Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Presidenciais: Seguro declarou ficar contente com apoio de Pedro Nuno, disse que não exclui ninguém. Esta frase fica sempre bem.
O candidato presidencial Cotrim Figueiredo tinha revelado que, numa eventual segunda volta das eleições em que não estivesse, não excluía o apoio a qualquer candidato. Primeiro e passando-lhe qualquer coisa pela cabeça, mencionou Ventura.
AC
IRÃO
Enviaram-me este boneco que presumo circulou nas ditas redes sociais.
Não faço ideia se o autor do boneco queria significar que o aiatolá devia ir-se embora, ele e todos os outros, ou se queria significar que o aiatolá e os outros clérigos estão receosos e podem estar a preparar-se para se pirarem.
É um profundo exagero (opinião pessoal naturalmente) imaginar que algo ocorrerá agora semelhante ao acontecido aquando da fuga do Xá da então Pérsia.
Nessa altura, particularmente nos últimos 2/ 3 anos de poder de Pahlevi, as mesquitas fervilhavam de conspiração, os clérigos organizavam-se apesar de perseguições da polícia política.
E Khomeini lá regressou do seu exílio dourado Parisiense.
A propósito, relembrar que a França sempre fascinou facínoras e ditadores nomeadamente asiáticos e africanos, e como a França sempre os tratou bem. Não deve ter tido nada a ver com o depositar em bancos franceses das "pequeninas poupanças" desses ditadores, Bokassas e quejandos.
Creio que não haverá mudança de regime no Irão.
Embora muito pouco se consiga saber daquele "antro de liberdades" é legitimamente admissível que já foram massacradas milhares de pessoas. E continuará a ser assim, é a minha opinião. Mais mortes em contenção de manifestantes, muitas prisões, julgamentos (???) de muitos e eliminação física seja por enforcamento ou por morte morrida.
Coisa que me parece incomodar muito pouco o mundo, e nomeadamente os países grandes fornecedores de centrais nucleares, como me parece nada incomodar às defensoras histéricas por esse mundo fora os "tantos de polé" a que são submetidas as mulheres no Irão.
Enfim, basicamente o costume.
AC
> 1368 - China, início da dinastia Ming
> 1556 - China, terramoto terrível na província de Shanxi, terão morrido centenas de milhares de pessoas
AC
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Senhora Presidente do Parlamento Europeu, Ilustre amiga,
Bem-haja por este honroso convite pelos quarenta anos da adesão de Portugal e da Espanha às Comunidades Europeias.
Majestade Rei das Espanhas, Felipe VI, ilustre e muito querido amigo,
Senhor Presidente do Conselho Europeu, ilustre e velho amigo,
Senhoras Deputadas, Senhores Deputados,
Excelências,
En primer lugar, quería transmitir a Su Majestad el Rey Felipe y al pueblo de España mi solidaridad tras la tragedia del pasado domingo, que se cobró tantas vidas inocentes.
O Reino de Portugal nasceu em 1143, vai para nove séculos, e viu a independência reconhecida, em 1179.
Nasceu na Europa e nasceu de linhagens europeias.
Nasceu na Europa, na Costa banhada pelo Oceano Atlântico.
O nosso primeiro Rei tinha por Mãe uma filha do Rei de Leão, um dos Reinos que, séculos mais tarde, formaria o Reino de Espanha.
Tinha por Pai um irmão do Duque de Borgonha, um ducado que, séculos mais tarde, ajudaria a formar o Reino de França.
Mas nasceu também de linhagens vindas de outras Europas, do Norte, do Sul, do Oeste e do Leste. E de África e das Ásias. Mais tarde das Américas e das Oceanias. Num caldo de etnias, culturas e religiões.
Somos europeus desde as raízes.
E essas raízes mesclaram-se, logo à partida, com as de outros continentes, de outros universos.
Por isso não há portugueses puros, há portugueses diversos, na sua riqueza cultural.
Somos europeus, na língua, na cultura, na História, e, porque europeus, universais.
A nossa vida foi, do século XV aos séculos XIX e XX, uma saga constante na Europa Continental e fora dela – porque desde o século XV atravessámos oceanos e tocámos ilhas e continentes.
Uma saga em que deixámos uma diáspora por todo o mundo.
E fomos, muitas vezes, mais felizes a navegar pelo mundo do que nas guerras europeias.
Com os vizinhos, que eram nossos parentes, conquistámos independência, guerreámos para a mantermos, perdemo-la e recuperámo-la.
De tal modo que, no século XIX, a nossa independência teve de ser garantida, com a capital do Império no Brasil.
Éramos europeus, mas a Europa, que nos iluminava, não foi sempre portadora de boas notícias.
Excelências,
O que há de verdadeiramente diferente e notável é que a integração europeia do século XX, que culminou na adesão há quarenta anos, no mesmo dia da Espanha, com papel cimeiro de Mário Soares e Felipe Gonzalez, veio mudar a História.
Mudou a História europeia. Mudou a História nas relações com o nosso único vizinho por terra. Mudou a nossa História. Mudou para a Liberdade, mudou para a Democracia, mudou para o Estado de Direito, mudou para o Desenvolvimento, mudou para a Justiça Social.
E, depois de séculos de independência baseada nos Oceanos e do inevitável, mas tardio, fim do Império, com a formação da multicontinental e multioceânica Comunidade de Países de Língua Portuguesa, Portugal e a Europa, Portugal e a Espanha, Portugal e os Estados de sucessivos alargamentos europeus, começaram uma nova História. Que dura há quase cinquenta anos e que não teria sido possível sem a Europa, à margem da Europa, contra a Europa.
Exemplo singular desta mudança é a fraternidade entre Portugal e Espanha, a Espanha e Portugal, aqui eloquentemente testemunhada pelos dois Chefes de Estado unidos, em representação das respetivas Pátrias e dos respetivos Povos.
Excelências,
É, hoje, moda do momento, esquecer, minimizar, diminuir a Europa e o seu papel no mundo.
Não percamos um segundo a hesitar, a duvidar, a autoflagelarmo-nos. Temos mais Liberdade, Democracia e Estado de Direito do que tantos outros. Muitos de nós estão em lugar cimeiro do Desenvolvimento Humano e dos padrões de igualdade social. Temos um mercado dos maiores do mundo. Garantimos condições de vida comparativamente superiores à generalidade dos Estados. Somos um destino sonhado por tantos, de todos os continentes. Mas sabemos que tudo isto não basta e que perdemos, por vezes, tempo e que temos de fazer mais e melhor.
Precisamos de mais juventude, de mais conhecimento, de mais ciência, de mais tecnologia, de mais segurança comum, de mais crescimento, de mais justiça, de mais capacidade de mudança dos nossos sistemas políticos, económicos e sociais, precisamos de mais unidade, precisamos de mais futuro.
Precisamos.
Mas então tratemos disso. Com prioridade e com urgência. Contemos, antes do mais, connosco. Nós próprios, que temos de acreditar na Europa Livre, Igualitária e Democrática.
Reconstruamos a Europa. Sem medos. Sem inibições. Sem complexos.
Temos aliados? Temos. Para além da União Europeia, Portugal tem o Reino Unido, há quase 650 anos, e preferiríamos que estivesse ainda mais com a União Europeia do muito que já está.
Temos os Estados Unidos da América, cuja independência Portugal foi o primeiro Estado europeu, salvo a França, portanto o primeiro Estado neutral, a reconhecer, mas preferiríamos que fossemos sempre aliados a cem por cento e não com hiatos, intermitências ou estados de alma.
E, num e noutro, temos Comunidades fortes, históricas, jovens e pujantes.
Mas isso não é o essencial.
Nós, Portugueses, nós Portugal, já éramos Pátria independente há muitos séculos, ainda não existia a maioria dos Estados do Mundo, nem dos mais poderosos de hoje.
Fomos assim, somos assim. Sempre na Europa. Nos últimos 40 anos, mais na Europa e com a Europa. E, por isso, no universo e com o universo.
Reconhecidos às Comunidades Europeias. Reconhecidos à União Europeia. Tudo o que se possa dizer das Comunidades Europeias, hoje União Europeia, de crítico, de falível, de errado, de insuficiente, e há muito, é nada comparado com aquilo que lhes devemos.
Europeus sempre. Transatlânticos sempre. Universais sempre.
Avancemos, pois, recriemo-nos no que for necessário, que os aliados e os parceiros, que desejamos, virão, como sempre vieram, quando perceberem que não há senhores únicos no globo, que não há poderes eternos. E que as nossas alianças e parcerias valem mais do que a espuma, mesmo espetacular, mesmo sedutora de cada dia.
Digo-vos mais. Não há quem consiga hoje refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado e sonhar controlar o seu hemisfério, ou resolver problemas do mundo sozinho. Falhará quem o tente no século XXI, como falharam outros no século XX.
E não se invoque o biliteralismo, que, verdadeiramente, é unilateralismo, que é uma forma de enfraquecer o multilateralismo e as instituições internacionais, sem que, quem deseja exercer essa hegemonia, esse controlo, tenha condições para o fazer como sonha ou afirma.
E não há como fazê-lo ignorando a Europa, o seu papel nos valores, o seu papel na justiça social, o seu papel na economia mundial. Porque a Europa ainda é e será sempre berço da Democracia, ainda é e será sempre farol de Liberdade, ainda é e será sempre esteio de Estado de Direito, ainda é e será sempre referência de Estado Social.
Foi assim no passado. Será assim no futuro.
Por isso, nós portugueses, por isso, nós europeus nunca, mas nunca mesmo, desistiremos do nosso papel fundamental no universo.
Porque desistir do seu papel universal seria, para a Europa, desistir dos seus valores, desistir de si própria, desistir de todos os que lhe dão vida.
Por isso, nós portugueses, nunca, mas nunca mesmo, desistiremos da Europa. Porque desistir da Europa seria, para Portugal, desistir de uma parte essencial e insubstituível de Portugal.
Neste dia de 40 anos de adesão da Espanha e Portugal, de Portugal e da Espanha, à Europa, viva Portugal, viva a Espanha, viva a Europa!
Um aluno que dá erros, neste momento, é possivelmente um dos melhores alunos da turma. Não porque erra mais, mas porque ainda se autoriza a pensar. Porque ainda arrisca uma resposta que não é garantida, ainda se expõe à possibilidade de falhar, embora com o peso de sentir que não sabe tudo ou que não é capaz. É aquele que ainda resiste ao facilitismo, à inteligência artificial, que é honesto e que se esforça, que pensa, que arrisca e que resiste à ideia de que aprender é sinónimo de acertar.
Absolutamente de acordo
AC
O VOTO É SECRETO . . . . tem dias !
A esmagadora maioria dos meus concidadãos são tratados como imbecis, como crianças, como embrutecidos, a quem tem de se explicar tudo e, particularmente, como devem votar.
Por quem são assim tratados?
Na minha opinião é por exemplo o caso de certos ex-ortodoxos convertidos aos encantos dos salões e às alcatifas dos corredores dos vários poderes e de várias instituições, é o caso de dirigentes de diversas agremiações a recomendar enraivecidos como se deve votar na 2ª volta das eleições presidenciais, é o caso de múltiplas Komentadeiras e pés de microfone, é o caso de mandatários e outras personagens dos candidatos falecidos na 1ª volta, é o caso de esquerdas caviar com participações secundárias em processos políticos ou amigos de SUV do passado, é o caso de ex e actuais titulares de órgãos de soberania. Todos a recomendar Seguro.
Eu gostava era de ver uma campanha entre Seguro e Ventura que fosse, empolgante, decente, civilizada, esclarecedora, em que argumentassem com elevação (creio que isso é difícil em Ventura), que referissem sempre e em detalhe os três tipos de competências que a CRP estabelece para o Presidente da República.
E como nesse quadro tencionam comportar-se a partir de Belém.
E que claramente dissessem, que liderariam pelo exemplo, que serviriam a sociedade portuguesa mas que não se serviriam do cargo, nomeadamente para fomentar alterações constitucionais inaceitáveis face aos valores e princípios da nossa CRP.
E que claramente dissessem que a partir de Belém não iam tentar fortalecer a oposição ao governo que estivesse.
Que claramente dissessem como tencionam dialogar com a Assembleia da República, com o Primeiro-ministro, com os Presidentes dos Tribunais (STJ, TC, STA, TContas) e com o Procurador-Geral da República. Como tencionam exercer o seu legítimo magistério de influência.
Uma campanha em que nenhum dirigente partidário, seja de primeira segunda ou terceira linha, abrisse a boca sobre o que quer que fosse.
TODOS CALADINHOS, sem recomendação alguma. CALADOS.
Uma campanha dinamizadora, para incitar e convencer a esmagadora maioria dos portugueses que andam fartos das palhaçadas de Ventura e outros e das inações dos moderados, com Seguro e Ventura nas ruas, e um série de debates nas TV entre os dois, mas sem as perguntas tontas que creio existiram por parte dos moderadores (???) durante a 1ª volta. Com Seguro a lutar sem tibiezas, sem poucochinho, com assertividade.
Finalmente, um no dia 6 outro no dia 7 de Fevereiro, o PR e o PM a dirigirem-se aos portugueses pela televisão com uma mensagem muito clara e curta: portugueses, é importantíssimo que no Domingo vão votar.
Depois, esperar pelo resultado. Isto, para mim é democracia pura e dura em eleições.
Era pedir demais não era?
Isto seria próprio de um país maduro, organizado, democraticamente saudável, não seria?
Mas não, temos e teremos o Portugalinho do costume, mansinho, subserviente, pobrezinho, rasteirinho, inculto, onde existem uns doutos sapientes que nos têm de tudo indicar e chamar-nos à atenção que se não pensarmos como eles não somos democratas.
Obrigadinhos meus senhores, por tão bem cuidarem de mim e me ensinarem!
Enfim mas, como sempre, admito poder estar a ver tudo mal.
Quanto aos doutos, fiquem descansados, não seguirei as vossas recomendações, de Cavaco Silva a Carneiro, de Catarina a Raimundo, de Montenegro a Rui Rio, de João Jardim a Rui Moreira, de Miguel Júdice a Tavares ou a Inês e tantos mais.
Metam as recomendações onde mais vos aprover.
Há quatro hipóteses de voto, eu sei qual é a que quero, e não é nenhuma das que o Komentariado fala.
Não quero ser prisioneiro, mesmo numa prisão sem grades!
A 8 de Fevereiro lá estarei se Deus quiser.
AC
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Presidente da República no Parlamento Europeu
A convite da Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, o Presidente da República discursará amanhã no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, juntamente com o Rei Felipe VI, para assinalar o 40.º aniversário da adesão de Portugal e de Espanha às Comunidades Europeias, hoje União Europeia.
Estão também previstos encontros com os eurodeputados portugueses e com a Provedora de Justiça da União Europeia, bem como com o Secretário-Geral do Conselho da Europa.
Então, também se vai encontrar com Costa e Úrsula, certo?
AC
Ventura está a tentar jogar uma cartada ao estilo de Soares mas com nenhum êxito.
O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) de Moçambique confirmou, esta terça-feira, que o cidadão português Pedro Ferraz Correia dos Reis se suicidou numa unidade hoteleira em Maputo, contrariando a primeira versão da polícia, de homicídio. “Não houve dúvidas, do trabalho feito pela equipa técnica do Sernic, em coordenação com a medicina legal do Hospital Central de Maputo, onde também estiveram presentes os magistrados do Ministério Público, de que não havia dúvidas nenhumas, até ao presente momento, de tratar-se de um caso de suicídio, não homicídio, conforme tem-se propalado”, disse Hilário Lole, porta-voz do Sernic.
O grande argumento a favor do choninhas Seguro parece ser o facto de ser um choninhas. Eu cá acho que ao Presidente dos afectos era bom para Portugal não suceder o Presidente dos cuidados paliativos.(Tiago Dores)
Thank you, Larry. It is both a pleasure, and a duty, to be with you tonight in this pivotal moment that Canada and the world going through.
Today I will talk about a rupture in the world order, the end of a pleasant fiction and the beginning of a harsh reality, where geopolitics, where the large, main power, geopolitics, is submitted to no limits, no constraints.
On the other hand, I would like to tell you that the other countries, especially intermediate powers like Canada, are not powerless. They have the capacity to build a new order that encompasses our values, such as respect for human rights, sustainable development, solidarity, sovereignty and territorial integrity of the various states.
The power of the less power starts with honesty.
It seems that every day we're reminded that we live in an era of great power rivalry, that the rules based order is fading, that the strong can do what they can, and the weak must suffer what they must.
And this aphorism of Thucydides is presented as inevitable, as the natural logic of international relations reasserting itself.
And faced with this logic, there is a strong tendency for countries to go along to get along, to accommodate, to avoid trouble, to hope that compliance will buy safety.
Well, it won't.
So, what are our options?
In 1978, the Czech dissident Václav Havel, later president, wrote an essay called The Power of the Powerless, and in it, he asked a simple question: how did the communist system sustain itself?
And his answer began with a greengrocer.
. . . . . .
ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026
3ª Parte
Para a 2ª volta vamos ter de certeza mais circo.
Mas começo por reproduzir um texto que me remeteram e circula por aí que creio é falso, FALSO, e falsamente atribuído a Miguel Esteves Cardoso.
Apesar de falso e como o considero curioso aqui fica com sublinhados da minha responsabilidade e breves comentários a AZUL)
Opinião sobre André Ventura
Discordo (também) de algumas propostas, de alguns enquadramentos e de algumas partes da sua visão do Estado.
Mas, olhando para esta corrida presidencial, há algo que não consigo ignorar: André Ventura é a pessoa mais verdadeira que está a concorrer. (na minha opinião aponta questões muito relevantes diz coisas acertadas, mas mente muito, aldraba)
E isso, hoje, é muito raro. (a prevalência de pessoas verdadeiras, integras é verdade que me parece uma raridade, concordo, mas quanto a Ventura . . . .)
Ventura não é um homem artificialmente polido, nem confortável, nem feito para tranquilizar consciências.
Mostra aquilo que é. Não esconde pulsões, não disfarça indignações, não finge uma elevação moral para caber no molde institucional.
É precisamente por isso que o pântano político e mediático português se sente tão profundamente incomodado com ele. (SIM, nisto tendo a concordar)
Ventura introduz no espaço público aquilo que foi expulso durante décadas: conflito real, fricção social, perguntas insolentes, temas proibidos. (o politicamente correcto; mas tudo o que é exacerbado, estimulado para a violência sectária deve ser combatido)
Não porque seja um tecnocrata refinado ou um intelectual de salão, mas porque é extremamente inteligente e possui um instinto político alinhado com o do português comum. (isto parece-me verdade)
A sua inteligência não é abstracta nem ornamental. É inteligência de leitura humana, de percepção de injustiça, de identificação rápida do ponto onde o sistema mente e onde as pessoas sentem essa mentira no corpo antes de a conseguirem formular em palavras. (há décadas que em Portugal se mente e vigariza as pessoas)
Ter uma figura como Ventura num cargo que, em Portugal, tem sido sobretudo decorativo, teria o efeito imediato de quebrar a harmonia artificial do sistema, algo para o qual o país ainda não fez o seu luto institucional.
Aquela harmonia viscosa, confortável, onde todos discordam de nada em público e concordam em tudo nos bastidores. (creio haver aqui muito de verdade)
E é aqui que os contrastes se tornam evidentes.
Há Luís Marques Mendes, onde não há mistério nenhum: é o sistema a votar em si próprio. Anos de televisão sem contraditório, tal como Marcelo, sempre em modo comentador respeitável, sem risco, sem ruptura, sem custo pessoal. Apoiou Montenegro, agora é apoiado por ele. O círculo fecha-se com uma elegância quase cínica. Não veio mudar nada. (não iria mudar nada) Veio garantir que tudo fica exactamente igual, com ar sério, institucional e aceitável.
Surge também Henrique Gouveia e Melo, um produto do tempo do medo. Nasceu politicamente quando se proibiu, se impôs e se mandou calar, tudo em nome da “saúde”. Transformaram um gestor de ordens num salvador nacional, como se a logística fosse uma virtude moral. Autoridade sem política. Disciplina sem liberdade. Hierarquia sem representação. Não é um presidente para cidadãos. É um comandante para súbditos.
E há ainda António José Seguro, o Partido Socialista a fingir que mudou (como de costume). Nunca rompeu com Guterres, nunca se afastou de Sócrates quando devia, nunca assumiu qualquer corte real com o passado que trouxe o país até aqui. Serve para branquear, não para transformar. Seguro no nome, seguro para o sistema. (exactamente)
Por fim, João Cotrim de Figueiredo: arrumado, limpo, inofensivo. Acredita na forma, não no conflito. Reformador de pose, risco zero, perfeitamente integrado no circuito respeitável, ao ponto de apoiar Ursula von der Leyen. Num país saudável, talvez bastasse. No país real, é irrelevante. (irrelevante é ser simpático)
André Ventura tem (imensas) falhas? Naturalmente.
Concordo com ele em tudo? Nem por sombras.
Mas é o único que não veio para manter a música ambiente. (SIM)
Não escrevo isto para converter ninguém, nem tenho ilusões quanto ao peso da minha opinião. COMO EU
Cada um vota como entende, com a consciência e a informação que tiver.
Para bem ou para mal, é isso a democracia.
Independentemente do resultado, Ventura já fez aquilo que os outros evitam: obrigou o sistema a mostrar-se. (PARECE EVIDENTE)
Ignorar isto não é virtude.
É recusa em ver.
Qual o tecido social de Portugal? Que problemas?
O que realmente nos trouxe até aqui?
Quais os reais problemas no nosso sistema de saúde (SNS, privados, cooperativos)? É que não são bem a gritaria da FNAM, ou da ordem dos médicos, ou dos que ganham rios de dinheiro com a incompetência de décadas de ministros (PS e PSD) e de gestores e administradores hospitalares.
Neste vazio, neste vazio de políticas particularmente desde 1991, neste pântano lamacento criado pelo PSD e PS mas sobretudo com mais culpas deste último pois é quem mais tempo esteve no poder (e então os magníficos 8 anos e semanas), foi deste vazio e deste estado deplorável a que chegámos que nasceu o inarrável Chega, foi dele que germinou Ventura (mediaticamente eficaz), que passa o tempo a apontar culpas (tem infelizmente razão em várias coisas) mas soluções concretas e exequíveis é que não são mostradas.
Ventura e outros, confundem exposição mediática com capital político.
21 JANEIRO 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
• Henrique Pereira dos Santos • 31 Dezembro 2019
Um destes dias, a propósito da gestão de uma propriedade, falavam-me no controlo de matos sem gradagem, sem mobilização do solo, só com corta mato. Naturalmente, perguntei as razões para não se usarem ovelhas, que fariam o mesmo serviço, estrumavam o solo, nas gastariam energias fósseis e talvez ainda dessem rendimento.
A primeira parte da resposta é um clássico: não há pessoal. Na verdade, o que esta resposta quer verdadeiramente dizer é que o rendimento da criação de ovelhas não é tão atractivo que permita pagar melhor, o que torna o trabalho de pastor menos competitivo face às alternativas.
São os produtores de pinhão que se queixam das quebras por causa das doenças, mas também dos roubos de pinha, são os produtores de cortiça que vêem as pilhas diminuir, são os empreiteiros florestais que não podem deixar as máquinas no monte sem ficarem sem gasóleo, são os produtores de regadio que vêem ser roubados os metais dos sistemas de rega, são os produtores de cereja a começar a vedar e fiscalizar as áreas de produção, são os produtores de azeitona a queixar-se de um dia acordarem sem a azeitona no olival, são as castanhas que se evaporam, a juntar aos já citados roubos de gado e muitos outros.
No outro dia, à procura de uma estrada, passo pelo posto da GNR de uma grande aldeia, e resolvo pedir indicações. O posto estava fechado, bati à porta, apareceu um agente a quem pedi indicações debalde: “não sou de cá, amigo, não faço ideia de onde será essa estrada, com a falta de pessoal, aos fins-de-semana mandam para aqui pessoal de fora só para o posto não estar fechado, de maneira que eu não conheço esta zona”.
Bem me explicava outro proprietário que às duas da manhã tinha visto umas luzes no outro lado da albufeira, e tinha ligado para a GNR, mas com a falta de pessoal, só conseguiram ir ver o que se passava três horas depois, inutilmente, claro.
E, no entanto, este é o Estado que passa a vida a falar na valorização do interior – Portugal deve ser o único país do mundo em que o interior começa a uns vinte quilómetros da costa – tem até umas secretarias de Estado catitas espalhadas por aqui e ali, fala dos milhões que os contribuintes europeus despejam nessas tais regiões da convergência territorial.
O problema é grande parte do dinheiro chegar através de autarquias que pagam festas de Verão, piscinas, auditórios vazios, empresas inviáveis, pensando que estão a resolver os problemas do interior.
É o mesmo Estado que tinha uma missão para a valorização do interior – depois passou a secretaria de estado, vai agora num ministério da coesão territorial – que apresentou umas dezenas largas de medidas para valorizar o interior e de que cito apenas uma: “Projeto de difusão de espetáculos produzidos e coproduzidos pelo Teatro D. Maria II visando alcançar territórios onde a oferta teatral é ocasional ou irregular”.
A sensação com que fico é a de que todos estes milhões, organismos, estudos, planos e afins, são como um fogo-de-artifício com que se tapa o essencial: na sua missão básica de garantir a segurança de pessoas e bens, o Estado tem recuado muito para lá do aceitável, deixando ao abandono as pessoas que continuam empenhadas em criar riqueza nas suas regiões.
E, para juntar insulto à injúria, o Estado usa os escassos recursos da GNR para perseguir os malandros que não cumprem as leis iníquas e absurdas de defesa da floresta contra incêndios, em vez de se empenhar em, primeiro, assegurar a segurança de pessoas e bens, depois, estar lá quando as pessoas precisam para as conhecer, apoiar e ajudar nas vidas difíceis que levam.
Se o Estado se preocupasse mais com as pessoas, e menos em garantir o gigantismo de autarquias, que muitas vezes são o principal agente social e económico de cada concelho, absorvendo grande parte dos recursos em actividades muito pouco eficientes, cumpriria bem melhor a sua missão.
O mundo rural agradeceria, de bom grado, melhor e maior segurança para as suas actividades quotidianas, pagamento da gestão de serviços de ecossistema e racionalidade na gestão do fogo. Estou convencido de que facilmente abdicaria dos milhões gastos em ideias geniais e nas acções e projectos simbólicos que visam assinalar o amor acrisolado do Estado pelo mundo rural, para ter um módico de decência no relacionamento do Estado com os agentes económicos e sociais do mundo rural.


















