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quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

PORQUÊ   o   BLOGUE ?

Chapéus há muitos

Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar. 

Porque me apetece. É para mim.
Comecei-o em finais de 2013, concretamente a 11 de Dezembro depois de não querer continuar a maçar um homem da minha profissão que muito prezo, e me aturava e aos meus desabafos. A quem estou grato.
Chapéus há muitos e este é um deles.
Eu não gosto nada que me tentem enfiar barretes, nunca gostei; desde os meus 15 anos de idade que em casa particularmente a avó materna me intitulou "escarapão" (pessoa arisca, seca) pois já nessa altura não apreciava ser tratado como bebé e enganado, ou infantil retardado.

Barretes enfia quem quiser. Depois queixem-se.
Este chapéu em cima que foi fotografado em 2011 na terra Brasileira dos coronéis (Ilhéus), e Vasco Santana, inspiraram-me para o nome do blogue.

E, quanto a Facebook, Instagram, Twitter, etc. ?
Respeito quem opta por eles, mas não tenho nem nunca tive conta nessas e em outras redes sociais. Duvido que algum dia venha a ter.
Fico só com o blogue. 
Partilho aqui a minha opinião, e respeito sempre as dos outros concordando ou delas discordando. Não sou do contra porque sim.

TER um BLOGUE ?   PORQUÊ ?
Porquê ter um blogue? 
Partilhar opinião, e desabafar. Apetece-me escrever, corrigir-me quando for caso disso, meditar.
Opinião, divulgá-la. Aceitem, comentem ou não.

Muitos o fazem também nas outras redes sociais mas essas não as quero utilizar.
Respeitando sempre a opinião e entendimento alheios, nessas redes onde não quero ter conta, tenho a sensação de que a superficialidade é muito maior a maioria das vezes.

Teoricamente, para o cidadão comum está igualmente disponível, por exemplo, escrever para os orgãos de comunicação social, e nomeadamente do tipo "cartas ao director". 
Mas, para lá delas, é difícil e mesmo quase impossível o acesso aos OCS se não integrar, de certas formas, o "sistema". 

Ter lá amigos ou pelo menos conhecidos de antanho. E se tiver cartão colorido melhor, é então muito fácil. 
Vê-se isso com paisanos e militares, muitos que se reclamam de não ser filiados. 
Pois! Ah, além disso é fácil de verificar que por vezes certos textos aparecem para preencher aquela "quota" de rebelião ou contraditório - até aquela associação, até aquele político, até aquele militar, ..... 

Aqui, tento fazer alguma coisa e, se falho, e tenho falhado, e falharei ainda certamente, pelo menos fico melhor de certeza do que aqueles que se acomodam, que tentam nada fazer e conseguem-no plenamente. Já abordei isto no passado. É o meu lema. Volto ao tema.

Ter um blogue, opinar e, adicionalmente, tentar não ser cerceado na informação, lendo cá dentro e lá fora, lendo, pesquisando.
Já me disseram, insiste em escrever cartas aos directores de jornais e revistas, ao PM, ao Presidente da República.
Pois, pode ser, mas a minha experiência nesse campo (OCS) mostra bem como vamos de jornalismo, e fico-me por aqui, além do já referido supra. 
Arranjam/ arranjaram sempre as desculpas as mais idiotas como a de que o artigo tem caracteres a mais mas, depois, vai-se a ver, os jornais estão cheios de "lençóis" dos habituais comentadores encartados. 
Quanto ao PR, sei o que escrevi e registo o seu ensurdecedor silêncio.

Isto dito, não me parece que o - Chapéus há muitos - possa ser rotulado de ""alinhado"" seja com o que for, seja com quem for.
Sou alinhado sim, na procura do rigor embora admita ter falhado aqui ou ali, na procura do esclarecimento factual, porfiando a isenção, sempre sem intolerância, reconhecendo quando erro. 
Tenho coluna vertebral. Não pratico "partidarite". Não sou político. Tempo opinião.

Alinhado com preocupações pela minha sociedade, não me isolando das envolventes interna e externa. 
Alinhado com a instituição a que me prezo de pertencer agora como reformado há anos, não deixando de muito lamentar o que alguns fizeram de prejudicial ao longo de anos. Nem o que alguns porfiam pensando só no seu egoísta interesse pessoal.

Digo quando concordo, digo quando discordo. Chateia-me muito, sempre me chateou muito, o respeitinho serôdio que alguns dizem estar a voltar mas que, na minha opinião, já aí está bem imposto.
Respeitando sempre outrem. 

Haver troca de ideias era bom mas, infelizmente, a maioria escolhe ficar calado, não se pronunciar, não comentar. 
Respeito a postura, mas é pena, sobretudo porque suspeito que uns não comentam porque - o gajo é mais novo que eu - ou - o gajo não é da minha cor - ou - não quero reconhecer que ele tem razão - ou - é mais moderno que eu - ou - protocolarmente inferior a mim - etc. 

Dou a mão à palmatória sempre que me é demonstrado com educação  de que não vi bem uma coisa, que me enganei, que me precipitei, que mesmo sem o desejar quase possa ter agredido. 
Mas irrita-me muito os preconceituosos. Ás vezes fica-me a sensação de que alguns gostariam de estar outra vez no PREC.

Tenho a noção perfeita de que ter um blogue, opinar, desabafar, mostrar indignação, colocar à consideração dos outros perspectivas pessoais, nada no imediato resolve na realidade que nos cerca, na chamada envolvente. Não tenho sobre isto a menor dúvida.
Mas, ao mesmo tempo, lembro-me do ratinho que, mijando no 
oceano dizia - qualquer bocadinho pode ajudar.

A liberdade, e designadamente a de expressão e a de opinião, é porventura o primeiro mandamento da nossa convivência democrática.
Como referido no dia da minha emancipação bloguista em 11 de Dezembro 2013 (porque fui sempre muito bem acolhido no blogue de um bom amigo a que acima já aludi), decidi-me a criar um blogue muito motivado, também, pela minha amadora devoção à fotografia. 
Adicionalmente, fico mais à vontade no que pondero e escrevo. 
Aqui e ali tento divagar por temas variados e até reproduzir graçolas ou abordar assuntos como cultura, património, culinária, doçaria, viagens, etc.

Não faço, não tenho que fazer, não farei combate político.
Mas não me calo mesmo que alguns francamente não gostem, que achem de mau tom.

O respeito pelos titulares dos órgãos de soberania é um assunto delicado e deve ter-se isso presente.
Mas respeito pouco ou a caminhar para o nada quem acintosa e sucessivamente a pouco respeito se dá e desperdiça capital político.
Interessa-me a vida, a minha, a dos meus, a dos meus concidadãos, as ideias, os princípios e os valores.

Preocupa-me a infelicidade de milhões mas a começar nos portugueses cá dentro e os da diáspora
Chamem-lhe nacionalismo se quiserem. Não me é indiferente o sofrimento alheio como o que de terrível se passa na Ucrânia, mas irrita-me solenemente reportagens como na SIC a mostrar lugar estrangeiro onde se passam dificuldades enormes em vez de vasculhar no Portugal Continental ou no Norte da ilha de S.Miguel e verificar o "esplendor" cá dentro.
Preocupam-me, as desigualdades gritantes e muitas persistem em Portugal, tal como a pouca eficácia de instituições como por exemplo o sistema de justiça nacional cujo desfecho é, muitas das vezes, caricato, deplorável mesmo.

Como aquela criatura que se julgava ministra da justiça a perorar sobre a aprovação do pacote de combate à corrupção; se não estou enganado ficou um detalhe curioso nesse pacote, para não dizer pornograficamente escandaloso, o enriquecimento ilícito fora desse combate. 

E os reguladores que pouco ou nada regulam, e de independência duvidosa, e estão sempre muito atentos à posteriori? E as informações de preços de combustíveis 8 Km antes de cada estação de serviço, sempre surpreendendo-nos com preços iguais? 
Mas Marcelo disse que em 1922 não tínhamos reguladores e que agora temos. Eis um bom exemplo de descarada ausência de vergonha na cara, quando se verifica a partidarização de cargos de regulação, a começar no Banco de Portugal.

Estou completamente farto de tanta pouca vergonha, dos múltiplos exemplos da podridão que prosseguem mas sempre resguardados nos pareceres que nunca dão a conhecer aos cidadãos. 
Farto de tanta demagogia destas pandilhas que só se sentam à mesa do OE e aconselham os negócios aos amigos e familiares, muitos desde idade tenrinha. 
Farto de cada vez mais Estado, dos gritos de demagogia e das mentiras, para depois jantarem todos num qualquer bom restaurante da capital ou no Norte.

Farto de exemplos vergonhosos como festejar eventos com opíparos jantares em conhecidos restaurantes da capital, sobrando para os contribuintes o pagamento de uns milhares de euros para despudorado contentamento de uns sem vergonha.

Repulsa pelos abusos, demagogia, cinismo, desfaçatez, e ainda por uns quantos que dadas as suas importantes mas temporárias funções na sociedade se têm como devendo estar acima da LEI.
Todos têm que se explicar, prestar contas, explicar as decisões com frontalidade e transparência. Coisa que não se vê.

A democracia tem regras que, sempre que as coisas desagradam a certa gentinha, fazem por esquecer. Como anda acontecendo, outra vez e outra vez. 
Infelizmente, são imensos desses que dominam nas instâncias de poder, aliados a escritórios e "donozinhos" disto e daquilo. Existem umas quantas honrosas excepções, mas são bastante menos que a maioria bafienta.

Preocupa-me muito a vida e futuro dos das faixas etárias que actualmente têm entre 10 e 20 como os meus netos, os de 30, 40 e 50 anos. Quase todos nascidos depois do 25 de Abril. 
Preocupa-me que muitos (presumo, mas não devo estar muito errado) não se revejam em nenhum partido actual. 
Preocupa-me, e eu senti-o, que não consigam participar efectivamente a não ser que se metam em "jotas" ou em certas áreas nas autarquias, ou em certas organizações capturadas. 
Preocupa-me o simplismo que hoje se vê muito, o - ou és por mim ou estás contra mim -, ou só subirem aqueles que dizem "amém" aos chefes!

Continuarei a acompanhar o que se passa no mundo, darei a minha opinião, tentarei continuar assertivo e o mais rigoroso possível, e mesmo com as "SS" e as "LL" ás vezes a reclamarem, não me dobro nem me sento. 
Tenho coluna vertebral sem deformações ou melhor, algumas vértebras têm mazelas, mas são ÓSSEAS! ÓSSEAS!"

Subordinado aos ditames da nossa CRP, nunca submisso nem politicamente correcto. 
Só sou conservador nos valores e princípios, e cada vez me repugna mais a narrativa oficial que vai escondendo muita coisa. 
Não me incomodam as mudanças mas incomodam-me as modas e as banalidades e a desonestidade intelectual. 

Como bem assinalado, "Recomeça..........se puderes, sem angústia e sem pressa, e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcançares não descanses, de nenhum fruto queiras só metade." (MIGUEL TORGA)
Isto dito, nada mais,..............pintassilgos não são pardais.

Afinal, apenas mais isto.
Um blogue, escrevendo com assiduidade, acompanhando de perto a envolvente interna e externa, partilhando opiniões, à luz do que acima referi. E chapéus há.............. muitos. 
Mas, também há muitos barretes.
E eu não gosto nada que me tentem enfiar barretes.
Deste chapéu em baixo gosto!
Com algumas imprecisões involuntárias, com algumas correções "a posteriori", com algum erro aqui ou ali, é minha decisão profundamente ponderada e determinada, pelas razões objectivas supra referidas
continuar sempre que possível a escrever diariamente. 

Como sempre faço, respeito a opinião de outrem, respeitem por favor as minhas e se assim quiserem ter a gentileza, ajudem-me a ser melhor cidadão.
A terminar, muitos poderão entender que algumas das minhas críticas visam certas pessoas mas não, visam apenas o esquecimento da dignidade que essas pessoas devem ao cargo que temporariamente exercem.
E por isso em algumas pessoas votei no passado mas neles deixei de votar.
António Cabral (AC)

sábado, 29 de janeiro de 2022

PONTOS  de  VISTA
Não faço a menor ideia do que nos trará a noite de 30 de Janeiro próximo. Como referi anteriormente, a propósito das eleições legislativas antecipadas e de muitos outros temas, vejo pouca televisão. No caso da propaganda eleitoral, vi poucas coisas.

Tenho sensações e certezas.
CERTEZAS:
> mentem todos, TODOS sem excepção, mas mais descaradamente, André Ventura, António Costa e vários outros socialistas, Comunistas, Bloquistas, "PANzinhos", "Verdinhos", "Chiquinhos", "Livrinhos".
> António Costa reza todos os dias para perder e ver-se livre,
> a maioria dos meus concidadãos não se importa que não se discutam seriamente os assuntos que ditam a nossa vida
> que a imbecilidade de certas afirmações denotam desespero

SENSAÇÕES:  
> que António Costa já esteve mais confiante na vitória,
> que uma grande parte dos meus concidadãos continua amorfa,
> que Rui Rio já esteve mais confiante na vitória,
> que Rui Tavares reza todos os dias para conseguir arranjar trabalho na AR, ainda que não seja a mesma coisa que a Europa,
> que no dia 30 de Janeiro, Portugal estará numa situação política muito complexa
AC

terça-feira, 23 de março de 2021

UM  CIDADÃO,  DIGNO
Tem:
DignitasGravitasHonestasSimplicitas.
Ou seja, tem dignidade, seriedade, honestidade, simplicidade.

Tem coluna vertebral, com "ossinhos", e não uma coisa mole de colagénio esponjosorespeita-se, e respeita sempre os outros, respeita sempre os concidadãos, podendo ou não discordar de opiniões de outrem. Discordar, civilizadamente, é parte do regime democrático.

Como se continua a ver por aí......em particular nas últimas semanas, há quem não goste que se discorde, que se argumente; como se continua a ver por aí, parece estar a descer devagarinho o desejo do velhinho respeitinho. 
Lembrei-me outra vez disto, pelo estendal de porcaria que alastra e a propósito, também, das contínuas elucubrações políticas dos grandes titulares de orgãos de soberania. 

António Cabral (AC)


Ps: não é preciso recordar que políticos, governantes e titulares de orgãos de soberania são cidadãos, pois não?
Cidadãos dignos assumem as suas responsabilidades, como se vê há décadas, não é?

sexta-feira, 19 de março de 2021

TER um BLOGUE ? PORQUÊ ?
Porquê ter um blogue? Partilhar opinião.
Opinião, divulgá-la. Muitos o fazem também em outras redes sociais, Facebook, Twitter, Instagram, por exemplo. Respeito, mas essas não quero.
Respeitando a opinião e entendimento alheios, sempre, nessas redes onde não quero ter conta, tenho a sensação de que a superficialidade é muito maior a maioria das vezes.
Teoricamente, para o cidadão comum está igualmente disponível escrever para os orgãos de comunicação social, e para começar tipo cartas ao director. Mas, para lá delas, é difícil e mesmo quase impossível o acesso aos OCS se não integrar, de certas formas, o "sistema". Ter lá amigos ou pelo menos conhecidos de antanho. E se tiver cartão colorido melhor, é então muito fácil. Vê-se isso com paisanos e militares, muitos que se reclamam de não ser filiados. Pois.

Aqui, tento fazer alguma coisa e, se falho, e tenho falhado algumas vezes, e falharei ainda certamente, pelo menos fico melhor de certeza do que aqueles que tentam nada fazer e conseguem-no plenamente. Já abordei isto no passado. Volto ao tema.

Ter um blogue, opinar e, adicionalmente, tentar não ser cerceado na informação, lendo cá dentro e lá fora, lendo, pesquisando.
Bom, já me disseram, escreve cartas aos directores de jornais e revistas, ao PM, ao Presidente da República.
Pois, pode ser, mas a minha experiência nesse campo (OCS) mostra bem como vamos de jornalismo, e fico-me por aqui, além do já referido supra. Arranjam-se as desculpas as mais idiotas como a de que o artigo tem caracteres a mais mas, depois, vai-se a ver, os jornais estão cheios de "lençóis" dos habituais comentadores encartados. Quanto ao PR, sei o que escrevi e registo o ensurdecedor silêncio.

Isto dito, não me parece que o - Chapéus há muitos - possa ser rotulado de ""alinhado"" seja com o que for.
Sou alinhado sim, na procura do rigor embora admita ter falhado aqui ou ali, na procura do esclarecimento factual, porfiando a isenção, sempre sem intolerância, e reconhecendo quando erro. 
Tenho coluna vertebral.
E alinhado com preocupações pela minha sociedade, não me isolando da envolvente interna e externa. Alinhado com a instituição a que me prezo de pertencer agora como reformado, não deixando de muito lamentar o que alguns fizeram de prejudicial ao longo de anos.
Digo quando concordo, digo quando discordo. E chateia-me muito, sempre me chateou muito, o respeitinho serôdio que está a voltar.
Respeitando sempre outrem. Haver troca de ideias era bom mas, infelizmente, a maioria escolhe ficar calado,  não se pronunciar, não comentar. Respeito a postura, mas é pena. 

Dou a mão à palmatória sempre que me é demonstrado com educação  de que não vi bem uma coisa, que me enganei, que me precipitei, que mesmo sem o desejar quase possa ter agredido. Mas irrita-me muito os preconceituosos.
Tenho a noção perfeita de que ter um blogue, opinar, desabafar, mostrar indignação, colocar à consideração dos outros perspectivas pessoais, nada no imediato resolve na realidade que nos cerca, na chamada envolvente. Não tenho sobre isto a menor dúvida.
Mas, ao mesmo tempo, lembro-me do ratinho que, mijando no 
oceano dizia - qualquer bocadinho pode ajudar.

A liberdade, e designadamente a de expressão, é porventura o primeiro mandamento da nossa convivência democrática.
Como referido no dia da minha emancipação bloguista em 11 de Dezembro 2013 (porque fui sempre muito bem acolhido num blogue de um bom amigo durante vários anos antes), decidi-me a criar um blogue muito motivado, também, pela minha amadora devoção à fotografia. Adicionalmente, fico mais à vontade no que pondero e escrevo. Aqui e ali tento divagar por temas variados e até reproduzir graçolas ou abordar assuntos de culinária e doçaria.

Não faço, não tenho que fazer, e não farei combate político. Mas não me calo mesmo que alguns francamente não gostem, achem de mau tom. 
Interessa-me a vida, a minha, a dos meus, a dos meus concidadãos, as ideias, os princípios e os valores. Preocupa-me a infelicidade de milhões mas a começar nos portugueses cá dentro e os da diáspora. Preocupa-me, as desigualdades gritantes e muitas persistem em Portugal, a ineficácia de instituições como por exemplo o sistema de justiça nacional cujo desfecho é, a mais das vezes, muito caricato, deplorável mesmo. Ainda hoje aquela criatura que se julga ministra da justiça veio perorar sobre a aprovação do pacote de combate à corrupção; detalhe curioso, para não dizer pornograficamente escandaloso, o enriquecimento ilícito fica de fora desse combate. 
E os reguladores que pouco ou nada regulam, e estão sempre muito atentos à posteriori? E as informações de preços de combustíveis 8 Km antes de cada estação de serviço, sempre surpreendendo-nos com preços iguais? 

Estou completamente farto de tanta pouca vergonha, de que o que se passa com a EDP no presente é um dos múltiplos exemplos da podridão que prossegue. Farto de tanta demagogia destas pandilhas que só se sentam à mesa do OE e aconselham os negócios aos amigos, muitos desde idade tenrinha. Farto de cada vez mais Estado, dos gritos de demagogia e das mentiras, para depois jantarem com os cachorros num qualquer bom restaurante da capital.

Não aceito os abusos, a demagogia, o cinismo, a desfaçatez, e menos ainda que uns quantos dadas as suas importantes mas temporárias funções na sociedade sejam tidos como devendo estar acima da LEI.
Todos têm que se explicar, prestar contas, explicar as decisões com frontalidade e transparência. Coisa que não se vê.

A democracia tem regras que, sempre que as coisas desagradam a certa gentinha, fazem por esquecer. Como anda acontecendo, outra vez e outra vez. Infelizmente, são imensos desses que dominam nas instâncias de poder, aliados a escritórios e "donozinhos" disto e daquilo. Existem umas quantas honrosas excepções, mas são bastante menos que a maioria bafienta.

Preocupa-me muito a vida e futuro dos das faixas etárias que actualmente têm entre 10 e 20 como os meus netos, os de 30, 40 e 50 anos. Quase todos nascidos depois do 25 de Abril. 
Preocupa-me que muitos, presumo mas não devo estar muito errado, não se revejam em nenhum partido actual. 
Preocupa-me, e eu senti-o, que não consigam participar efectivamente a não ser que se metam em "jotas" ou em certas áreas nas autarquias, ou em certas organizações capturadas. 
Preocupa-me o simplismo que hoje se vê muito, o - és por mim ou estás contra mim -, ou só subirem aqueles que dizem "amém" aos chefes!

Continuarei a acompanhar o que se passa no mundo, darei a minha opinião, tentarei continuar assertivo e o mais rigoroso possível, e mesmo com as "SS" e as "LL" ás vezes a reclamarem, não me dobro nem me sento. Tenho coluna vertebral sem deformações melhor, algumas vértebras têm mazelas, mas são ÓSSEAS!
Subordinado aos ditames da nossa CRP, nunca submisso nem politicamente correcto. Só sou conservador nos valores e princípios, cada vez me repugna mais a narrativa oficial que vai escondendo muita coisa. Não me incomodam as mudanças mas incomodam-me as modas e as banalidades e a desonestidade intelectual. 
Como bem assinalado, "Recomeça..........se puderes, sem angústia e sem pressa, e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcançares não descanses, de nenhum fruto queiras só metade." (MIGUEL TORGA)
Isto dito, nada mais,..............pintassilgos não são pardais.
Afinal, apenas mais isto.
Um blogue, escrevendo com assiduidade, acompanhando de perto a envolvente interna e externa, partilhando opiniões, à luz do que acima referi. E chapéus há.............. muitos. Mas, também há muitos barretes.
E eu não gosto nada que me tentem enfiar barretes.
Barretes enfia quem quiser. Depois queixem-se. Este chapéu abaixo, fotografado em 2011 em Ilhéus, Brasil, terra dos coronéis, e Vasco Santana, inspiraram-me para o nome do blogue.
António Cabral (AC)

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

UM  BLOGUE,  PARA QUÊ ??
CRITÉRIOS  para  BLOGUE. 
A esmagadora maioria dos OCS nacionais (e internacionais) culpam as redes sociais pelo avassalador declínio do jornalismo em geral, e particularmente no que respeita à queda galopante de vendas de jornais e revistas.
Pela minha parte tendo a dar-lhes um pouco de razão mas, opinião pessoal, a maior parte da responsabilidade por esse declínio cabe dentro de portas desses OCS e desses jornalistas do presente, tudo já muito bem explicado por quem bem percebe do tema, como por exemplo entre outros, num blogue dos de maior qualidade que conheço e que é decente, aberto, civilizado.

Observar as caixas de comentários em blogues ou nos OCS “online” explica muito da pobreza do nosso presente.
Por outro lado, também, muito se vaticinou já quanto à morte dos blogues. Muitos creio que defenderam e defendem que Twitter e Facebook e etc. é que é bom, modernaço, “cool”. Respeito, mas discordo. E só tenho este meu blogue. Esporadicamente colaboro com  outro.

Creio que num blogue se pode brincar um pouco, tentar fazer rir, até porque rir é essencial à boa saúde. Onde se podem expressar opiniões,  trocar opiniões, defende-las com argumentos. Podem partilhar-se fotografias. 
Falar de cultura. Gastronomia. Viagens. Falar do presente como a pandemia ou os cuidados de saúde, falar de questões sociais como os lares e os idosos. Com o nosso contributo procurar ajudar outrem a perceber o nosso país. Apresentar dúvidas. E ouvir, escutar. Registar.
E procurar ser sempre rigoroso. 

Pela minha parte, acompanho os acontecimentos, por cá e lá por fora. 
Tenho conseguido estar aqui diariamente. Procuro temas variados, não me foco apenas nisto ou naquilo. Tenho as minhas opiniões, respeito as de outrem, concorde ou não. Não me resigno, e tenho muita pena por ver que muitos e concretamente vários que conheço, se encolhem em participar no diálogo. 
Pessoalmente não tenho problema algum em comentar opiniões alheias, por exemplo de pessoas da minha profissão. E é muito gratificante para mim ter as opiniões deles, e de outros.
Tenho muita pena da grande ausência de diálogo, pois continuo convencido, muito convencido, de que o texto por baixo do título do blogue espelha muito dos porquês da nossa sociedade estar como está. 
A maioria cala-se.
E também não tenho problema algum em confessar e corrigir se e quando me engano, ou coloco assuntos de forma não adequada.

Tenho esperança no futuro, ainda que eu próprio por vezes com alguma dureza em certas críticas possa parecer que me sinto já derrotado. Tenho esperança no futuro ainda que o presente do nosso país esteja uma desgraça, e as trevas se acumulem no horizonte.
Portanto, um dia de cada vez, sempre com rigor, bom senso, humildade, dignidade, e sempre com a coluna vertebral bem direita.
António Cabral (AC)

sábado, 4 de abril de 2020

DIFERENÇAS  DE  OPINIÃO
A RESPEITAR, sempre, concorde-se ou não.
MAS PODEM E DEVEM SER PONDERADAS, ARGUMENTADAS, NO PLANO DAS IDEIAS. Não com ordinarices, como se vê muito por aí.
QUANDO ERRO PROCURO NÃO ME ESQUECER DE DAR A MÃO À PALMATÓRIA,.........

AC

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

PLURALISMO, OPINIÕES
Como sempre acontece, relativamente ao debate (???) de ontem na RTP1 entre os dois candidatos a chefiar o PSD, jornais, canais TV, bloguistas, desdobraram-se em defesa de Rui Rio, ou de Santana Lopes, alguns sugerindo empates. Houve comentários de género variado, desde derrota, a encosto ás cordas.
Em alguns casos, ficou-me a sensação de que a atribuição da vitória derivou mais de ser acólito ou seguidor do que de análise crua e imparcial. Respeito, como sempre as outras opiniões.
Como já o referi, compreendo que PSL seja considerado um animal político mas, no meu entendimento, sempre tratou de pensar na vidinha pessoal. 
Não me parece que se encontrem muitas coisas positivas da sua governação da CMLisboa. Não conheço nada acerca da Figueira da Foz. 
Quanto a secretário de estado da cultura é sempre interessante ouvir falar pessoas do meio, sobre ele e os outros que se lhe seguiram.
Quanto a primeiro-ministro efémero repito, um político que no discurso de posse dá o espectáculo deplorável que ele deu, gaguejando, passando folhas, enganando-se, ministros que ficam na altura a saber para onde iam, isso devia ser coisa suficiente para evitar dizer, com a maior das latas, que não sabe a que trapalhadas outros se referem.
Não sei se tudo se deve à sua vida pessoal, ou ter ligações ao futebol. Mas não me merece nenhuma confiança para governar este desgraçado País.
Naturalmente que sei que a esmagadora maioria das pessoas vai atrás dos animaiszinhos políticos, dos engraçadinhos, das demagogias anunciadas, das expectativas atiradas aos olhos, nunca concretizadas. 
Tenho pena que a esmagadora maioria dos meus concidadãos continue a não perceber que o dinheiro não cai do céu.
Tenho pena que não ponderem porque Portugal continua um País mais atrasado que outros na Europa.
Que não façam uma revisão, sobre a cambada que destruiu o tecido industrial português, porque demorou tantos anos a corrigir alguma coisa a CRP de modo a permitir alguma recuperação, à acção de políticos como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Durão Barroso, António Guterres, Santana Lopes, José Sócrates, Vasco Gonçalves, etc etc.
Como acertadamente  um amigo diz, a esmagadora maioria trata a política como o futebol, e os partidos como clubes. Sempre o velho lema - “se não estás comigo, estás contra mim”, ou numa famosa versão - "para os amigos tudo, aos inimigos nada, aos outros aplique-se a lei".
Pluralismo e liberdade de opinião dentro de um partido deviam prevalecer sempre. 
Ainda sobre Santana Lopes, ontem, só a desfaçatez permite dizer com aquela cara que tanta excitação causa em certos meios - "de que nunca lhe falaram nas trapalhadas".
No que respeita a Rui Rio, conheço opiniões várias de tripeiros, de muitos que no início do seu primeiro mandato estavam muito cépticos. A realidade é que foi crescendo e geriu o Porto em três mandatos seguidos. Irrefutável.
Agora, ser um bom presidente de câmara municipal de uma grande cidade garante um bom mandato como primeiro -ministro?
Duvido e muito.
Isto dito, tirando um certo ar arrogante que devia eliminar, estou tentado a pensar que com Rui Rio as pouca vergonhas talvez não fossem tantas no País. Mas...............
Pessoalmente creio que vai ganhar PSL.
Aguardemos.
António Cabral (AC)

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS
A COMPLEXIDADE dos DESAFIOS e a CONDIÇÃO MILITAR

No dia 18 de Julho passado fui um dos muitos convidados para assistir à apresentação do livro que tem o título e sub-título supra.
O livro é da autoria do Grupo de Reflexão Estratégica Independente (GREI).
No dia 19 de Julho coloquei um post sobre o assunto, o qual agora repito.
>> O Grupo de Reflexão Estratégica Independente (GREI) promoveu ontem ao fim da tarde um evento para apresentação de um livro que o GREI pretende seja "....simplesmente um documento de divulgação e esclarecimento". 
O livro tem por título as frases supra.
Entre civis e militares fui um dos muitos convidados, e sentado estive a ouvir algumas personalidades que compunham a mesa.
O GREI deu a presidência da mesa ao general Ramalho Eanes e, para além de proeminentes elementos dos corpos sociais da associação, nela estavam e falaram e por esta ordem, o presidente da mesa da assembleia geral do GREI, o Professor Adriano Moreira que prefaciou a obra, e o Dr Jaime Gama que se encarregou da apresentação do livro.
Nos inúmeros convidados (a sala do Museu Nacional de Arqueologia estava a abarrotar) havia de tudo, desde muitos políticos conhecidos da nossa praça como Jorge Coelho ou o actual e inefável presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a pensadores ilustres como Joaquim Aguiar, professores catedráticos, muitos militares do activo na reserva e na reforma, chefes militares trajando à civil ou uniformizados, ex-chefes militares, muitos militares dos três ramos das FA, etc.
Vou ler o livro, aliás comecei ainda ontem à noite.
Voltarei ao assunto.
António Cabral <<



Como disse na altura, volto agora ao assunto pois já li o livro e, além disso e sobretudo, procurei recordar-me de coisas do passado respeitantes ás Forças Armadas (FA) isto é, consultei documentação variada e discursos passados, incluindo de vários chefes militares. Foi esclarecedor.
Antes de prosseguir, será de salientar que entre os elementos fundadores do GREI se encontram designadamente, um ex Chefe de Estado-Maior do Exército, um ex CEM da Força Aérea, um ex CEM da Armada, três ex Vice CEM da Armada, um Comandante-Geral da GNR. Ou seja, oficiais que tiveram as maiores responsabilidades nos três ramos das (FA), as maiores responsabilidades pela gestão desses ramos.
Aliás, não tendo a certeza, creio que dois desses ex- CEM não só estiveram nos cargos os três anos legais como terão sido reconduzidos.

Salvo melhor opinião, o livro é de facto um bom documento de divulgação e esclarecimento. De fácil leitura, bem elaborado.
Terá sido fácil chegar ao texto final, tendo presente as naturais diferenças de mentalidade, de postura, de inserção na sociedade do presente, e concretamente no que se refere aos ex-CEM, e concretamente tendo presente as ligações de cada um que são publicas e estão documentadas?
Talvez aí se possa encontrar uma parcial explicação para o livro ser de facto um bom elemento de divulgação e esclarecimento mas, e isso para mim é um elemento curioso que cada um interpretará como quiser, não me parece que o livro transpareça alguns aspectos dos vários discursos e tomadas de posição mais vigorosas assumidas por alguns no passado.
Posições que, do que li, pessoalmente me pareceram bem justas. Por outras palavras, e sendo brutal, nada de ofender os políticos  actuais nem as visões institucionais de ex titulares de órgãos de soberania, sempre muito elaboradas, sempre muito eloquentes, de grande elevação e patriotismo, mas tragicamente todas vazias de consequências para a realidade. Como os anos comprovam e todos sabem bem.

Considero-o um livro muito interessante, com cinco partes (Contexto social, conflitos e as guerras, a mudança organizacional, os militares e o profissionalismo, a condição militar), e dentro de cada uma extensa e sequencial referência ás evoluções históricas nacional e internacional, ás questões do antes e pós 25 Abril 1974, ás sucessivas e nunca acabadas reformas (algumas ao acaso, inconsequentes e incoerentes, inacabadas), ás questões do profissionalismo e do serviço militar obrigatório que foi extinto, e por fim a abordagem à condição militar.
Terminam os autores com uma parte que designam por "visão institucional" em que foram buscar trechos de discursos (para inglês ver ?) dos ex-Presidentes  Ramalho Eanes (para mim o mais intelectualmente honesto), Jorge Sampaio, Cavaco Silva e até do actual presidente Marcelo Rebelo de Sousa. 
Interessantíssimo, para mim naturalmente, que nesta recolha de visões institucionais nada tenha sido repescado da parte de Mário Soares enquanto PR. Há curiosidades mesmo "curiosas e bem elucidativas".

No prefácio, bem interessante, e que valoriza a obra, Adriano Moreira discorre sobre os homens e as instituições, chamando à atenção mais uma vez para a indispensabilidade de se dever olhar com outros olhos (frase minha) ás instituições como as FA, neste mundo que está cada vez mais fragilizado, senão mesmo doido, digo eu.

O livro é muito interessante, é um bom apoio para quem se preocupa com assuntos do País, da Soberania, da Defesa Nacional, das Forças Armadas.
No capítulo da condição militar discorrem sobre o assunto mas, ao mesmo tempo que confessam saber da complexidade dos assuntos, infelizmente o livro é pouco assertivo em apontar com rigor o que tem sido o sucessivo comportamento de fraude política por parte dos poderes públicos e governamentais e sucessivos titulares de órgãos de soberania.
Pela minha parte há muito que me deixei de comover com as discursatas que não têm concretização praticamente nenhuma, sobretudo de algumas que por vezes quase vinham acompanhadas de lágrimas de crocodilo.
Como me atrevo a presumir que, no seu íntimo, não poderão deixar de concordar os ex chefes militares que integram o GREI. 
Recordo aliás alguns recentes artigos de jornal de elementos do GREI e um recente programa "Prós e Contra".
Pelo que talvez não ficasse mal, mantendo exactamente a mesma elevação de tratamento dos assuntos e linguagem onde aliás se detectam contribuições técnicas de grande saber, verterem para o livro parte das suas indignações demonstradas enquanto chefes dos três ramos das FA.
A terminar, tenho as maiores dúvidas que algum jovem português se comova com o assunto em causa, e que algum compre este livro ou outro, sério e académico, sobre Defesa Nacional e sobre Forças Armadas. 
E nisso, muita culpa têm os políticos todos, designadamente desde 1991. Alguns chefes militares foram periodicamente dando uma ajudinha, com e sem socos no estômago, a começar naquele que, segundo se dizia, se proclamava como não sendo- chefe de sindicato.
António Cabral (AC)


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

COMPLETAMENTE DE ACORDO
(com  Rodrigo Adão da Fonseca)
..."O que sei é que enquanto vivermos obcecados na imposição de um igualitarismo que mata a igualdade, por um nivelamento do conhecimento que incentiva a ignorância manipulável, e destruirmos as mediações e as bases de um tecido social que sustenta as sociedades abertas, abriremos espaço de afirmação à mediocridade, à manipulação, à mera explosão dos afectos e à captura da sociedade por figuras mais ou menos pitorescas como as que vemos hoje na Casa Branca, mas também no media e nas ruas da América e da Europa, alienados numa vertigem de factos irrelevantes, a protestar contra coisas que a maioria de nós nem sabia que existiam, a berrar contra si próprios. Não me confundam com Trump, nem me associem a essa gente".
António Cabral

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Os órgãos de comunicação social, e particularmente os jornais.

Tenho dito e escrito, repetidamente, que uma sociedade nunca será equilibrada, decente, saudável, livre, sem OCS interventivos, que noticiem sem adjectivação, que tenham depois colunas de opinião, que investiguem.
Antes de 25 de Abril de 1974 havia censura, lápis azul.
No presente, não creio que exista lápis, materialmente. Mas não há censura? Seja de lápis azul, laranja, vermelho, azul, ou rosa? Cada vez tenho mais dúvidas.
E não me refiro ao recente caso do jornalista da RTP1 sobre o qual saltaram a pés juntos os puros e éticos da superioridade moral do PS. Os jornalistas não são casta à parte, são escrutináveis, são criticáveis. Mas certas reações desmascaram bem certos exaltados, certos esganiçados, certas esganiçadas.
É sabido que existem grupos dominando os OCS, com pouca transparência isto é, não é 100% dado a conhecer ao cidadão comum, quem de facto detém o quê, quem está por trás.
No que se refere aos jornais, vários desapareceram já.
Quando se olha para as tiragens, tempos houve de radiosos dias de SOL. Décadas atrás, o Expresso terá chegado a tiragens de 140000 exemplares, o DN um pouco abaixo (100 ou 110 mil) e o do Norte, o JN, teria tido tiragens talvez até superiores ao Expresso. Foi há 25 ou 30 anos?
E as exorbitâncias dos jornais ditos desportivos mas que, na realidade, quase só são sobre o futebol?
Os tempos mudaram.
Os estudiosos destas coisas avançam com justificações várias.
Todas certamente verdadeiras, embora a ponderação de cada um dos factores ou justificações seja porventura muito discutível.
Mas, com o passar dos tempos, com o desaparecimento de vários jornais, com o desprestigio de vários canais de televisão, estando a rádio em parte cativada também, e estando grupos económicos detentores de vários OCS, grupos que têm por trás muita gente ligada aos partidos e aos negócios e á promiscuidade que larva na nossa sociedade, o problema do emprego dos senhores jornalistas complicou-se.
Ao complicar-se, até porque a formação é capaz de em termos gerais não ser famosa, aumentou a superficialidade, a adjectivação de notícias, a auto-censura, a censura concreta de muitos factos e eventos, a subserviência, a má preparação, as caixas de ressonância, a gestão de agendas pessoais.
Pela minha parte, há muito que deixei de comprar o Expresso e o Público por sistema, coisa que fazia no passado. Ás vezes abro uma excepção. Raramente.
E não é por questão económica, pois essa despesa ainda posso suportar, mas a qualidade e tudo aquilo que acima apontei desgostaram-me bastante. Houve em tempos jornais de referência. Dizer isso, hoje, só por brincadeira ou tonteria.
Apercebo-me muito mais e melhor sobre o País, e o mundo, pela blogosfera navegando na Internet.
Quanto ás tiragens dos jornais, creio que números de 2014 indicavam, relativamente ao acima referido, quebras da ordem dos 50% para o Expresso, e muito superiores a 50% para DN, JN, Público.
O Correio da Manhã, no seu estilo próprio, creio que continua a aguentar-se. Mesmo os desportivos, penso que tiveram melhores dias.
Que panorama, portanto? MAU. A sociedade disso se ressente.
A esperança deve ser a última coisa a morrer. Aguardemos. Mas estamos numa fase muito má desta nossa democracia. Ou estou enganado?
AC
PS: já agora um aparte acerca da SIC; estou a exagerar ou aquilo já nem um tostão furado vale?

domingo, 21 de fevereiro de 2016

TER UM BLOGUE.    PORQUÊ UM BLOGUE?    TER OPINIÃO.
Ter um blogue, opinar, tentar não ser cerceado na informação.
Em que é que os blogues, sobretudo alguns, independentemente do que se pressente ser o seu diferente posicionamento perante a vida, a nossa sociedade, e perante a envolvente, me ajudam a melhor ponderar sobre a nossa passagem terrena e sobre o que acontece em Portugal e no mundo?
O meu entendimento, e em que a atrevida segurança que a já longa experiência de vida 
me dá escoras fiáveis, é de que com a sua leitura, cruzada com a dos "media" nacionais e internacionais, com livros, e com a visita a "sites" institucionais, melhor consigo pensar sobre a vida. A minha, dos meus, do País, do mundo.
Como referido no dia da minha emancipação bloguista em 11 de Dezembro 2013 (foi sempre muito bem acolhido num blogue de um amigo durante vários anos), decidi-me a criar um blogue sobretudo devido à minha amadora devoção à fotografia, mas também para não vir eventualmente a causar problemas ao amigo que durante anos abrigou as minhas opiniões, os meus desabafos, as minhas iras de cidadão. Ainda que continue a crer nunca me ter excedido disparatadamente nos textos que lhe fui remetendo.
Ter um blogue, opinar, desabafar, colocar à consideração dos outros perspectivas pessoais, nada resolve na realidade que nos cerca, na chamada envolvente. Não tenho a menor dúvida.
Mas perscrutar a "blogosfera", nacional e estrangeira, diz-me ou desperta-me para o que muitas das vezes não consigo saber na comunicação social portuguesa. E este é um aspecto importante e é também, a meu ver, um dos sintomas das doenças da sociedade portuguesa contemporânea. A história do Iceberg de post anterior, o pouco ou nada que se apura e o muito ou tudo que nos escondem.
Tenho as maiores desconfianças pela esmagadora maioria dos titulares dos órgãos de soberania. Incluindo os anteriores dos últimos 40 anos (não vale a pena olhar para o outro passado). E pela esmagadora maioria dos políticos e da gentinha usualmente designada por elites.
A democracia tem regras que, sempre que as coisas lhes desagradam, muitos fazem por esquecer. Como anda acontecendo, outra vez.

Quem me conhece bem, de facto, sabe que não sou do género de dizer mal por dizer. O que não significa que me coíba de reflectir por vezes com dureza acerca de muitas pouca vergonhas que continuam a macular a nossa sociedade.
Num blogue é muito fastidioso optar por textos demasiado pesados e longos. Procuro evitar. O evitar não significa incapacidade para estudos com cabeça tronco e membros, ou estudos de verdadeiro estado-maior.
Também não creio que um blogue deva servir para elogiar ou deitar abaixo este ou aquele, este ou aquele partido, etc. Há quem o faça, certamente. 
Basta-me apontar o que me parece bem e o que entendo criticável e a melhorar ou evitar de futuro. Procurando sempre (falho por vezes, certamente) não me basear em - diz-se.
Gosto de ler vários blogues. Atrevo-me a presumir que muitos dos que me visitam não se sentem desconfortáveis quando percorrem os meus textos e as minhas fotografias. Aliás, deixo a sugestão para revistarem muito para trás. Para recordarem, irem aos posts antigos.
Quem me conhece bem detecta no blogue algumas das minhas qualidades e as características que tenho procurado melhorar, pelo menos minimizar. Exactamente, os defeitos.
Não sou advogado em causa própria. Ainda assim não me parece que o - Chapéus há muitos - possa ser rotulado de ""alinhado"" seja com o que for.
Entendo que uma das tragédias nacionais está na enorme falta de cultura, na falta de educação demostrada por muitos políticos , deficiências de formação, que leva a que tantos dos meus concidadãos esqueçam sucessivamente a banditagem política que nos desgraça em cada mandato ganho nas urnas. Ganho nas urnas com promessas que antecipadamente sabiam não poder cumprir. Mas os meus concidadãos continuam a creditar. E isto angustia.
Atrevidamente, talvez muitos blogues como o meu possam dar uma pequeníssima ajuda para melhorar este estado de coisas. 
Já dizia o ratinho - "qualquer bocadinho ajuda"- e mijou no mar!
Porque não posso esquecer que existe uma diferença abissal entre homens de coluna vertebral e certos pequenotes com cartilagem nas costas que pululam a vida política e muitas empresas que o erário publico suporta.
Infelizmente são imensos desses que dominam nas instâncias de poder, aliados a escritórios e "donozinhos" disto e daquilo. Existem umas quantas honrosas excepções, mas são bastante menos que a maioria bafienta.
O que me desgosta é assistir a lutas pequeninas e estúpidas, alimentadas por fações esquisitas. Como se não houvesse outra dimensão para melhorar a nossa sociedade.
Preocupa-me, muito, as faixas etárias dos que actualmente têm entre 10 e 20 como os meus netos, 30, 40 e 50 anos. Quase todos nascidos depois do 25 de Abril. Preocupa-me que muitos, presumo, não se revejam em nenhum partido actual. Preocupa-me, e eu senti-o, que não consigam participar efectivamente a não ser que se metam em "jotas" ou em certas áreas nas autarquias, ou em certas organizações capturadas. Preocupa-me o simplismo que hoje se vê muito, ou o - és por mim ou estás contra mim -, ou só subirem aqueles que dizem "amém" aos chefes!
Fico por aqui. 

Não faço combate político. E nunca me metamorfoseei. Mas interessa-me a vida dos meus, a dos meus concidadãos, preocupa-me a infelicidade que atinge milhões, as desigualdades gritantes, a ineficácia das instituições como por exemplo a justiça e os reguladores,
Como bem assinalado, "Recomeça..........se puderes, sem angústia e sem pressa, e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcançares não descanses, de nenhum fruto queiras só metade." MIGUEL TORGA

Isto dito, nada mais,..............pintassilgos não são pardais.
António Cabral (AC)