sexta-feira, 9 de junho de 2017

OS JUÍZES em PORTUGAL
Os juízes constituíram em tempos que lá vão um sindicato. Dada a realidade desde aí, posso concluir que ninguém achou mal, entendeu mal a situação e assim continua dados os magníficos silêncios da gentinha do costume. 
Eu achei péssimo, e sintomático daquilo em que, gradualmente, aqueles titulares de um órgão de soberania se vão transformando. Os vão deixando transformar.
Hoje, uma das boas leituras que fiz foi a do artigo de Jorge Miranda no Público, em que, com profundidade, demonstra a vergonhosa coisa, designadamente a história da greve.
Diz ele - "Os juízes não têm direito à greveOs juízes não são empregados do Estado. Eles são — como o Presidente da República, os deputados e os ministros — o Estado a agir".
Depois escalpeliza em límpido português, o que na CRP respeita ao órgão de soberania,  explica de forma cristalina porque não têm aquelas senhoras e aqueles senhores direito à greve.
Diz aindaos juízes não são trabalhadores subordinados. Não se acham em qualquer situação aproximável da dos trabalhadores das empresas privadas ou da Administração Pública. Investidos na titularidade de órgãos de soberania, encontram-se perante o Estado numa relação de identificação. Não são empregados do Estado. Eles são — como o Presidente da República, os deputados e os ministros — o Estado a agir"......
E ainda....."Uma greve dos juízes traria o risco de deslegitimar a tarefa essencial do Estado de administração da justiça e, desde logo, de deslegitimar os juízes perante a comunidade".
O que é deplorável é ver o agachamento dos outros titulares de órgãos de soberania, perante uma ameaça de greve que me parece ter, talvez, NADA de base constitucional e legal. 
Esgotam-se, como é costume, em viagens, inaugurações, em assobiar para o lado, ou em má criações ou em afectos.
Portugal merecia bem melhor.
Mas se calhar sou eu que estou profundamente enganado.
AC


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