Ai os JURISTAS, Ai o DIREITO
Nota prévia: não sou jurista.
Mas, em dada altura da minha carreira, passam dentro de poucas semanas 30 anos, e porque assim o desejei, entreguei-me ao Direito em aulas que começavam às 1830 horas. Nunca pretendi mudar de profissão.
Mas, maiores e crescentes responsabilidades profissionais ditaram que o esforço físico que a frequência do curso de Direito implicava não mais era suportável ao fim de dois anos. Mas foi muito bom.
E, designadamente, aulas de "Ciência Política" e "Direito Constitucional" ajudaram-me a pensar melhor sobre a nossa sociedade.
E a perceber melhor os porquês da crescente podridão deste tão maltratado Portugal.
Vem isto a propósito da demissão de António Costa e, concretamente, da conversa na TV entre Alexandra Leitão, António Lobo Xavier e Pacheco Pereira.
A dada altura Xavier, num tom agastado e compreensível, dizia que Costa estava demitido.
Pacheco disse - não, está na plenitude de funções.
Xavier insistiu.
Bom, para mim, a sequência é, quer do que aconteceu quer do que deviam ter sido as consequências:
- 7 NOV, Costa foi a Belém e perguntou - oh meu estimado antigo professor, posso ir ver se lhe arranjo uma solução de governo visto que temos maioria absoluta e estabilidade? Vou falar com o Centeno.
- O Centeno, mas . . . bom, veja lá, mas rápido.
Costa voltou a Belém passado pouco tempo, mas já lá tinha estado uma inarrável criatura e pelos OCS ecoavam coisas escabrosas.
- Oh meu estimado antigo professor e mestre, eu estou perfeitamente tranquilo mas depois de ter lido o último parágrafo do comunicado do gabinete de imprensa da PGR tenho que lhe apresentar o meu pedido de demissão.
- Bom. . . Ok, . . . a maioria absoluta é sua, é nominal, como eu sempre disse, portanto, compreendo-o. . . e tenho de aceitar.
Mas, atenção, vai manter-se em funções, pois o decreto de exoneração será algures só em Dezembro.
Quero tudo calmo, OE2024 aprovado que eu promulgarei rapidamente talvez sem muitas mensagens e apartes, quero o PRR a andar mais depressa e melhor, etc.
Costa voltou para São Bento, continuando ele e o governo na plenitude de funções executivas, sem nenhumas restrições para lá da decência e bom senso, coisas que de há muito se sabe que não têm.
7NOV, ao final do dia, Costa comunica o que disse ao PR, mostrou-se surpreendido com o comunicado PGR e etc.
8NOV, Marcelo recebeu os partidos.
9NOV, Marcelo reuniu-se com o Conselho de Estado e teve um empate.
9NOV, final do dia, Marcelo informa-nos,
- que aceitou a demissão de Costa,
- que vai marcar eleições legislativas antecipadas para 10MAR2024,
- que não vai exonerar Costa, que o governo se manterá em funções,
- que o OE2024 será aprovado,
- que depois exonerará o PM e cai então o governo passando a estar no regime de gestão até novo governo empossado,
- que algures em Janeiro 2024 dissolverá a Assembleia da República.
Salvo melhor opinião, António Costa continua formalmente com toda a legitimidade em exercício de funções.
Não foi formalmente exonerado.
Para mim Xavier tem razão em ter-se insurgido com o escândalo de Costa ter feito o que fez na noite de Sábado passado.
Mas quer Xavier quer muito mais gente não se enxergam, pois num momento tecem elogios a dignidade e etc., e em outro momento ficam muito indignados. Se fossem dar banho ao cão!
A criatura não é a mesma?
A arrogância política, a desonestidade intelectual política, a desfaçatez política, a por vezes má educação, não são as de sempre?
Porque se espantam?
Quanto ao inarrável inquilino em Belém que nos quer fazer crer estar muito preocupado com a vida de todos nós, os coitadinhos, resolveu fazer o que fez.
Vai ver o que vai começar a acontecer.
Pelo meio até já Centeno disse ter sido convidado por Marcelo, este desmentiu no sítio da Presidência e Centeno já veio dizer que de facto não foi convidado pelo PR. Um mimo de elevação, ética, honestidade intelectual, hombridade, decência.
Pizarro já só quer a CMPorto, já não reune mais com médicos.
Dois ou três dos mais conhecidos pantomineiros PS só pensam nas eleições Europeias.
Pessoalmente, creio que é muito provável Costa vir a ser o nº1 da lista do PS a essas eleições, pois seria um bom trampolim para futuro cargo na UE.
Galamba já foi.
Um secretário de Estado idem.
O furacão judiciário para já parece afinal brisa morna, mas temos de aguardar.
Que mais se seguirá?
O que o inquilino em Belém devia ter feito depois do Conselho de Estado era, de imediato, exonerar Costa e dissolver a AR e marcar eleições o mais rápido possível.
Aguardemos pelos próximos capítulos.
António Cabral (AC)
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