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quarta-feira, 3 de abril de 2024

A Propósito de LARES e IPSS
Alguns funcionam muito mal, mas muitos funcionam relativamente bem ou mesmo bem.
Aqui fica um exemplo de um que conheço bem, onde se preocupam em ocupar os utentes com actividades diversas, onde se preocupam com a saúde mental dos utentes.
AC

domingo, 16 de outubro de 2022

ENTÃO ??
Há muitas famílias que querem que os idosos tenham um lugar num lar e não há resposta suficiente em Portugal. Por isso, existe alguma complacência na altura de aplicar a lei em situações de lares que não oferecem condições de segurança.” A denúncia é do padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade (CNIS), depois de um lar ilegal em Loulé, com ordem de encerramento desde Abril, ter fechado na segunda-feira na sequência de agressões a idosos. (CM)

Não há um comentáriozinho sobre isto?
Está com receio que o interpretem mal?
ATÃO?

AC

quinta-feira, 10 de março de 2022

Os  MAIS  FRÁGEIS  da SOCIEDADE

Há umas semanas li este artigo. Volto a ele por razões diversas e particularmente por nova situação concreta que conheço muito bem. Li-o agora ainda com mais atenção e mais fico com a sensação da superficialidade com que abordam este complexo tema da sociedade. 
É um tema sobre o qual, por razões da vida, tenho um conhecimento  razoável. 
E falar disto não deve ser baseado em conversa com alguém de uma IPSS há anos instalado na estrutura. Ou mesmo que seja com mais que uma dessas pessoas. É preciso muito mais. 
Este assunto não pode ser encarado com superficialidade. 
A sociedade, todas as sociedades, têm cidadãos com muitas fragilidades, sendo uma parte substancial os idosos.

Isto dito, e se "acuso" de superficialidade o artigo e inerentemente o jornalista e o jornal, também reconheço não ser possível aqui neste modesto blogue escrever um "tratado" sobre o assunto. Mas tentarei aflorar alguns aspectos. Realidades que no artigo não encontro com rigor.

Em todos os assuntos se deve ter por indispensável a procura da verdade, a verdade dos factos, o aprofundar e analisar dificuldades e parâmetros envolvidos, procurar perceber que soluções possíveis para cada problema/ assunto.
No caso concreto dos idosos ou mais politicamente correcto - seniores - para mim isto é ainda mais importante.

Do artigo saliento 9 aspectos que me pareceu que o jornalista queria enfatizar: 
- preço mínimo por vaga/ mês; 
- a construção para atender ao apoio a idosos parece estar a ser atractiva; 
- tão atractivo está este segmento do investimento imobiliário que estão aparentemente a aparecer investidores nacionais e estrangeiros; 
- apesar de alguma construção nos tempos mais próximos, é apontada uma escassez generalizada; 
- as mensalidades a pagar dependem naturalmente da condição física do idoso:
- o artigo aponta 1175€ / mês como mensalidade mínima do sector social e, se percebi bem, 1200€ no sector privado;
- há pressão ao nível da procura de recursos humanos; penso que se pretende referir aos recursos humanos para trabalhar nas instituições;
- o artigo refere que a segurança social via PRR disponibilizará 300 milhões de euros
- o rendimento anual por unidade atingirá 5,75 %, perspectivando-se uma gradual subida do investimento nestes activos imobiliários.

Como disse não é possível aqui abordar com profundidade este complexo assunto. Mas aqui vai alguma coisa.
Para continuação de conversa, porque sei alguma coisa deste assunto? 

Porque conheço razoavelmente experiências e dificuldades várias vividas por mais velhos que a minha idosa (terá 97 em 8JUL) mãe (família afastada, como primos e tios dela), familiares de amigos chegados, mãe do meu genro, mãe de uma cunhada, e o trabalho de investigação que fui fazendo entre 2011 e 2019 já prevendo o futuro. Em 2019, a minha mãe, por sua vontade, e apesar de manter (como mantém) mobilidade usando uma bengala de 4 pontas por precaução, com uma cabeça fantástica, com limitações de visão e audição, quis passar a viver num lar. E assim foi a partir de Maio desse ano. Não foi nada fácil arranjar coisa decente.

O meu pai faleceu em 2011, mas ela quis continuar a viver sozinha na sua casa, para onde regressou logo após o funeral. Foram 8 anos, com o meu apoio semanal para compras, apoio periódico para aspectos de saúde, apoio periódico em fins de semana em minha casa para conviver sobretudo com os netos e bisnetos. 
Sei alguma coisa deste assunto. 

O acompanhamento dos cidadãos mais velhos é uma questão complexa em todas as sociedades, mas particularmente em países como Portugal, onde se finge ser um país rico, onde se vive como se vê cada vez mais, e em que as elites são fraquíssimas e muitas são mesmo reles, mas têm vida e comportamentos de rico.

As infra-estruturas para apoio a idosos são de dois tipos: privados e de âmbito social com forte ligação à segurança social.
A avaliação da saúde de uma sociedade também se deve fazer olhando a como o Estado ou seja, os poderes públicos e concretamente os governos, tratam das crianças e dos idosos.

E o que são os lares?
Superficialmente, digo eu, devem ser infra-estruturas onde os idosos ainda bem de saúde mental ou já não, com mais ou menos limitações, possam ser acolhidos, acarinhados, dando-lhes adequada ocupação física e espiritual, acompanhados em todos os planos que não apenas os de saúde. Infra-estruturas e instituições privadas ou associativas, em que todas, sem excepção, deviam ser anualmente fiscalizadas pelos serviços dos sucessivos executivos.
Pergunte-se a Lino Maia e a Manuel Lemos que estão há décadas a chefiar este tipo de "instituições / estruturas" que eles explicarão melhor o que se tem feito de bom, o que está frágil, o que está mau. 

Foi com a Constituição que surgiu o termo IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social). 
As IPSS são instituições ou organizações constituídas por iniciativa exclusivamente privada, sem fins lucrativos, para promover a igualdade e a justiça social, nos planos da segurança social, educação e saúde. A sua atuação enquadra-se no âmbito da economia social, e têm como principal objetivo a solidariedade social, em domínios como a segurança social, educação e saúde.
Fala-se em cooperação com o Estado, mas a realidade é que a Segurança Social contribui decisivamente para as IPSS. 
É absolutamente ridículo ver algumas criaturas afirmar que o Estado não tem lares, que não têm estas infra-estruturas de acolhimento. Naturalmente, fala-se em associações de solidariedade social, como associações de voluntários, como associações mutualistas, eventualmente de fundações neste domínio social. E, desde tempos remotos, existem as Santas Casas de Misericórdia.

Portanto, falamos de apoios a idosos e por essa via a famílias, a proteção na invalidez, a proteção em situação de carências graves, etc.
Neste âmbito e no presente, quando falamos em "
economia social", temos por exemplo as Santas Casas sob o chapéu da União das Misericórdias Portuguesas. 
Mas temos mais, a Confederação Portuguesa de Economia Social (CPES) que designadamente congrega, a União das Misericórdias Portuguesas, a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, a Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, a União das Mutualidades Portuguesas, a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, a Confederação Cooperativa Portuguesa, e a Associação Portuguesa de Mutualidades.

Mas temos também muitas outras coisas. Temos casas, vivendas, prédios pequenos, que estão transformados em lares, com designações diversas. Basta ir à Internet, ou fazer caminhadas em vários locais para descobrir isso (repouso, acolhimento, etc.). E temos pelo interior do país imensos ditos lares em que anualmente vários são fechados mas muitos mais subsistem sendo que as condições deixam algo a desejar.

Com a pandemia muito ficou a nu! Muito do que há décadas se esconde. Alguns, mais violentos, chegaram a escrever existirem dois tipos de cemitérios, os dos mortos e os dos vivos. Adiante.

Por mim, creio continuar a existir alguma clandestinidade neste âmbito. E, portanto, digo eu, temos pelo país fora lares ilegais/ clandestinos em que alguns de vez em quando são descobertos, lares legais com condições deficientes, lares legais com condições razoáveis ou mesmo boas. E temos, portanto, lares numa vivenda pequena onde se amontoam idosos, lares em ruas conhecidas das avenidas em Lisboa com escassos utentes e preços carotes, lares em edifícios de 3 ou 4 andares com perto de 100 idosos, etc. Teremos, provavelmente, mensalidades desde 700 €, algumas de 1000, de 1350, de 1500, de 3500 €. Sim 3500,00€. E fico por aqui quanto a preços.

Olhadas as 9 questões supra apontadas, a questão dos preço fica por aqui. Basta consultar a NET, e depois fazer perguntas em certas zonas para se perceber que quanto a preço há muito que ponderar e não me parece que seja apenas o que o artigo refere. Até porque, depende da condição do carenciado.

Passando às questões imobiliário/ novas construções/ escassez de infra-estruturas, em que o jornalista confessa que está a ser uma coisa atractiva, isto deixa campo a muitas interrogações. Desde logo, que requisitos são impostos pelas autoridades para novas construções destinadas à economia social? Estou a perguntar, pois até coloco a possibilidade de nada se impor e depois as autoridades competentes no âmbito da segurança social inspecionarem as novas unidades. É uma área com pano para mangas, e muitas dúvidas.

Conhecendo muito bem quatro infra-estruturas de acolhimento de idosos/ carenciados, um dos aspectos que mais me tem chamado à atenção é o problema dos recursos humanos por outras palavras, "o recheio" formado pelo conjunto dos profissionais para lidarem diariamente com pessoas em que, na maioria dos casos, têm grande limitações físicas e psíquicas.

Porque, o que é um lar? Local onde vivem seres humanos frágeis.
Um lar tem alguém que o dirige. Pode ter uma directora tonta ou uma eficaz que não delega na enfermeira chefe as suas responsabilidades directas.
Deve ter apoio médico dedicado, e há normas para isso. E enfermeiros.
Fornece alimentação, havendo quem a confecione dentro da casa, e quem a receba de "catering". Deve ter serviço de limpeza. E um que conheço bem tem limpeza diária duas vezes por dia (quartos, corredores, etc. Outro............adiante.

Lares há que têm entretenimentos semanais, apoio psicológico, educação física/ ginástica apropriada para idosos, ocupação de tempo livres. Saídas para os que fisicamente para isso têm condições. Conheço quem tenha até barbeiro e cabeleireira. Muitos não terão nada disso, como por exemplo, certas vivendas ou andares adaptados a lares. Alguns terão agregadas instalações para cuidados continuados.
Há associações integrando lares que dão apoio na comunidade onde se inserem.

E além disto há que considerar mais aspectos de que dou apenas alguns exemplos; o serviço de apoio domiciliário por parte de Santas Casas de Misericórdia e associações diversas, centros de dia (muitos fecharam na pandemia), centros de convívio.

Para perceber ou pelo menos ponderar sobre alguns dos problemas que se colocam no que respeita aos recursos humanos, vale a pena reparar em quem cozinha, à idade e à cor da pele, à nacionalidade. Atente-se no pessoal de enfermagem, à idade. Atente-se no pessoal administrativo. Atente-se à direcção.
Que formaçãoE quanto lhes pagam? E o esforço físico e psicológico de alguns/ algumas, a quem lhes tem que ser dada folga de 4 em 4 dias? 
Como resolvem os problemas logísticos e de manutenção de equipamentos?
E desde as Santas Casas das Misericórdias a todas as outras IPSS, todas têm quadros de pessoal aprovado? E quanto aqueles lares em vivendas e prédios pequenos, que atenção lhes dedica a Segurança Social/ governos?

Vale a pena lembrar que a propriedade física das infra-estruturas não tem por "dono" o Estado. Sim. Mas há normas a elaborar e fazer cumprir, há enquadramentos legais a cumprir, há necessidade de fiscalizações, definição de quadros de pessoal e de competências. Ou não?

O assunto LARES é um assunto político, há aqui uma necessidade de política social séria, e que não pode ficar por loas, propaganda e parangonas.
À boa maneira de uma certa súcia de pessoas, agora com o PRR é que as coisas se vão resolver?

O imobiliário na área da economia social está a atrair muito investimento. Pois é, a tal coisa sem fim lucrativo. Quem controla?

Como disse, assunto complexo, é preciso conhecer e pensar.
Antonio Cabral (AC)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

E  EU  CONCORDO,  SURREALISTA!

"Associação de lares considera contraditória obrigatoriedade de teste negativo para visitas. Presidente da associação diz que a apresentação de um teste negativo à Covid-19 é uma contradição notória face a todas as medidas restritivas durante a realização das visitas".

E não é por hoje às 1100 horas ter de o começar a fazer. E serão, se Deus quiser, 3 vezes por semana. SURREALISTA.
AC

quinta-feira, 27 de maio de 2021

S E N I O R E S

Não, não me refiro a atletas de maior idade. Refiro-m aos idosos, os que, em fim de vida e em diferentes situações de saúde, requerem ser dignamente tratados pela sociedade. O que não acontece muito bem em Portugal. É a minha experiência, até agora, face aos vários seniores/ idosos na família alargada. 

Vem isto a propósito de notícias recentes, por um lado, o periódico anúncio de encerramentos de lares ilegais e etc. e, por outro lado, a espreita de investidores nacionais e estrangeiros sobre potenciais negociatas quanto ás chamadas residências para seniores. Devem estar a pensar naquela faixa da população portuguesa que, segundo parece, ascende a 60% e que é aquela faixa feliz que aufere mensalmente menos de 900,00 €!

O acompanhamento dos cidadãos mais velhos é uma questão complexa, creio que genericamente em todas as sociedades, mas particularmente em países como Portugal, onde se finge ser um país rico, se vive como se vê cada vez mais, e em que as elites são fraquíssimas mas têm vida e comportamentos de rico.

AC

domingo, 9 de maio de 2021

O  POPULISMO  BACOCO e  a  REALIDADE

Alguns entendem, e no plano dos princípios isso é o correcto, que se não deve ser demasiado crispado publicamente em relação aos titulares de órgãos de soberania. Mas está a chegar-se ao ponto de se querer o respeitinho porque sim, como antigamente, independentemente de tudo o que acontece na sociedade, independentemente de se servirem em vez de exercerem o serviço à sociedade.

Eu concordo com este entendimento de princípio, e em determinada ocasião dei até a mão à palmatória por me ter excedido um pouco na linguagem. Embora eu tivesse razão. A ira não deverá ser, em princípio, justificação para linguagem mais crispada e violenta na adjectivação.

Mas o tempo vai passando e como já bem retratado - "ele sempre foi assim, muito simpático, inteligente, capaz de actuar bem em cada momento. Talvez já não capaz de actuar  de uma forma persistente e continuada. Prosseguindo um objectivo, levando-o até ao fim".

E isto, a retórica constante e populista, muitas vezes quase oca, falando para os portugueses como se fossemos todos brutinhos ou tontinhos, não começa a cansar, senão mesmo a desesperar?

Pessoalmente estou já farto, cansado, desesperado por me falarem como persistem estes titulares de órgãos de soberania, Presidente, deputados, governantes, juizes, como se as realidades condissessem com o que diariamente nos bombardeiam através da retórica populista, mentirosa, desligada da realidade e dos problemas concretos das famílias.

E sempre à procura das acções de outros no passado para justificar a podridão que grassa genericamente, podridão em que vivem e alimentam, como se não governassem desde 2015 ou não presidisse desde 2016.

Clamam sempre pela transparência, pelo serviço e apoio ao cidadão mas, quando o cidadão quer perceber certas coisas, quando o cidadão se dirige aos serviços e instituições publicas, aí a realidade é bem o oposto do apregoado por suas Excelências.

Do passado, concretamente desde 1971, tenho um historial relevante de embates contra o Estado e instituições diversas, concretamente, o fisco (IMI, IRS, Sisa), banca nacional, seguradoras, GNR, PSP, EMEL, câmaras municipais, juntas de freguesia, farmácias, hospitais. No presente, devido à situação da minha (jovem de quase 96) mãe, mais que lúcida e a viver num lar há dois anos por sua decisão, ando há semanas a falar com o lar e em contactos com a Direcção Geral de Saúde (DGS), a Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo e a delegada de saúde da cidade onde vivo. Melhor, e mais bem dito, ando a formalmente solicitar a estas instituições esclarecimentos e recebo o silêncio tumular. O desprezo absoluto para com o cidadão comum. 

E os esclarecimentos que solicito é para perceber e tentar desbloquear a situação presente, em que um Presidente da República na senda populista imprudente do costume diz publicamente que os idosos já podem sair dos lares, em que a DGS elaborou uma orientação sobre este assunto e que actualizou em 17 de Abril passado, e em que explicita que, na fase actual da pandemia um idoso poderá sair do Lar cumpridas que sejam todas as normas actuais  sanitárias em vigor e, uma vez que estão todos os utentes vacinados tal como todos os funcionários do Lar, a saída do idoso e posterior regresso ao Lar em menos de 24 horas não o obriga já a isolamento nem a testagem.

A verborreia populista imprudente e desprovida de conhecimento das coisas na realidade concreta, criou nas cabeças dos idosos com boa saúde mental uma ideia que em nada corresponde à realidade, sei-o bem pelo meu caso concreto, a minha mãe que, naturalmente, ficou e está furiosa porque no Lar nada se alterou. Continua a não haver saídas nem visitas como antes da pandemia. Isto passa-se numa esmagadora maioria de lares, como há poucos dias foi reconhecido e publicitado no "Público" pelas vozes dos dirigentes das IPSS. A realidade é que a orientação da DGS é formalmente do conhecimento do LAR mas a instituição entendeu pedir um parecer à delegação de saúde da zona. Um parecer! Na prática, a orientação da DGS não é cumprida através de artimanhas. Isto faz sentido?

Indo à legislação diversa no âmbito do Ministério da Saúde, o cidadão comum fica com uma ideia de hierarquias entre os diferentes departamentos e organismos. Mas a realidade é outra, parece que há muita autonomia, até porque quem está nas Administrações Regionais de Saúde (ARS) tem cartão político. Na realidade da vida concreta, ninguém responde ao cidadão, ninguém esclarece e já lá vão semanas, e a noção que tenho, agora até por contactos pessoais privilegiados, parece que na prática ARSLVT e delegações de saúde fazem o que querem ou pelo menos assim parece. Até ao presente tenho o ensurdecedor ruído do silêncio. Os poderzinhos funcionais no seu melhor. A orientação da DGS sobre a saída dos idosos por menos de 24 horas deve ter ido suprir a eventual falta de papel higiénico. Este é o Portugal real.

O Portugal apregoado por Marcelo na sua habitual retórica populista - os idosos já podem sair dos lares - é outro que não aquele contra o qual esbarramos.
E voltando à legislação diversa, e voltando a olhar para todos os organismos e departamentos e instituições, podem os meus caros concidadãos ficar cientes de que, ao procurar respostas em todos eles recebe-se um silêncio tumular. E se se atreverem a colocar as mesmas questões a outra instituição ligada à saúde, mas não integrando o Ministério de Marta Temido, a resposta obtida é igualmente a do silêncio absoluto. Tumular!

Alguns dirão, muda de lar, ou tira a tua mãe de lá. Não, ela quer viver num lar, e este tem inclusive muito boas condições. A questão é que os cidadãos nada podem contra o poder funcional de certa gente. Esta é a realidade das coisas deste pantanoso Portugal, onde o cidadão comum na maioria das vezes não é respeitado.

Um lar recebe uma orientação da DGS e pede um parecer a uma delegação de saúde sobre essa orientação? A delegação de saúde tem competência para discordar da orientação da DGS? E a ARSLVT? Se lhes pedem parecer, não o deviam dar com celeridade?
Isto faz algum sentido? Será que sou eu que estou doido?
No limite, cada delegação de saúde dentro da área geográfica duma dada Administração Regional de Saúde (ARS) pode emitir parecer diferente acerca da orientação da DGS? Isto faz sentido, poder haver entendimentos díspares dentro de uma mesma ARS?

Como alguém já me referiu, estaremos a um milímetro da história da velhinha que se foi queixar por ter sido mordida por um cão e acabou na prisão por incomodar as autoridades.
Ah , em relação aos jornalistas que também já escrevem a dizer que os lares estão a abrir, experimentem trocar "conversa" e verão o resultado.

António Cabral (AC)

quarta-feira, 10 de março de 2021

PARA  QUÊ  DIETA?

Para quê dieta, se a baleia bebe só água, come peixe, krill, lulas,.... nada o dia todo,.........e está sempre gorda?...ih.....ih

Bem, alimentação equilibrada sim, sempre ou o mais possível exercício, sobretudo boas caminhadas (ontem foram 9,2 Km, hoje 6,6 Km), apanhar Sol sempre que possível mas chapéu na cabeça que os 20 anos estão lá muito para trás. Nikon na mão e a melhor disposição possível. Abstrair-me das amarguras dos meus amigos e dos familiares mais afastados com problemas complicadíssimos, etc. Tentar disfarçar da clausura da minha mãe praticamente há um ano sem sair de lá, valendo a varanda do quarto no lar. Enfim.

Dieta para quê? Um pouco de veneno de vez em quando não mata, dizia o velhinho médico avô materno da minha mulher. E não, o meu problema não é a mentira.

AC

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

IDOSOS, PASSADO, PRESENTE, FUTURO ?

E o FUTURO ? (sublinhados meus)
A questão "idosos" é um dos problemas mais sérios em qualquer sociedade. Como em muitos outros aspectos da vida em sociedade, a evolução dos tempos / da vida contemporânea alterou muito e em diversas áreas direi mesmo RADICALMENTE, o que acontece hoje comparado com, por exemplo, o que acontecia até 1980. Começo o que quero abordar com um extracto de um artigo de jornal.

(...) "Quando o pó pandémico assentar, temos de rever a nossa relação com os velhos. Por exemplo, as casas do futuro não podem ser apenas “verdes” e preocupadas com os ursos da tundra, têm de ser casas preocupadas com os nossos pais. As casas da cidade não podem ser pensadas apenas para a família nuclear, têm de ser pensadas para uma família mais alargada. A par desta mudança arquitectónica, precisamos de uma revolução moral: não podemos continuar a viver no pressuposto de que a velhice dos nossos pais não pode ocupar o nosso espaço, o nosso tempo e o nosso dinheiro. (tempos atrás, H. Raposo, Expresso)

Não existe um Portugal, existem infelizmente muitos Portugais. Açores (e dentro dos Açores vários, basta olhar por exemplo à costa Norte de S. Miguel), Madeira, Trás-os-Montes, Alentejo, Beiras, serra Algarvia, arredores de Lisboa e Porto e Setúbal, etc. Lembremo-nos por exemplo do que se vivia e como se vivia entre 1900 e 1980 do século passado. Para não recuar mais no tempo, épocas que não podem ser esquecidas.

Aquele texto de há várias semanas de H. Raposo sintetiza quanto a mim uma boa parte das questões sobre o tema, e todos nós devíamos ponderar sobre esta realidade, realidade de todas as sociedades, os idosos, o envelhecimento, o fim de vida, e o necessário, merecido e  condigno apoio que a todos sem excepção é devido. Merecido e condigno apoio que milhares (ou mesmo milhões?) nunca tiveram e continuam a não ter. A sociedade portuguesa, o mais depressa que fosse possível, precisa de alterar muita coisa, desde as posturas, à cultura, ao parque habitacional, etc. Morre-se de frio, sim, morre-se de frio em Portugal. Melhor, passadas estas décadas do 25ABRIL continua a morrer-se de frio em Portugal. Só quem pode pagar contas brutais de eletricidade entre meados de Novembro e fins de Fevereiro e pensa além disso nos problemas dos outros, percebe bem o que acontece com milhares de famílias, e sobretudo com os afastados em aldeias e lugarejos quase desertos. 

Sim, quantos vivem em casas húmidas e com infiltrações? Diz-se por aí que, provavelmente, pelo menos dois milhões de portugueses não conseguem manter a sua casa quente. Vários desses usam mantas, parecem uns chouriços com tanta roupa vestida. Quantos portugueses integram o "clube pobreza" ?

Não chega celebrar o dia internacional do idoso ou  outra data relevante relacionada, e muito menos ainda como o fez o aldrabão político chamado António Costa, sempre a fazer propaganda como há poucotempo ao juntar-se a um dos dinossauros das instituições de solidariedade social.

 IDOSOS,  FAMÍLIAS,  LARES

Qual é a real dimensão deste problema da nossa sociedade? Grave, de certeza. E nada se tem como certo, em números, em situações. Há lares e lares, uns legais e muitos ilegais, de duas espécies, a que voltarei.
Dignidade e salvaguarda da sua segurança são duas palavras que se usam quando se fala destas coisas. Mas muitos esquecem, e muitas vezes, de falar no carinho e no conforto físico e moral devido aos idosos. E, sobretudo, para lá da propaganda, esquecem-se de tratar de alterar a realidade que é tão dura e deplorável ainda por todo o lado do país.

Não falo por botabaixismo ou por ser contra este sr Costa. Porque todos os seus antecessores, sem excepção, têm culpas no cartório, TODOS. E se me lembrar dos sucessivos presidentes da República e das suas primeiras damas (!?!?) a começar lá muito atrás na I República, e as suas frequentes visitas a obras de caridade, ainda mais vómitos me provocam.

Falo por conhecer várias e diferentes realidades. Falo por conhecer um lar onde viveu a mãe do meu genro, onde mensalmente para pagarem  a coisa cada um dos dois filhos juntava ainda quase 100 euros á totalidade da reforma da senhora, cerca de 3300,00 €.
Falo por saber de lares que são pequeninas vivendas que não obedecem ás normas da legislação em vigor quanto a requisitos vários incluindo espaços físicos.
Falo por conhecer instalações de Santas Casas de Misericórdias, em zonas da grande Lisboa e na Beira-baixa.
Falo por ter uma ideia de que há pequenos lares de gente fina onde, quando durante a pandemia o ano passado, houve problemas infecciosos como aconteceu por todo o lado mas nunca veio nada nos OCS.
Falo por conhecer o lar em Lisboa onde esteve a minha mãe, um edifício de 4 andares com séculos de existência, e por conhecer o lar onde está desde Maio passado, um edifício com 19 anos com capacidade para 96 utentes tendo agregada uma pequena unidade de cuidados continuados. 
Falo, portanto, com base em algum conhecimento de causa, na minha pequena experiência, e por ter começado a lidar com o tema “Lares” "somente" há cerca de 14 anos.

Mas falando de lares legais e lares ilegais, naturalmente que os legais obedecem às diferentes e diversas normas em vigor, e têm uma relação normal com a segurança social, estão licenciados e, em consequência, recebem algum co-financiamento.
Quanto aos ditos ilegais, haverá muitos que por diferentes razões continuam sem ter (justa ou injustamente) a aprovação formal por parte da segurança social, e muitos estarão em condições de obter licenciamento, mas ao não tê-lo é assim que se evita o co-financiamento e "helas", bendita POUPANÇA! 

Haverá muitos outros, e não só nas zonas interiores do país, que pura e simplesmente são mesmo ilegais, e sendo muitos uma verdadeira enxovia. Vivem do que auferem por cada utente, mensalidade bastante mais baixas, e na esmagadora maioria não têm condições nenhumas para poderem acolher idosos e deles tratar com decência e dignidade. Amontoam aos 3 e 4 num quartinho?

Nesta questão dos lares há aspectos vários a ter em conta, designadamente pelo menos os seguintes: 1) os equipamentos sociais, a infra-estrutra física e inerentes condições e observância ou não ás normas em vigor; 2) os funcionários, trabalhadores em cada instituição; 3) a alimentação; 4) a assistência médica e sanitária); 5) os familiares dos utentes; 6) as inspeções aos lares; 7) ocupação de tempos livres.

1) Os equipamentos sociais - não há milagres, ou se constroem ou não se constroem. O Estado / poderes públicos/ sucessivos governos e AR's podem assumir esse encargo? Nunca tal foi possível economicamente, mas creio que alguma coisa mais podia ter sido feita, entre poder central e poder autárquico. Estou a lembrar-me que se começou a inverter a situação da horrorosa Mitra em Lisboa apenas nos últimos tempos de Santana Lopes na Misericórdia de Lisboa. Um caso/ exemplo eloquente, a meu ver, quanto ao arrastar anos sem fim destas situações. 

2) Trabalhadores - também aqui não há milagres. Que formação? Que nível escolar? Quanto se paga? Atenua-se o baixo salário arranjando forma de poderem levar alguns alimentos para casa? O horário de trabalho, significa ocupação no lar desde as 0900 às 1800h, diariamente, ou há folgas, para poderem descansar e, ao mesmo tempo, poderem acorrer a outros locais de trabalho para arranjar mais uns euros? 

3) Alimentação - Aspecto muito importante, pois existem necessidades diversas, consoante o estado de saúde dos utentes. E, quanto à qualidade? Como é a qualidade geral naqueles que amontoam 2 e 3 pessoas numa pequena divisão e a mensalidade é talvez 750€? Lares existem onde as refeições são confeccionadas nas respectivas cozinhas. Em outros, a alimentação vem sobretudo de "catering". E aos fins de semana? Massa ao almoço e massa ao jantar? Hum..... 

4) Assistência médica e sanitáriaNeste lar onde está a minha mãe, existe médico e pessoal de enfermagem diverso. Bem sei que estamos em pandemia, mas diariamente é tirada a febre e acompanhado o estado geral do utente. Há pessoal de enfermagem no lar durante toda a noite. Logo em Março passado criaram a chamada "Box das Emoções", para proporcionar visitas controladas do ponto de vista médico-sanitário, um pequeno alojamento com ar condicionado, onde cabem até 6 pessoas em pé, colado a um janelão enorme e assim se evitam contactos. Os funcionários entram por uma porta dedicada, antes da qual existe um túnel de desinfecção onde são pulverizados. É assim em todos os lares? Hummmm....

5) Familiares dos utentes - Quanto aos familiares dos utentes de tudo um pouco haverá. Casos de famílias que descarregam os idosos e depois não querem mais saber do caso. Visitas inexistentes ou raras. Haverá familiares que, em dada altura, ficam de súbito com situações muito delicadas, com um dos seus idosos de repente com grande fragilidade física, diminuído, mas ainda com alguma lucidez, e gritando que não quer ir para um lar. 
Mas também há casos como o de uma senhora de quase 96 anos, lúcida e no seu perfeito juízo que, há praticamente 2 anos, na sequência de uma crise de arritmia, consciente então de que era arriscado continuar a viver sozinha e por prezar a sua independência e não querer sobrecarregar a família, decidiu que queria ir para um lar, e foi. 

6) Segurança social, inspeções - Aspecto muito delicado. Qual a capacidade efectiva da segurança social para inspecionar com regularidade, 2 vezes por ano, os lares? A segurança social dispensa-se de visitar/ inspecionar os lares das IPSS? E visita os outros? As autarquias, que postura quanto a este assunto? Lembro-me de meses atrás um presidente de Câmara dizer na TV no início da pandemia que tinha sido informado da existência de X número de lares no seu concelho. Desconhecia.

7) Ocupação de tempos livres - este aspecto é igualmente importante. Que animador social? Que formação para essas pessoas? E ter por exemplo cabeleireira, sobretudo para ajudar lavagens de cabeça a quem, por exemplo, possa por vezes ter alguma falha de equilíbrio? Sei do que falo.

Este tema é muito complexo, e não se pode encarar com leviandade como se vê amiúde. Como será o futuro? A população idosa aumenta.
Como está a ser encarado o imobiliário?
A vida contemporânea em que, por exemplo, os filhos cada vez mais tarde saem de casa dos  pais, é de molde a ter de regresso os avós também para dentro desta casa? A fragilidade e dependência, as questões de mobilidade, variam de caso para caso. Isto é real? Hummmmm.

IPSS, lares legais, lares à espera de legalização, lares mesmo ilegais e que são às centenas, casas de repouso, associações de lares, estruturas residenciais, santas casas, enfim um mundo complexo, descurado há anos, e a realidade da pobreza e dos mal remediados é uma triste realidade que mais complica o problema do envelhecimento.
Não tenho soluções milagrosas. Só procurei abordar aspectos de uma realidade de que conheço alguma coisa. Assunto muito complexo.
AC 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

MÁS e BOAS NOTÍCIAS

O Lar tem quase uma centena de utentes. É um edifício que deverá andar por quase 30 anos, recente portanto. 

Acoplada, digamos assim, tem uma pequena unidade de cuidados continuados ou seja, para onde se enviam idosos que tenham tido qu estar hospitalizados.

Más notícias, creio que 5 funcionárias, assimptomáticas, dos cuidados continuados acusaram COVID.

No Lar, nem funcionárias nem utentes. Há que ter paciência, um dia de cada vez, e ter confiança porque, de facto, o rigor na limpeza, desinfecção, controlo geral, são enormes, a roçar o quase inexcedível.

AC

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Oh CIDADÃO COMUM, e ISTO ?
Os fiscais da Segurança Social estiveram no lar de Reguengos no dia 11 de março, antes do estado de emergência ser declarado e da covid-19 ser um problema para a instituição. Não houve qualquer "inquérito" da Segurança Social como disse António Costa. Apenas um relatório onde foram detetadas pequenas falhas e registado que o lar cumpria os requisitos legais em matéria de recursos humanos. Foi este o documento que Ana Mendes Godinho enviou para o Ministério Público. O tema regressa ao Parlamento esta quarta-feira, com as ministras do Trabalho e da Saúde a explicarem aos deputados o que correu mal naquele lar, cujo surto causou 18 mortes.(do Expresso online) (sublinhados meus)

Partindo da hipótese quase certa do que escreve o Expresso (basta pensar no historial desta cambada política) o que deve o cidadão comum pensar de tudo isto?
Em que conta se deve ter este António Costa e esta Ana Mendes Godinho?
Cambada de malandros, obviamente.
AC

quinta-feira, 10 de setembro de 2020




MITRA....e......VELHOS......e.....miséria........
Apeteceu-me titular assim o texto que se segue. 
De propósito. 
E a propósito das muitas enormidades e declaradas ausências de vergonha na cara que por aí se vê. 
Por parte de um lado e de outro das diferentes barricadas.

Como a esmagadora maioria das pessoas, sendo excepções Cavaco Silva, António Costa, João Galamba, José Sócrates, Durão Barroso e várias dezenas de outros do género (mortos e vivos), não sou detentor da verdade absoluta, engano-me por vezes, reconheço erros, procuro ser rigoroso, e tento ser intelectualmente honesto acreditando que o demonstro amiúde.

Começando pela MITRA.
Não me estou aqui a referir ao chapéu de desenho peculiar usado pelos mais altos dignitários da igreja católica em cerimónias religiosas.
Estou a referir-me ao albergue da Mitra, que existiu durante décadas e décadas na zona do Beato, e vinha do tempo da outra senhora. 
Estou a referir-me à instituição que existiu, de combate (??) à mendicidade, e para onde recolhiam vários sem abrigo, pobres, doentes mentais, vadios, tudo gente desgraçada que em grande número deambulava por Lisboa. Não convinha, havia que disfarçar.
Instituição que até há poucos anos era gerida creio que pela segurança social e não há muito passou para a alçada da Misericórdia de Lisboa e que, creio, foi modificada para "apoio social aberto à comunidade", seja lá o que isto for. Recentemente, Santana Lopes escreveu umas linhas onde abordou superficialmente a MITRA e escreveu que quando viu aquilo mandou limpar, comprar coisas novas etc. Imaginem portanto como seria coisa!
Bom, eu sei o que é a MITRA, correção, o que era, mas com rigor, não sei, mas ouvi muito falar de coisas concretas. Um horror, que se manteve décadas.
Eu teria 5 a 6 anos creio, e ouvia nessa altura falar várias vezes sobre isto, em casa dos meus avós maternos. A minha bisavó materna, que ainda conheci e faleceu creio que tinha eu quase 10 anos, morou sempre no Poço do Bispo e, por razões que não interessam agora, sabia bem o que era a MITRA. E falava disso. E contava. Fico por aqui.

Do dicionário,
VELHO - que tem muita idade, antiquado, antigo, muito usado.
IDOSO - que tem muita idade, velho.

Pois salvo melhor opinião, que sempre respeito, a avaliação da saúde de uma sociedade também se deve fazer olhando a como o Estado ou seja os poderes públicos e concretamente a começar nos governos, tratam das crianças e dos idosos.
Que políticas sociais, a questão dos lares, as instituições de saúde, a segurança social, os cuidados médicos e outros em fim de vida.
Não creio que na Europa, Canadá, Austrália, EUA, Nova Zelândia, exista um único país que não tenha algum "sem abrigo”, alguma pobreza.
Mas em Portugal as coisas não estão bem, e o "cancro" vem de muito mas muito antes do 25 de Abril. Só que depois do 25 Abril muita promessa, alguns melhoramentos, mas...................
Ferro Rodrigues há dias parece que desabafou alto e bom som sobre a questão dos lares. O inefável Costa e a inenarrável Godinho não devem ter apreciado. Mas como no passado, ele deve estar-se a c**** para a eventual incomodidade dessas criaturas.

O que são os lares?
Superficialmente, digo eu, deviam ser infra-estruturas onde os idosos ainda bem de saúde mental ou já não, pudessem ser acolhidos acarinhados e acompanhados em todos os planos que não apenas os de saúde. Infra-estruturas e instituições privadas ou associativas, mas todas fiscalizadas pelos executivos.
Mas perguntem ao padre Lino Maia e ao sr Manuel Lemos que estão há décadas a chefiar este tipo de "casas" que eles explicam melhor.

Com a pandemia mais a nu ficou este tema, mais evidente ficou o muito que há décadas se esconde.
Registaram-se as mortes que surpreenderam muitos, registaram-se as cronologias de Reguengos e de outros locais, etc. Agora surgiu o Montepio, e mais haverá..............
Somou-se a isto uma enorme algazarra política e corporativa, a esmagadora maioria sem um pingo de vergonha na cara.
Com a pandemia mais a nu está o panorama em causa. À mostra, escancarada, a vergonha nacional.

Pode escrever-se que existem dois tipos de cemitérios, os dos vivos e os dos mortos. Pode escrever-se o que quiserem. E todos arrotam com as dificuldades do Estado, com o fechar de olhos por parte do Estado.
NÃO, os sucessivos primeiros ministros, de todos os partidos,  os sucessivos governantes de todos os partidos, os sucessivos deputados de todos os partidos, os sucessivos presidentes da República, os sucessivos autarcas, são esses, é essa canalha que não liga há anos a este assunto e agora se espanta com Reguengos ou com o Montepio no Norte.
E não tem havido mais, não há mais, que não é noticiado?
Demitem-se de fazer o que deviam, de cuidar do que deviam, mas nunca se demitem dos poleiros.

Sim há um país clandestino nesta área.
Como já vi escrito e concordo, o ministério da saúde ignora os lares por configurarem uma situação social específica. O da chamada solidariedade e segurança social ignora os lares por representarem uma condição específica da saúde pública.
E, portanto, digo eu, temos pelo país fora lares ilegais/ clandestinos em que alguns de vez em quando são descobertos, lares legais com condições confrangedoras, lares legais com condições razoáveis ou mesmo boas. E temos, portanto, lares numa vivenda pequena onde se amontoam idosos, lares em ruas conhecidas das avenidas em Lisboa com escassos utentes e preços carotes, lares em edifícios de 3 ou 4 andares com perto de 100 idosos, etc. Teremos, provavelmente, mensalidades de 700, de 1000, de 1350, de 1500, de 3500 €.

O que são os lares?
O meu conhecimento nesta matéria advém da experiência de uma prima que teve a irmã num lar aceitável em Lisboa durante 14 anos e onde minha mãe esteve também um ano. Lar que conheço bem.
A minha experiência directa, a 100%, tem portanto uma fita temporal de ano e meio, mas tenho bem presente as dificuldades e as questões vividas por familiares.
Há lares de misericórdias, e etc., não vou maçar com isso. Em muitos casos ligações mais ou menos vincadas à igreja. 
Um lar terá uma direcção. Um lar pode ter uma directora tonta ou uma eficaz que não delega na enfermeira chefe as suas responsabilidades directas.
Deve ter apoio médico dedicado, há normas para isso.
Fornece alimentação, havendo quem a confeciona dentro da casa, e quem a receba de "catering".
Deve ter serviço de limpeza.
Lares há que têm certos entretenimentos semanais, apoio psicológico, educação física/ ginástica apropriada para idosos, ocupação de tempo livres. Muitos não terão nada disso. Alguns terão agregadas umas instalações para cuidados continuados.
Há associações integrando lares que dão apoio na comunidade onde se inserem.

Isto dito, que dificuldades, que problemas?
Não vou continuar a falar dos governos.
Olhe-se a coisa concretas.
Para perceber melhor, atente-se em quem cozinha, à idade e à cor da pele, e à nacionalidade.
Atente-se no pessoal de enfermagem, à idade.
Atente-se no pessoal administrativo.
Que formação?
E quanto lhes pagam?
Como resolvem os problemas logísticos e de manutenção de equipamentos?

Quando um alarve indica que os lares não são do Estado está tudo dito quanto ao estado actual desta área da sociedade.
Quem elabora as normas? As leis? Os enquadramentos legais?
Quem tem o dever da fiscalização?
Quem não preenche quadros de ministérios para controlar as áreas sociais?

A somar a tudo isto temos depois algumas pessoas usando o seu poder funcional, pessoas estúpidas que nem com cartas registadas com aviso de recepção arrepiam caminho.
A somar a isto tudo, temos doutoras da mula russa que nem educação suficiente têm para saber que devem responder a perguntas directas e educadas dos familiares.

Dirão, resta-te a queixa formal. Eu sei, mas tudo isto é desgastante e muitos têm a noção de que existe impunidade, incompetência, e o continuado fechar de olhos.
Mas a publicidade com o presidente da câmara mais a presidente da concelhia e mais a presidenta da distrital do partido a dar loas a certo melhoramento, isso não faltou.
O assunto LARES é um assunto político.
Tem a ver com a falta de atenção de décadas com que os políticos vergonhosamente trataram este sector que abrange milhares de pessoas idosas.

Há muito malandro a ganhar dinheiro, vergonhosamente.
O enquadramento ao nível dos organismos e apoio social parece-me uma vergonha.
O cancro vem de longe, mas o manhoso continua a lavar as mãos, pior que Pilatos.
AC

terça-feira, 1 de setembro de 2020

E EM LISBOA, NÃO TERÁ HAVIDO JÁ COISAS SEMELHANTES, SILENCIADAS?
(do Público online)
O surto de covid-19 que afectou um lar de luxo no Porto, a Residência Montepio, na Rua do Breiner, provocou a morte a 16 pessoas, num universo de 48 infectados (29 utentes e 19 profissionais). Ainda há três pessoas internadas. Os números foram disponibilizados ao PÚBLICO pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, após pedidos insistentes de informação e numa altura em que o PÚBLICO já informara esta autoridade que iria noticiar a morte de 14 das 24 pessoas que tiveram que ser internados.....
E em Lisboa? No passou nada, nada mesmo?.
AC

sábado, 29 de agosto de 2020

LEMBRADOS por esse PAÍS FORA
De formas diversas, mas também pela toponímia, por todo o País se registam nomes de homens e mulheres ilustres, querendo eu com isto dizer os que a história mais recorrentemente aponta.
Mas designadamente ao nível das autarquias, pela toponímia, estatuária e outros meios, se relevam homens e mulheres e profissões do quotidiano ao longo de séculos.
Mas Portugal não foi feito com um punhado de homens ilustres, apenas, ao longo dos séculos milhares/ milhões de portugueses erigiram o que hoje chamamos Portugal. Sem eles não haveria Portugal, creio.
Houve e sempre haverá, os que mais se distinguem nas artes, na política, na vida guerreira, na economia, na filosofia, etc. etc.
A sociedade evoluirá se tiver, creio eu, um bom grupo dirigente, a todos os níveis, e uma população crescentemente educada e atenta.
O País crescerá e desenvolver-se-á se a maioria for cada vez mais maioria, na perspectiva do combate ás desigualdades, no combate pela liberdade em todas as suas formas, no pugnar pelo desenvolvimento equilibrado, no pugnar pelo igual acesso de oportunidades, no pugnar pelo escrutínio democrático da vida em sociedade e particularmente no que se refere aos poderes públicos e máquina do Estado. 
Neste post de hoje partilho gente a mais diversa. 

Periodicamente partilho o que por aí vou vendo, e cada vez me interrogo mais sobre o meu País e o estado em que estamos. E tenho sempre presente que quantos mais se calarem pior será para a sociedade.
O que se tem passado nomeadamente nas últimas três semanas, com um banditismo político do mais atroz protagonizado por habilidosos como alguns dos vários tontos da comunicação social lhes chama, é das coisas mais abjectas da história política do nosso País. O inquilino em Belém bem pode pregar, esquecendo-se do que tem contribuído. Agora até está quase a alcançar nu mandato o nº de vetos do seu antecessor no total dos dois mandatos.!!!!

A esperança em mim não morre, ainda que, confesso, ando muito irritado com coisas concretas na nossa sociedade e nomeadamente com algumas com impacto directo na vida familiar. E tanto mais irritado quando assisto à vergonhosa propaganda, demagogia e mentira dos actuais responsáveis (???) acerca daquilo com que lido na realidade.
Uma descarada e despudorada ausência de vergonha na cara da parte do actual PM e alguns companheiros e companheiras.
Refiro-me à classe médica e à classes dos enfermeiros e à questão dos LARES.
António Cabral

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

QUER AVALIAR o INDÍCE de VIGARICE ?
Fácil, basta procurar por aí.
Por exemplo, nesta informação breve retirada do JN, 
...Realizadas 500 visitas num universo superior a 2500 residências. Ministra prevê fazer mais mil neste mês....
veja lá onde está a demagogia, a pouca vergonha?
Eu ajudo.
Se há anos, neste tema, todos os governos, repito, todos os governos (embora se deva ter presente que PS governou mais anos nos últimos 25/27),  têm culpas imensas no cartório, quando se refere que as visitas / vistorias / inspeções não realizadas são pelo menos ás centenas, se uma criatura agora refere prever realizarem-se num mês mil dessas visitas, a vigarice demagógica está exactamente aqui.
Outra vigarice é anunciar que vão ser contratados 15000 funcionários para lares e similares.
É como estamos.
Depois, dos chamados jornalistas (???), NENHUM toma conta deste processo para acompanhar o que é publicado em DR 2ª série e verificar ao fim de, 3 meses ?, quem foi contratado e para onde. Sim, porque estas coisas não são tratadas de boca, apenas.
De bocas, e demagogias, trata diariamente o maior intrujão político da nossa praça.
AC