quarta-feira, 25 de outubro de 2017

TEMOS uma QUESTÃO de REGIME?   SIM?   NÃO?
Como tenho mais tempo livre, vantagem e privilégio de reformado, a tal situação que uns quantos parvalhões referem como estando sempre de férias, leio mais livros, penso mais, fotografo mais, estou mais tempo com filhos e netos, caminho mais a pé, faço muitos mais km de carro (16 meses, mais de 48000,00 km), equaciono o meu País de outras perspectivas, e nunca me esqueço de que não existem verdades absolutas.
Vem isto a propósito do que se vem passando na nossa envolvente e mais concretamente desde Junho passado.

E porquê?
Porque o momento que vivemos, subsequente ás tragédias, mostra com cristalina evidência a fragilidade deste desgraçado País, mostra  o actual governo com o PM à cabeça a mudar à pressa moscas e varejeiras, coloca a nu a desgraça deste País falsamente moderno.
Décadas de tempo perdido, décadas de políticos a servirem-se e não a SERVIR.

Para este "cocktail" temos, o PR da República, o muitas vezes lamentável parlamento, o lastimável habilidoso PM António Costa e o seu inefável governo, o comportamento basicamente lamentável de todos os partidos, os já esperados mas nem por isso menos desprezíveis comportamentos dos corporativismos, os bombeiros, o dinossauro Jaime Marta Soares, a tristemente famosa ANPC onde sobressaíram (??!!??) no sentido mais negativo vários dos seus protagonistas, vários jornalistas e muitos comentadores do sistema, membros das forças armadas e da GNR que creio tiveram uma acção e comportamento de louvar mesmo sabendo que era a sua obrigação, autarcas, etc, etc.

Pomposas reuniões extraordinárias de conselho de ministros,  ministros como Cabrita a correr para Viseu, agora num ápice vários meios aéreos disponíveis o que significa, senhores jornalistas amestrados, que está aí a prova factual apresentada pelo próprio governo acerca da sua incompetência, negligência, criminosa actuação que por exemplo ajudou ao 15 de Outubro.
Temos as discussões iniciadas na AR a propósito do OE, temos os comentários variados de ministros e deputados trauliteiros, e temos o ministro das finanças a aldrabar com o maior dos descaramentos e ninguém ou quase o desmascara violentamente.

Deixo umas questões (entre dezenas) que me azucrinam a cabeça:
> a porta voz da ANPC ao longo das semanas passadas, durante os dias das maiores tragédias, enumerava entre outros elementos, os milhares de operacionais que iam para ali ou acolá; se pretendem colocar os voluntários, que presumo milhares no País Continental, em protecção de casas e pessoas como creio ter percebido, quantos sapadores e etc sobram para o combate? Como os vão distribuir?
> porque não se listam publicamente as empresas com quem há contratos de aluguer de meios aéreos de combate a incêndios? Isso é crime? e a transparência?
> a força aérea estará determinada pelo governo para vir a gerir daqui para a frente os meios aéreos de combate a incêndios; gostava de saber como vão fazer isso; claro que me dizem já, vai ser estudado; sim, OK, mas as bases aéreas e as suas torres de controlo não têm pézinhos para se deslocar pelo Continente; mais, a questão da hierarquia sobre os pilotos civis das empresas que têm os meios aéreos de combate a incêndios e que têm ganho bom dinheiro estes anos todos? etc;

> porque não se explica publicamente como é que o Estado, através do MAI e MF, vai proceder à substituição de veículos os mais diversos e outro material e fardamentos para equipar as corporações de bombeiros, os bombeiros profissionais, o GIPS da GNR, e por aí fora? Transparência?
> porque não se mostra no "sítio" do MAI, o que existe em lei estabelecido para pagar ao pessoal de combate aos incêndios?
> porque não se explica, com rigor, publicamente, a questão das madeiras queimadas, a inerente  (ou não existe?) fiscalização a este negócio?
> porque se reconstroem casas no exacto sítio onde existiam e não nas zonas mais afastadas de floresta? Porque se gasta assim dinheiro?
> imaginando que por varinha de condão todos os idosos, sim porque abaixo dos 60 quase não existem, são reinstalados, como se altera em concreto o que eles não podiam fazer isto é, como se passa à limpeza nessas zonas?

> despovoamento é gritante; vão plantar lá pessoas? ou seja, nada na prática é possível alterar em 10/ 20 anos, pois não? ou acham que sim? que empresas vai o governo puxar para lá, implantar no centro a partir de 2018?
> e os rebanhos, milhares de ovelhas, como repõem os rebanhos dizimados? queijo da serra, entre outros?
> no cumprimento da lei vão obrigar imediatamente as infra-estruturas das estradas a iniciar o corte das árvores de um lado e outro ao longo de todas as estradas nacionais e auto-estradas? e como vão obrigar quanto ás estradas municipais? as autarquias não possuem maquinaria para isso, pois não?
> o patrulhamento de matas e florestas por militares das forças armadas parece que passará a ser uma constante; quanto mais vai isso custar? ou como de costume corta-se na já fraca e diminuta parte operacional das forças armadas e o orçamento da defesa fica só para pagar pessoal?

A lista é infindável, e aposto que nem 500 milhões de euros vão chegar para tudo só em 2018. 
Temos um País desgraçado, ou não? 
Temos que parar e como que fazer contas à vida, a sério, enquanto comunidade, que não apenas pensar no litoral e na malta que faz greve nas grandes cidades, e actuar como que para fazer um orçamento de base zero?
Temos ou não um problema de sobrevivência a prazo?
Temos ou não um problema essencialmente de regime, e reconhecemos que não tudo mas muito do que se fez conduziu a esta desgraça, e tem que ser radicalmente invertido, temos que erradicar muita coisa?
Estou cheio de dúvidas, angustiado, muitíssimo zangado, e creio que temos mesmo um problema gigantesco.
Eu temo o pior.
António Cabral

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