uma boa caracterização da actual dita comunicação social.
Ou estou a ser injusto ?

AC

COISAS  DESTES  TEMPOS  

A minha muito idosa mãe (100 em 8 JUL passado), muito frágil fisicamente mas com uma cabeça fantástica para a idade, perguntou-me - oh filho, mas agora já não há cozinheiros? só ouço falar em chefes . . . - 

De facto agora é Chef! Cozinheiro? Que horror, isso era antigamente!

Agora, por exemplo, a palavra SENSIBILIDADE está cada vez mais relegada para um canto, inclusive por certos aspirantes ao que sonhavam mas não conseguiram e que escrevem também - EMPATIA. Pantomineiros da política idem. Pés de microfone idem!

Outro exemplo -"breaking news", é mais fino que - "notícia de última hora" - coisa nitidamente do tempo fascista. Portanto:

cozinheiro              > Chef

sensibilidade          > Empatia

breaking news        > Notícias de última hora


Se calhar certo jornalismo está a virar Jornalixo!

AC

António Costa’s legacy: The far right in Portugal

The ultranationalist Chega party is thriving by campaigning on issues the president of the European Council failed to address while prime minister. 

Informal meeting of the members of the European Council in Brussels
European Council President António Costa. When he became prime minister in 2015, Portugal prided itself on being the only country in Europe with no far-right political presence. | Olivier Hoslet/EPA

The biggest loser of this weekend’s presidential election in Portugal was European Council President António Costa.

Not only was Costa’s former rival in the Socialist Party, António José Seguro, elected the new head of state, the results also cemented the far-right Chega party as the country’s second-largest political force.

Seguro — a moderate, center-left former member of the European Parliament and minister who was ousted as Socialist Party leader by Costa in 2014 — originally said his decision to launch a long-shot run for the presidency was motivated by his “perplexion” with the direction the country had taken during Costa’s eight-year stint as prime minister.


👏👏👏👏👏👏👏👏👏

11  FEVEREIRO  2026
DIA MUNDIAL DO DOENTE
> 660 (ac) - considerada a data de fundação do Japão
> 1847 - Nasce Thomas Edison
> 1858 - França, Lourdes, numa gruta, a Virgem Maria aparece a Bernadette Soubirous
> 1865 - Cruz Vermelha Portuguesa inicia a sua actividade
> 1920 - Londres, primeira reunião da Liga das Nações
> 1926 - Itália, assinatura do Pacto de Latrão
> 1929 - Mussolini reconhece a independência política do Vaticano
> 1990 - Libertação de Nelson Mandela após 27 anos preso
> 2007 - Portugal, segundo referendo sobre a descriminalização do aborto, em resultado do qual a interrupção voluntária da gravidez a pedido da mulher  durante as primeiras dez semanas deixar de ser punida
> 2011 - Egipto, Hosni Mubarak resigna
> 2021 - Faleceu Marcelino da Mata
AC

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Coimbra, MOSTEIRO de SANTA CLARA-a-NOVA

Visitei-o em 2019. Fabuloso. Património formidável.

Novamente ALAGADO. Infelizmente. Um simplório diria - são pedras!

De facto, comparado com o que se está a passar nas zonas de Coimbra e Montemor-o-Velho aí sim, dramas horríveis para centenas /milhares de portugueses. Oxalá os diques no Mondego não estoirem

AC

INCOERÊNCIA  e  os  sem VERGONHA
Abateu-se sobre imensas regiões de Portugal Continental uma tragédia desenhada pela mãe Natureza. Começou a 28 de Janeiro p.p., continua no dia de hoje, prosseguirá mais uns dias.
Consequências? Terríveis! 
Consequências que perdurarão não por meses, porventura anos.

Creio que não estou enganado: antes de 25 de Abril de 1974 o caudal do Mondego e do Douro por exemplo não estavam relativamente controlados por barragens e diques como no presente.

Idem para certos diques no Tejo, que minimizam inundações a jusante de Abrantes e Santarém. E barragens.

A realidade é que a situação é tão gravosa que se coloca neste momento o risco sério de diques no Mondego colapsarem. COLAPSO.

Mesmo com barragens e diques, se a mãe Natureza se zanga  anormalmente os resultados são maus apesar de todo o esforço em controlar as águas.
Porque falta muita coisas e a hidrologia.
Porque designadamente o Douro e o Tejo nascem em Espanha, país vizinho com o qual apesar de tudo parece haver protocolos e  procedimentos harmonizados connosco para a operação coordenada das barragens nas épocas em que a natureza fica demasiado zangada.

Mesmo com anos de maior controlo dos caudais, as zangas iradas da natureza não se compadecem com as bacoradas dos humanos e no concreto com as bacoradas de muitos portugueses, responsáveis (formalmente) diversos e nomeadamente titulares de órgãos de soberania e cidadãos comuns.

A começar em alguns concidadãos, ignorantes, arrogantes, e inconscientes, que entendem que - no meu terreno faço o que me apetece, construo onde me apetecer.
"Maria, olha aqui, a poucos metros da água podemos fazer uma casinha, ficamos com uma vista porreira, posso pescar e depois se podermos compramos um barquito à vela!

Licença camarária? PDM? Etc. Era só o que faltava.

"Zé, tá li um fiscal"  . . . . 

A questão dos PDM e do papel das autarquias no edificado português devia ser avaliado no âmbito do que creio vai ser trabalhado face à catástrofe que se abateu sobre Portugal.

Voltando às barragens, a construção de barragens sempre tem sido depois do 25 de Abril um tema "querido" dos "fracturantes" e dos "inconsequentes".
Algumas dessas criaturas chatearam anos a fio. 
Só patetas, burros, ignorantes, insensíveis (deveria escrever sem empatia?) ou gente movida por interesses obscuros defende barragens.
Creio que essa posição é profundamente errada, mas registei essas posições e continuo a delas discordar.

Pessoalmente creio que foi uma medida acertada não construir a barragem que destruiria o vale do Coa.
Mas estou convicto de que o país devia ter mais barragens, nomeadamente para retenção de águas, e concretamente em certas áreas do Alentejo e no Algarve.
Admito, como sempre, estar a ver mal o assunto.

Repugna-me o que tem sido defendido por certa gente.
Mas repugna-me mais ainda o imobilismo de anos dos poderes públicos e nomeadamente do PS sempre pronto a imobilizar-se perante os das fracturas. 

AC

QUEM  PAGA  O  JANTAR, 

É QUE ENCOMENDA A MÚSICA

Anos atrás muita gente, particularmente das esquerdas, atirou-se a Manuela Ferreira Leite por lembrar esta citação.

Mas, o que lhes custa, a todos, é confrontar-se com as realidades da vida, DURAS. 

E, por isso, fracturam, esganiçam-se, ofendem-se, etc., e vivem alegremente à conta do OE mesmo fazendo as figuras tristes que constantemente observamos.

No trágico presente que vivemos como sociedade, no trágico presente de centenas de milhares de pessoas, INFELIZMENTE não há jantar quanto mais orquestra para música.

Lembram-se do que Medina Carreira apontava? 

Pois . . . não tinha razão pois não?

AC

 CATÁSTROFE

Quando for possível ter a contabilização rigorosa de todos os estragos em todo o país, estradas municipais, estradas nacionais, ruas nas cidades e vilas, pequenas pontes, edifícios do Estado os mais diversos, linhas férreas, a somar à destruição de casas e empresas e negócios vários, diques, etc. verão que não há dinheiro para tudo. 

Estarei enganado?


Para variar CHOVE.
Bom dia dentro do possível.
Saúde e boa sorte.

AC

RECORDANDO   FRATERNIDADES
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" O  ÊXITO  ESTÁ  EM  TER  ÊXITO,  E  NÃO  EM  TER  CONDIÇÕES  DE ÊXITO " !

(Fernando Pessoa)

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EYES   WIDE  . . . .  SHUT !

Falam . . . falam . . . . mas, cheira-me que estão como o título.
AC 
ESPERO . . . . .

Espero? Não espero nada.

Como SEMPRE respeito a opinião de outrem.
Mas enquanto muitos concidadãos têm esperança que agora é que vai ser, eu não espero nada de especial. Aguardarei, cauteloso.

Mas sei o que devia acontecer e passar a ser a prática.
É a minha opinião, discutível naturalmente, a respeitar como todas.
Depois, concordem ou discordem.

Começo com o que se iniciou ontem (8FEV) à noite, mas formalmente só a 9 de Março próximo.

Em Belém devia estar uma pessoa, 
- honesta e digna; o passado de Seguro isso indicia,
- que esteja calado quase sempre e seja reservado, para que eu e os concidadãos o ouçamos nas vezes em que publicamente fale, quando intervenha, e o ouçamos com respeito e confiança, pois a fazer como Marcelo rapidamente perderá quem o escute.

Do discurso de vitória ontem, o presidente eleito entrou a matar. Depois adocicou. Não será por ele que a Assembleia será dissolvida, disse. Para quem se afirma querer ser poder moderador teve tiradas de líder parlamentar. Veremos.

Quanto a Luís Montenegro, pareceu-me inadequado que comentasse os resultados eleitorais na qualidade de PM. 
Arrisco dizer - errado
A minha legítima interpretação é que teve a intenção de dizer a Seguro - olha lá, se pensas que vais fazer como o Marcelo, digo-te já, vou ligar-te tanto como liguei ao Marcelo.

E para mandar recados ao Chega e ao PS, creio que devia ter falado como chefe do PSD. Mas, como sempre, admito estar a ver tudo mal.

O que virá aí da parte do PS e do Chega?

O Chega quererá partir tudo, votará contra o OE 2027 por duas razões: porque sim, e para obrigar o PS a abster-se na antevisão de que o PS não quererá ir já para eleições. O Chega precisa de eleições para ver se sobrevive.

O PS convencer-se-á que Seguro irá fazer como Sampaio, esperar que o PS se reorganize, que ganhe força, e depois Seguro dissolver a AR.  na primeira oportunidade. 

Ou PS e CHEGA chumbam o OE?

Como digo, e disse em outros textos, tenho António José Seguro como pessoa decente. Mas sentado em Belém talvez algumas coisas mudem.
O seu discurso de vitória tem coisas que me parecem quase contraditórias.

Mas quer o PS e a esquerdalhada à sua esquerda, quer a generalidade dos chamados políticos e creio que Seguro também está nessa linha, não atentam com rigor numa coisa: o país é muito pobre.

A reconstrução necessária para os estragos que a mãe natureza nos aplicou o vai demonstrar cabalmente.

É culpa deste governo ou se fosse o de Costa a estar lá neste 2026, que a catástrofe tenha sido enorme (refiro-me apenas à natureza da violência, não ao que não devia estar no terreno)?

Mas, sobretudo, Montenegro ou fosse Costa, ou Cavaco, ou Sócrates, onde vão arranjar empreiteiros, empresas, para reparar em seis meses, as estradas, as casas, as fábricas, as ruas, as escolas, as igrejas, as linhas de caminho de ferro?

Mesmo com o assumir de garantia governamental, onde há capacidade financeira e seguradora para substituir empresas, como fábricas de olaria, fábricas de serração, maquinaria e tratores agrícolas, carros danificados/ destruídos por enxurradas, desabamentos, quedas de árvores, torres de linhas de transporte de energia, postes de iluminação, recheio de lojas as mais diversas, pontes, e um infindável ETC. ?

Veja-se a tragédia acontecida com trabalhadores da e-redes!

Pode perceber-se a emotividade e sentimento do presidente eleito, mas  a 30 de Abril próximo haverá ainda muita desgraça por todo o lado.
A 30 de Junho alguma coisa estará restabelecida, água, comunicações, electricidade.
E as restantes destruições, de dimensão incomensurável?
Demite o PM? O que faz?

Escrevi-o antes e repito agora: a sensação que tenha é que Montenegro nem queria acreditar no que acontecera. Reagi com alguma lentidão, mas creio que não exactamente como as redes e as TV vociferam.
O caso do que foi dito (puras mentiras) sobre os militares/ forças armada é nojento.
Basearam-se na parvoeira da cena montada para Nuno Melo

Deixo aqui o exemplo eloquente de um primo meu, que vive numa pequenina localidade na grande zona mais atingida pela catástrofe.
Andava a tentar contactar com ele e finalmente mandou-me esta mensagem esta noite:

Olá António Alberto, só vi agora a tua tentativa de chamada. Estamos sem luz e comunicações há 12 dias, desde o ciclone aqui na região centro. Estou em casa de uma prima da Rosário que conseguiu um gerador emprestado. O meu carro ficou muito danificado e tivemos alguns buracos no telhado, que com a ajuda de vizinhos já está resolvido. Como estão vocês? Espero que esteja tudo bem. Só consigo rede se for a Leiria, mas estou sem carro. Vou usando o da Rosário quando ela não precisa. Abraços

Aguardemos.
António Cabral (AC)